ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

OPERAÇÃO CARTOLA E INGERÊNCIA POLÍTICA


OPERAÇÃO CARTOLA. GOVERNADOR DO RS QUER DISCRIÇÃO NA POLÍCIA - PAULO GERMANO, ZERO HORA 20/07/2011

Ação de policiais civis em prefeituras foi bombardeada por aliados de Tarso
O governador Tarso Genro decidiu que a Polícia Civil deve ser mais discreta. No início do mês, a Operação Cartola (que investiga supostas fraudes em contratos de publicidade) provocou revolta entre políticos ao entrar em oito prefeituras de forma considerada, por eles, ostensiva demais.

Segundo o chefe de gabinete do governador, Vinicius Wu, “há indícios de que houve, de fato, algum tipo de excesso” na ação dos policiais. Desde que a operação foi deflagrada, prefeitos e aliados de Tarso queixam-se das sirenes ligadas, das portas arrombadas, das armas aparentes e do número de policiais que integraram a ação.

– A opinião do governador é de que isto pode ser ajustado nas próximas ações da polícia. É claro que depende muito da situação concreta: às vezes, algumas atitudes são necessárias, às vezes não – avalia Wu.

O chefe de gabinete ressalta que o Piratini apoia a Operação Cartola e o trabalho da instituição:

– De modo algum, haverá qualquer inibição das estruturas de investigação do Estado, sempre plenamente respaldadas. Mas a preocupação com os direitos fundamentais dos investigados também forma a nossa perspectiva.

O Piratini já alertou o secretário da Segurança, Airton Michels, e o chefe da Polícia Civil, delegado Ranolfo Vieira Júnior, sobre o desconforto provocado pela operação. O chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, diz que o próprio Ranolfo reconheceu que “em uma ou outra situação, pode ter havido um pouco de exagero”. Pestana também reforça que a ação policial poderia ter sido mais discreta.

– Não se pode fazer do secundário o principal. O principal é que surgiram indícios de irregularidades e houve vontade de investigar. Se poderiam ter escalado menos policiais, se a sirene poderia estar fechada, é secundário.

A Federação das Associações de Municípios (Famurs) já havia encaminhado a Tarso uma representação contra a atuação da polícia. O documento critica até o nome da operação, que teria “intuito de exposição ao ridículo”, e afirma que os policiais cometeram “crime de abuso de autoridade e atos de improbidade administrativa”.

– É possível que houvesse indícios em algumas prefeituras, mas é possível que muitas tivessem contratos regulares. E o prejuízo político e pessoal contra as pessoas foi muito grande – critica o presidente do PSB, um dos aliados de Tarso, Caleb de Oliveira.


Gregos e troianos - PÁGINA 10 | LETÍCIA DUARTE (Interina)

Mais do que uma confissão de culpa, as vozes que ecoam do Palácio Piratini admitindo excessos durante a Operação Cartola devem ser interpretadas como uma tentativa de responder politicamente às pressões.

Atuando em bloco, os prefeitos atingidos pela operação que mobilizou 500 policiais para adentrar em oito prefeituras e agências de publicidade partiram para o contra-ataque, se dizendo vítimas de uma ação espetaculosa e exagerada, que incluiu transportar documentos com sirene ligada.

Temendo uma crise com partidos aliados, o governador preferiu não comprar a briga. Ao reconhecer de antemão eventuais erros e orientar a polícia a ser mais discreta em suas operações, tenta evitar que o confronto ganhe maiores proporções.

O problema é que, ao mesmo tempo, essa postura desagrada aos agentes de segurança, correndo o risco de deflagrar uma crise institucional. Cobrados por mais efetividade em seu trabalho, os policiais se veem repreendidos na tentativa de cumprir o seu dever. Depois de quase um ano de investigações, em colaboração com o Ministério Público e o Ministério Público de Contas, e de atuarem cumprindo mandados judiciais, sentem-se desprestigiados pelo choro alheio.

Passando por cima da afirmação do secretário da Segurança, Airton Michels, que na semana passada negou a existência de “qualquer indício de excessos”, o chefe de gabinete de Tarso, Vinicius Wu, assegurou ontem que “há indícios de que houve, de fato, algum tipo de excesso”.

O risco de um impasse desse tipo é desviar o foco do que deveria ser o principal: as supostas irregularidades investigadas. Se não têm nada a temer, por que os prefeitos esbravejam tanto? Não é uma questão de dias para que tudo se esclareça, quando as investigações forem concluídas?

Quando as escutas forem reveladas e a íntegra do inquérito for conhecida, o caso poderá ser melhor avaliado. Por enquanto, cada lado garante estar com a razão. E o governador faz as vezes de equilibrista.

ALIÁS

No período em que foi ministro da Justiça, Tarso Genro também orientou a Polícia Federal a ser mais discreta em suas operações, atendendo a reclamações.

Quando a polícia invade vilas para prender traficantes, ninguém diz que a operação foi pirotécnica.