ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 31 de março de 2011

TORTURA EM DELEGACIA

Corregedoria investiga cinco policiais acusados de tortura dentro de delegacia - O GLOBO, 31/03/2011, Gustavo Gourlart

RIO - Cinco policiais da 10ª DP (Botafogo) são investigados pela Corregedoria Interna da Polícia Civil (Coinpol) por um suposto crime de tortura. O crime teria acontecido dentro da delegacia, na semana passada. Segundo a Polícia Civil, os agentes teriam usado um alicate para ferir os órgãos sexuais do funcionário de um ferro-velho na Região dos Lagos. A vítima ainda teria sido obrigada a ficar sem roupa. Eles tentavam pressionar o funcionário a identificar dois homens como fornecedores de peças de carros roubados

Segundo o corregedor Gilson Emiliano, a vítima foi levada a exame de corpo de delito, que confirmou os ferimentos. Já no exame feito no alicate encontrado na delegacia, foram detectados vestígios de tecido humano no instrumento. A vítima afirma o envolvimento de três policiais na agressão e de mais três em omissão, pois viram o que acontecia e não fizeram nada. Apenas cinco deles foram identificados pelo homem. Um dos agentes não estava de plantão na delegacia no dia do crime e foi chamado para depor para verificar o seu possível envolvimento na tortura.

A delegada Martha Rocha, chefe da Polícia Civil, repudiou o crime e disse que decidiu divulgar o fato para que a sociedade acompanhe as investigações.

"Quero deixar muito claro a nossa transparência e comprometimento. A ida da vítima à corregedoria foi muito importante, vemos que a população confia e acredita na Polícia Civil. Queremos fazer um trabalho eficiente, rápido e transparente", disse em nota.

A delegada disse ainda:

"É inadmissível que, num momento como esse, especialmente quando se há vários recursos para investigações, aconteça um crime de tortura dentro de uma delegacia".

Os cinco policiais depuseram na Coinpol. Se for comprovado o envolvimento deles no crime, eles serão indiciados por tortura e serão exonerados da instituição.

DESCASO, CEDÊNCIAS E DESVIOS

Arrumação da casa. WANDERLEY SOARES, O SUL, REDE PAMPA, 31 de março de 2011.

O governo que toma posse não encontra a casa desarrumada. O detalhe é que cada um dispõe os móveis e as pessoas a seu gosto.

Não estou entre os que, até mesmo um mês após a instalação de um governo, em processo democrático, continua a considerá-lo como novo e a desculpar algumas trapalhadas sob a alegação de que a casa está sendo arrumada. Quem assume o governo, quase de forma imediata, distribui as benesses para seus parceiros e não encontra a casa tão desarrumada. Além disso, se presume que sejam pessoas de competência suficiente para não deixarem a máquina administrativa e as ações operacionais em ritmo contemplativo.

Atualmente, na área da segurança pública, nada se apresenta como diferente de administrações passadas, e a tal política da transversalidade continua a figurar apenas como parte da retórica dos discursos. O que se vê são os policiais fazendo a sua parte como sempre fizeram e tendo os problemas que sempre tiveram com novas viaturas que receberam do governo passado e com delegacias caindo aos pedaços. A Brigada, que ganhou fôlego, também no governo passado, com um pequeno aumento de seu efetivo, ainda está longe de uma estrutura confiável. Mas o discurso da transversalidade está bombando. Sigam-me.

Cedências

Com toda a ênfase que marca o discurso da transversalidade, em nada mudou a política de cedências na Brigada Militar. Há PMs que já estão há mais de dez anos fora da corporação ganhando salários privilegiados, trabalhando em ambientes climatizados e plenamente esquecidos do cheiro da bandidagem. Tudo isso está sendo confirmado e até mesmo ampliado. O Diário Oficial do Estado publicou este mês a ida de um capitão para a Secretaria do Trabalho e do Desenvolvimento Social, outra capitão para a Procuradoria Geral da Justiça e dois capitães para a Assembleia Legislativa. Outras cedências foram autorizadas anteriormente, como a de um coronel para a Secretaria da Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa. Nada contra os PMs que conseguem essas confortáveis escapadas, apenas registro, parafraseando o príncipe de Lampedusa, que as coisas mudam para que fiquem como estão.(...)

Desvios

Nos últimos dias, a Brigada vem sendo assolada por uma série de casos de desvio de conduta. Em uma corporação de, pelo menos, 28 mil almas, isso ocorre de forma inevitável e cíclica. No entanto, não podem esses casos ficar fora de controle, como aconteceu no Rio de Janeiro. Além disso, a vigilância não deve se restringir aos brigadianos mais humildes.

"TRÊS-OITÃO" APOSENTADO


Polícia paulista aposenta o "três-oitão" - 31/03/2011

Após quase 90 anos de serviços prestados à Polícia Militar de São Paulo, o "canela seca" aposentou-se das ruas. Também chamado pelos praças e oficiais como "três-oitão", o revólver calibre 38 deixou de ser usado oficialmente em janeiro passado. A informação é de reportagem de Rogério Pagnan publicada na Folha desta quinta-feira

O revólver deu lugar à pistola.40, uma arma de uso restrito --não é vendida para civis--, mais moderna e eficiente, afirma o comando da polícia. Segundo o comandante-geral da PM, Álvaro Camilo, o novo armamento tem um maior poder de impacto contra o criminoso e, ao mesmo tempo, com menor risco de o projétil transfixar o alvo e acertar terceiros.

Especialistas em armamentos elogiam a "eficácia" da pistola.40 nas ruas. "Polícias do mundo inteiro estão optando pela.40 ou pela 45. (...) Para forças policiais, o.40 é um calibre "pau-pra-toda-obra'", diz Lincoln Tendler, editor-chefe da revista "Magnum", especialista em armamentos.

O especialista em segurança pública Paulo Sette Câmara critica a mudança. Para ele, a polícia deveria concentrar os investimentos em armas não letais porque a maioria das ocorrências da polícia é de casos simples.

A PM não informou o valor investido desde 1999 na compra de pistolas.40. A corporação também não informou o que foi feito com os revólveres agora aposentados.

A ARMA EM CAUTELA


PISTOLAS EM MÃOS. Cada PM terá sua arma e a levará para casa, para maior controle e combate ao desvio - 30/03/2011 às 23h49m. Gustavo Goulart

RIO - Todos os cerca de 40 mil policiais militares do estado receberão pistolas calibre .40 do comando da corporação. As armas ficarão acauteladas pelos PMs e cada uma delas será de uso individual e intransferível - como já ocorre na Polícia Civil. A medida, segundo o relações-públicas da PM, coronel Henrique Lima de Castro Saraiva, tem como objetivos possibilitar aos comandantes das unidades um controle maior sobre o armamento usado por seus subordinados e dificultar o desvio de armas. Cada PM será responsável pela sua pistola e terá que responder à corregedoria da corporação no caso de perda por qualquer razão.

OPINE:Você acha que os PMs devem ter suas próprias armas e levá-las para casa?

A PM já adquiriu um lote de nove mil pistolas que serão distribuídas a unidades em breve. Outros lotes serão comprados ainda este ano. Outra medida adotada pelo comandante-geral da corporação, coronel Mário Sérgio Duarte, foi determinar uma inspeção nos paiois de todas as cerca de 60 unidades da Polícia Militar - incluindo os 40 batalhões, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), as academias de formação profissional e até os hospitais - para saber a situação deles. Além de contabilizar a quantidade de munição, coletes, armas, armamentos químicos e não letais, as inspeções vão apontar possíveis desvios. Também serão vistoriadas as armas em poder de PMs cedidos ao Tribunal de Justiça e ao Ministério Público.

Sobre as irregularidades, nós tomaremos providências internas. Havendo sinais de participação criminosa, a instauração dos competentes inquéritos para apuração dos crimes será feita
PM evita incorporar armas apreendidas com bandidos
Segundo a PM, os relatórios mensais feitos pelos comandantes não impediram, por exemplo, que um fuzil doado ao Batalhão de Choque pela Marinha de Guerra do Brasil fosse achado durante a ocupação do Complexo do Alemão. As vistorias nos paiois foi determinada poucos dias após a instalação da CPI das Armas pela Assembleia Legislativa. A comissão fez quatro pedidos de informações sobre armamentos à corporação.

Segundo a PM, a apreensão de armas nas ruas é a maior fonte de desvios de armamentos. Para o comandante Mário Sérgio, a corporação evita incorporar ao seu arsenal armas apreendidas com traficantes com para evitar desvios.

- Sobre as irregularidades, nós tomaremos providências internas. Havendo sinais de participação criminosa, a instauração dos competentes inquéritos para apuração dos crimes será feita. Eu oriento bastante a nossa corregedoria para investigar a fundo casos de desvio de armas. Na operação no Complexo do Alemão, eu determinei que todo o armamento apreendido fosse marcado com spray branco - disse o comandante da PM, em entrevista à rádio CBN.

Atualmente, o controle do armamento da PM é dificultado pelo fato de as armas trazerem apenas o número do lote, sem identificar a unidade nem a corporação. Além disso, armas de um mesmo lote são espalhadas ao serem distribuídas pelas unidades da PM.

Ex-secretário nacional de Segurança Pública, o coronel José Vicente Filho é a favor da medida de entregar armas aos policiais, mas adverte:

- A medida está vindo com atraso. É corretíssima. Mas, para receber a arma, o policial deve ter disparado pelo menos 300 tiros e ter feito curso de manutenção do armamento. A arma pode engasgar.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Medida muito correta, pois a armas é um equipamento pessoal e de defesa de todo policial. A perícia e o emprego útil e eficiente de uma arma depende do conhecimento, do preparo e do perfeito controle que o agente possui sobre esta arma. Em cautela, a arma fica sob os cuidados do policial, principal interessado na segurança e na qualidade de tiro.

Se eles pega qualquer uma a cada turno de serviço, eles jamais conhecerá as reais condições de funcionamento da arma, onde os defeitos podem ocasionar erros e risco de morte do agente e de terceiros.

quarta-feira, 30 de março de 2011

RPV RS - ASSTBM ALERTA PARA CALOTE NO PAGAMENTO DE PRECATÓRIOS


Mais uma vez estamos frente a um grande ato de injustiça a ser praticado pelo governo gaúcho e, esta vez, por parte daquele que se elegeu pregando a valorização dos funcionários públicos. A mudança na regra para o pagamento de RPV que está sendo formulada pelo Governo e brevemente será enviada para aprovação na Assembléia Legislativa, se configura num verdadeiro golpe por parte do Governador Tarso Genro contra os servidores do Estado, principalmente com os menos aquinhoados.

Na verdade, originalmente são mínimos os RPV, já que grande parte das execuções judiciais forma precatórios, todavia, o desespero dos trabalhadores, principalmente dos servidores de nível médio da Brigada Militar e os professores, classes completamente desprestigiadas pelos sucessivos governos, que levaram-nos a receber salários miseráveis frente à responsabilidade que temos fazem-nos abrir mão de grande parte dos valores que temos a receber, devidos pelo Estado, para termos a expectativa de auferir algo de maneira mais rápida e aliviar um pouco as dificuldades financeiras pela qual temos passado. Agora vem esse Governo, tido como dos trabalhadores, e anuncia um verdadeiro golpe contra os servidores, na medida em que limitará o pagamento dos RPV a 1,5% da receita líquida do Estado, fazendo com que o tempo de espera para o recebimento desses valores aumente absurdamente, formando filas para o recebimento aos moldes do que ocorre hoje com o recebimento de precatórios. Isto é valorizar e respeitar os servidores?

Assim, caro colega se prepare, pois teremos, mais uma vez, que lotarmos a Assembléia Legislativa assim que esta proposta irresponsável e injusta chegar lá, para unidos dizermos não a ela, e quiçá, contarmos com o apoio do parlamento para não aprová-la. Caso contrário, sofreremos mais um revés e seremos vítima de mais este golpe. Dissemine esta idéia, envie aos parlamentares de suas relações, e diga não a mudança da política de pagamento de RPV.

EDITORIAL ASSTBM: Modificação na política do pagamento de RPV é golpe do Governo do Estado - 30 de março de 2011 - DEE- ASSTBM

BM DEVE EXPULSAR PM QUE TENTOU SEQUESTRAR GAROTA DE PROGRAMA

BM deve expulsar PM preso por tentativa de sequestro. Homem era investigado há mais de seis meses por tráfico de drogas - CORREIO DO POVO-RS, 30/03/2011

A Brigada Militar (BM) informou que deve expulsar o soldado preso, em Porto Alegre, na noite dessa terça-feira. O policial militar de 27 anos e outro homem teriam tentado sequestrar uma garota de programa, mas ela conseguiu fugir e chamar a polícia. A dupla foi detida e encaminhada à 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). A BM reúne documentos para demitir o PM e considera que não há necessidade de inquérito, já que houve flagrante e ele não tem estabilidade. O homem era investigado há mais de seis meses por tráfico de drogas.

O sub-comandante interino do 11º BPM, onde o homem trabalhava, major Amarildo Bandeira, disse que a garota de programa relatou que esse tipo de sequestro vinha acontecendo há cerca de três semanas. As vítimas eram levadas para Canoas e depois assaltadas, estupradas e deixadas no local.

Na delegacia, o homem foi reconhecido por duas moradoras da região que também teriam sido sequestradas e estupradas por ele. O escrivão Gildo Silveira disse que como o homem já era conhecido no local, assim como o carro dele, um Fiesta escuro, a garota o reconheceu e não quis entrar no veículo. Quando ela recusou o programa, o amigo do policial, que estava no banco de trás, apontou uma arma e a mulher saiu correndo até um estabelecimento próximo.

Com a dupla, foram encontradas uma arma de brinquedo e uma pistola .40, de uso pessoal do soldado, além de uma touca ninja. Ele está detido no Batalhão de Polícia de Guarda e o comparsa, no Presídio Central.

BM INDICIA PMs POR AMEAÇAS CONTRA ESTUDANTE NA FRONTEIRA

ABORDAGEM SUSPEITA. Indiciados quatro PMs por agressões a negro. Universitário baiano relata ter sido perseguido desde fevereiro em Jaguarão - CARLOS ETCHICHURY, ZERO HORA 30/03/2011

A corregedoria-geral da Brigada Militar indiciou por lesão corporal, abuso de autoridade e injúria três soldados e um sargento em Jaguarão pela suspeita de agressões e envolvimento em ameaças a um estudante de História da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Negro, nordestino e homossexual, Helder Santos Souza, 25 anos, afirmou ser vítima de preconceito por policiais do município na fronteira com o Uruguai. Ele deixou o cidade na semana passada e quer retornar a Feira de Santana (BA), sua cidade natal, nos próximos dias.

De acordo com a versão de Souza, a perseguição teria se iniciado na madrugada de 6 de fevereiro, após uma abordagem de uma guarnição da BM. Durante a revista, agressões verbais e físicas teriam sido desferidas contra o jovem. Em ocorrência registrada na Delegacia da Polícia Civil da cidade, Souza afirmou ter ouvido a seguinte ordem de um soldado, antes de receber golpes de cassetete na região lombar e no braço esquerdo: “olha para parede, negrão”.

Jovem recebeu ameaças por cartas anônimas

Inconformado, ele procurou a corregedoria da corporação e a Polícia Civil. Como represália, ameaças em forma de cartas anônimas, escritas em computador, tornaram-se frequentes. Souza recebeu pelo menos duas correspondências.

Uma delas, a qual Zero Hora teve acesso, o autor, em linguagem agressiva e português sofrível, ordena Souza a mudar sua versão dos fatos.Ainda recomenda “o negro sujo a voltar para Bahia” sob pena de apanhar e de aparecer “um quilo de maconha” em poder do acadêmico – referindo-se à possibilidade de um policial plantar provas para que ele fosse preso por tráfico de entorpecentes.

Para amedrontar professores, um bilhete, postado em Pelotas, no último dia 16, foi endereçado a uma diretora da Unipampa em Jaguarão. O texto, igualmente chulo, ordenava a professora a não se meter na contenda envolvendo Souza e PMs.

– Quando fui comunicada da carta, procurei a Polícia Federal para que providências fossem tomadas – revelou ontem a reitora da Unipampa, Maria Beatriz Luce.

Sentindo-se ameaçado, Souza, numa ação que envolveu a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, deixou Jaguarão. Ontem, o tenente-coronel João Gilberto Fritz, corregedor substituto da BM, anunciou os indiciamentos:

– Não podemos dar detalhes do procedimento da corregedoria, mas ficou constatado que há indícios de crime e de transgressão.

Remanejados para atividades dentro do quartel, os policiais foram afastados do patrulhamento diário, segundo a Brigada Militar.

terça-feira, 29 de março de 2011

PUBLICIDADE NA FARDA DOS POLICIAIS


Deputado quer colocar publicidade em fardas da polícia no Rio de Janeiro - Hanrrikson de Andrade, Especial para o UOL Notícias, No Rio de Janeiro, 29/03/2011 - 10h17

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro votará nesta quarta-feira (30) um projeto de lei que autoriza a veiculação de anúncios publicitários nos uniformes e fardas utilizadas pelas forças policiais do Estado. A proposição é do deputado estadual Wagner Montes (PDT-RJ) e, se aprovada, vai contemplar as polícias Civil, Militar, oficiais do Corpo de Bombeiros e agentes do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe). O servidor que utilizar a roupa patrocinada receberia meio salário mínimo (R$ 272,5) a mais.

"Diante da impossibilidade financeira do Estado em conceder melhoria salarial digna aos membros dos órgãos de segurança e da necessidade de que ela ocorra, apresento esta proposição que permitirá que empresas tenham sua logomarca aplicada nos uniformes/fardamento dos órgãos de segurança, e em contrapartida participarão com verba que irá diretamente para os servidores", argumenta o deputado no texto do projeto.

Montes explica que as empresas interessadas poderiam adotar uma ou mais unidades de cada órgão de segurança. Cada unidade policial teria um anunciante específico e o valor do patrocínio seria calculado da seguinte forma: meio salário mínimo regional multiplicado pelo número de servidores de um determinado batalhão ou delegacia. A verba complementaria o salário do servidor de forma integral e constaria nos respectivos contracheques.

De acordo com o projeto de lei, somente "empresas que em sua atividade fim coadunem com o bem-estar da sociedade fluminense" teriam direito a estampar suas marcas nos uniformes e fardas. Em caso de operações conjuntas, considerando a possibilidade de um patrocinador específico para cada unidade policial, ocorreria uma situação inusitada: a exibição de várias marcas.

A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro ainda não se manifestou a respeito da proposta.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É UMA VERGONHA MUNDIAL! IMAGINE OS POLICIAIS ESTADUAIS ANDANDO ESTAMPADO NOS SEUS UNIFORMES, JUNTO COM O DISTINTIVO DA CORPORAÇÃO E DO ESTADO, COM LOGON DE EMPRESAS DE BEBIDA ALCOÓLICA, CIGARROS, RADAR VEICULAR, SEGURANÇA PRIVADA, COMÉRCIO EXTERIOR, LIMPEZA, EXPLOSIVOS, CONFETES E SERPENTINA, ETC...

A argumentação do político de que se fundamenta na "impossibilidade financeira do Estado em conceder melhoria salarial digna aos membros dos órgãos de segurança e da necessidade de que ela ocorra", demonstra total desprezo para com a sociedade na medida que relaxa na questões e demandas de ordem pública, negligencia a vida e o patrimônio dos seus eleitores lapidado pela bandidagem, e esquece seus deveres para com o seu Estado. Ao propor entregar recursos públicos policiais para a iniciativa privada como forma de barganha para não pagar o que valem estes profissionais altamente qualificados numa área de primeira necessidade humana e social, esquece o político da importância e significado do seu mandato legislativo no interesse público, do direito e da cidadania.

PROPONHO OUTRA SOLUÇÃO

Que se pague ao policiais salários condizentes que expressem os perigos, os riscos de morte, a falência de órgãos e movimentos, a imperícia, a incapacidade mental, o enfrentamento de bandidos cruéis e ousados, a letalidade das armas de guerra, o retrabalho inútil, a radicalidade dos conflitos, os fatores emocionais e físicos nas mediações e as consequências nocivas no ambiente organizacional, social e familiar.

Em contra-partida, pedir aos "nobres representantes do povo" o mesmo zelo para com os escassos cofres públicos, permitindo a redução de salários, verbas, emendas e orçamento destinados aos parlamentares e ao parlamento estadual. Se o dinheiro for pouco, a solução pode ser a proposta semelhante à destinada aos policiais, a dos "representantes do povo" colocarem um jaleco, ou nos ternos, a estampa dos patrocinadores mais preocupados em fazer lobby para seus próprios interesses do contribuir para solucionar as questões e demandas da nação onde vivem.

BICO OFICIAL - OPERAÇÃO DELEGADA PODE DESVIAR 3.500 PMs DA DEDICAÇÃO EXCLUSIVA


Operação Delegada alcança toda SP e 3.500 PMs poderão fazer ''bico oficial''. Ampliação para as 31 subprefeituras e acréscimo de 1/3 no efetivo ocorre em abril; ação já permitiu retirada de 15 mil camelôs das ruas - 29 de março de 2011 - Paulo Saldaña - O Estado de S.Paulo

A Operação Delegada, o "bico oficial" em que policiais militares trabalham para a Prefeitura nas horas vagas, vai ser ampliada para toda a capital paulista. Até o fim de abril, as 31 subprefeituras contarão com PMs para atuar no combate ao comércio ilegal nas ruas. Neste ano, o orçamento já aprovado para a atividade é de R$ 100 milhões - quatro vezes maior do que o de 2010.

A ampliação começa no dia 4 e, de forma gradativa, alcançará as 17 subprefeituras que ainda não contavam com a parceria entre Município e o governo do Estado. A cidade ainda vai receber mais 850 policiais militares nessa nova fase. Contando os que já atuam na atividade, serão cerca de 3.500 homens empenhados até o mês que vem. "No ano passado, dobramos nossa capacidade de fiscalização para 280 mil sacos de produtos ilegais por ano. Queremos chegar a 300 mil", disse o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Ronaldo Camargo.

A secretaria estima que cerca de 15 mil ambulantes foram banidos das ruas, principalmente na região central, onde o problema era mais grave. "Quase 7 mil vendedores irregulares atuavam na área da Rua 25 de Março (importante centro de comércio popular) na época do Natal. Neste ano, esse movimento foi praticamente nulo."

Desde 2005, a Prefeitura restringiu significativamente o número de autorizações para vendedores ambulantes. Hoje, o Município não emite novos Termos de Permissão de Uso (TPU) e revogou cerca de 4 mil nos últimos quatro anos. Os vendedores ambulantes se queixam. "Eles dizem que a gente é ilegal, mas não dão opção de legalidade. A Prefeitura não dá alternativa", diz Jomh Wallis, presidente da Comissão Organizadora Trabalhadora Ambulante (Cotasp), que reúne 2,5 mil ambulantes.

A operação foi iniciada em 2 de dezembro de 2009. Cerca de 250 policiais militares, divididos em três turnos, começaram a patrulhar a região da 25 de Março. Naquele ano, o "bico oficial" estava só em três subprefeituras: Sé, Mooca e Santo Amaro. No ano passado, outras 11 receberam o mesmo esquema.

Com a expansão do convênio, agora em abril, a Subprefeitura da Penha contará com fiscalização também ambiental. No fim de 2009, a Prefeitura já havia acordado com a PM para combater invasões que ocorram em áreas de proteção ambiental ou de risco na região da várzea do Tietê, especialmente em áreas da Subprefeitura de São Miguel.

Criminalidade. A operação é vista com entusiasmo tanto pela Prefeitura quando por governo do Estado e Polícia Militar. Além de praticamente extinguir o comércio ambulante, visto como um problema paulistano histórico, a presença de mais policiais na cidade tem refletido nos índices de criminalidade. Segundo o comando da PM, nas áreas onde existe a operação, os roubos em geral diminuíram 59%. Os furtos caíram 20% e houve diminuição de 29% no furto de veículos.

O bico oficial também é visto como uma ótima opção para os policiais. Por mês, os PMs podem trabalhar até 96 horas na atividade. A remuneração, paga pela Prefeitura, pode chegar a cerca de R$ 1.600 por mês. Além do aumento na renda, o policial evita fazer "bico" fora da corporação. A Prefeitura ainda não descarta aumentar o número de policiais na atividade. Nos próximos três meses, isso será avaliado.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É mais uma prova do amadorismo da política policial brasileira. Ao invés de pagar salários dignos para uma dedicação exclusiva e inteiramente à defesa do cidadão, preferem o "canto da sereia" por miseráveis "abonos" para sacrificar a segurança, a folga, o lazer, o treinamento particular e os momentos felizes dos agentes públicos com seus familiares. Desprezam a importância e essência das múltiplas atividades exercidas por estes agentes públicos que diariamente enfrentam situação de morte, conflitos, emoções e descontrole. Ao invés de visar o combate ao crime, os governantes preferem desviar os policiais de suas finalidades de interesse público, descuidando da paz social e da vida e patrimônio do cidadão. O reflexo desta política destrutiva virão com aumento dos problemas de saúde mental, física e psicológica estimulados pela sobrecarga de trabalho, aliciamento pelo privado, desmotivação pelo dever, intolerância, vícios, estresse, desestruturação familiar, violência e até o suicídio. O futuro verá.

BICO É CRIME, LEGALIZADO OU NÃO, POIS, PARA ATENDER INTERESSE ESCUSOS E FALACIOSOS, SACRIFICA A DEFESA DO CIDADÃO DESVIANDO RECURSOS PÚBLICOS DA PRESERVAÇÃO DA ORDEM PÚBLICA E DA INCOLUMIDADE DAS PESSOAS E DO PATRIMÔNIO.

QUEM DEFENDE O "BICO" DESPREZA A CONDIÇÃO HUMANA DO AGENTE POLICIAL E AS DEMANDAS DAS SOCIEDADE POR PAZ SOCIAL.


PAGUE O QUE VALE A VIDA E O ESFORÇO DOS POLICIAIS, E A SOCIEDADE SAIRÁ GANHANDO.

MILÍCIA EM JAGUARÃO/RS

Segurança Pública teria conhecimento sobre suposta milícia em Jaguarão há três meses. Ministra da Igualdade Racial discute com Tarso Genro racismo em abordagens da BM - CORREIO DO POVO/RS - 29/03/2011

A suspeita da existência de uma milícia de policiais militares em Jaguarão, no Sul do Estado, teria sido informada ao secretário estadual de Segurança Pública, Airton Michels, no início do governo, há três meses. Uma sindicância na Corregedoria da Brigada Militar foi aberta e o Ministério Público da cidade, acionado. A atuação da suposta milícia veio a público após a denúncia do estudante de História da Unipampa, o baiano Helder Santos, 25 anos. Ele afirma ter sido agredido por policiais em 5 de fevereiro.

Uma correspondência foi enviada por alguém que se dizia soldado da Brigada Militar (BM) informando sobre a milícia. Airton Michels afirma que a situação preocupa, em especial porque Jaguarão é área de fronteira, local comum de tráfico internacional de drogas e armas.

A ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, se reunirá nesta terça-feira com o governador Tarso Genro para discutir formas efetivas de barrar práticas abusivas das forças policiais contra a comunidade negra. Nesta manhã, ela teve um encontro com o vice-governador, Beto Grill. Ele afirma, no entanto, que é difícil que o Estado consiga evitar esse tipo de situação, por se tratar da conduta individual de cada servidor.

Entre os casos discutidos, estão o racismo praticado contra Helder Santos, bem como a morte do boxeador Tairone Silva em Osório pelo policial militar Alexandre Camargo Abe, no início deste mês, e as denúncias de tortura a um jovem do Quilombo Silva em agosto do ano passado.

Helder continua na Capital, aguardando que o Ministério da Educação transfira sua matrícula da Unipampa para a Universidade Federal do Recôncavo Bahiano. A situação comoveu uma moradora da Região Metropolitana de Porto Alegre. Ela procurou a TV Record oferecendo estadia na casa onde vive com a filha ao rapaz. A agente administrativa, de 62 anos, diz que não faltará apoio ao jovem, caso ele aceite a oferta.

A POLÍCIA CIVIL EM CRISE


A crise aberta na Polícia Civil de São Paulo, por motivos diversos, com consequências muito ruins para a segurança de cada um de nós, faz lembrar um braseiro quando fica encoberto pela cinza: quem olha não tem ideia de como aquilo está quente.

Os policiais civis sentem-se desmoralizados e é nesse clima que estão trabalhando, fazendo lembrar a lamentável e surrada imagem do servidor burocrata limitado pelo cartão de ponto a cumprir o horário de trabalho. É como a se polícia judiciária paulista, essencial à instrução dos processos criminais, passasse a fazer o serviço somente por obrigação, sem nenhuma vontade. Percebe-se claramente que a classe caminha para um apagão.

Na raiz dos descontentamentos, entre outros assuntos, está um decreto do então governador José Serra, de 2009, que transferiu a Corregedoria-Geral da Polícia Civil, há décadas subordinada ao delegado-geral, para o gabinete do secretário de Segurança Pública, diretamente ligado e obediente ao governador.

Os delegados ainda não conseguiram deglutir a mudança. Inconformados, levaram o problema à Assembleia Legislativa, por meio de uma proposta de decreto legislativo que susta os efeitos desse mesmo decreto de transferência da Corregedoria-Geral para o gabinete do secretário de Segurança.

O decreto é instrumento legal que exprime ato de vontade do Executivo e não é nada corriqueiro o Legislativo produzir alterações que criem choques políticos entre os dois Poderes. Essa a novidade. Com o reinício das atividades da Assembleia Legislativa, a alteração será apreciada.

O defensor dos delegados e redator da proposta é o deputado Campos Machado, presidente do PTB, parlamentar bastante experiente e com influência entre os colegas. Para onde ele se inclina, costuma conduzir à aprovação ou rejeição da lei em exame. Apesar de manter expressiva ligação com o governador Geraldo Alckmin, ele assumiu a defesa dos delegados e está muito empenhado em aprová-la.

Na exposição de motivos, argumenta que a Corregedoria-Geral da Polícia Civil deve estar permanentemente dentro da estrutura da Delegacia-Geral, por sua essência de auxiliar do chefe maior de polícia e pela autonomia, que seria necessária.

A importância da Corregedoria sempre foi reconhecida no organograma da Polícia Civil, com sua subordinação ao delegado-geral. A modificação dessa competência foi entendida pelos delegados como capitis diminutio, ou seja, uma redução de sua competência, sem que ato igual também alcançasse a Polícia Militar, cuja Corregedoria continua subordinada ao Comando-Geral.

Para quem acompanha há décadas as divergências e competições das duas polícias paulistas, o mal-estar entre ambas não vem a ser novidade. No caso presente, a subordinação da Corregedoria da Polícia Civil diretamente ao secretário de Segurança Pública estaria, de fato, rompendo o equilíbrio que sempre houve entre as Polícias Civil e Militar. Uma delas, a Civil, ficou diretamente subordinada ao secretário de Segurança, que não é delegado, enquanto a outra se mantém subordinada a um coronel militar.

Um dos motivos que contribuíram para a apresentação do decreto legislativo referido - talvez a gota d"água - foi a cena, exposta pelas televisões e pelo noticiário dos jornais, em que uma escrivã de polícia teve as roupas íntimas arrancada por policiais, para revista, na presença de integrantes da Corregedoria. Isso dentro de uma delegacia. Em vez do habitual uso de mulheres para a revista, tudo foi feito por homens, ao mesmo tempo que a policial esperneava e pedia, pelo amor de Deus, que permitissem a realização da tarefa por outra mulher.

O assunto não é novo, mas parece ter ficado encoberto no gabinete do secretário de Segurança. Quando se tornou público, houve mobilização silenciosa de delegados para que o organograma da Polícia Civil voltasse ao que era antes. Porta-voz desse descontentamento, o mesmo deputado Campos Machado dirigiu requerimento ao secretário de Segurança Pública pedindo explicações e perguntando se os integrantes da Corregedoria nesse episódio pertencem efetivamente àquele órgão e se houve orientação para que assim agissem.

Enfim, a crise está aberta. O desgaste e o esperneio silencioso dos delegados de polícia ocorrem num momento em que o próprio Ministério Público investe contra eles. Realmente, recente edição da revista Dialógico, órgão dos promotores de Justiça, cuidou preferencialmente da necessidade de exercer controle externo sobre a atividade policial.

Ao argumento de que a Constituição federal incumbiu o Ministério Público de controlar essa atividade, os promotores de Justiça defendem um controle externo que sob o ângulo de análise dos delegados significaria praticamente uma subordinação, ou seja, como se realizassem os inquéritos não para o Judiciário, mas tão somente para o Ministério Público.

É claro que esse ambiente não ajuda nem um pouco o andamento das ações penais. As convicções externadas pelos promotores de Justiça estão expressas em órgão de classe, dirigidas ao público interno, e por isso é compreensível que transmitam suas convicções.

Mas, ao dizer que as requisições de inquérito devem ser privativas somente deles e que nem mesmo os juízes de Direito teriam competência legal para isso, certamente não agradaram a todos. Nenhum juiz perdeu o sono por causa disso, mas os delegados ficaram feridos, sobretudo por estarem enfrentando um momento difícil, de humilhação.

Sobretudo por receberem os mais baixos vencimentos do Brasil, quatro vezes menos do que recebem os promotores, a chicotada contribuiu para atiçar um pouco mais a fogueira dos descontentamentos.

ALOÍSIO DE TOLEDO CÉSAR, DESEMBARGADOR APOSENTADO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO. O ESTADO DE SÃO PAULO, 29/03/2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

A SUPERINTENDENTE DO PARANÁ ASSUME A DIREÇÃO INTERINA DA PRF

Diretor geral da PRF pede demissão; Ministério da Justiça cria sindicância - 28/03/2011 às 18h33m - Agência Brasil, Jornal Hoje - O GLOBO

SÃO PAULO - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou nesta segunda-feira a abertura de uma sindicância para apurar a falta de fiscalização em rodovias federais, a prática de atos ilícitos por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o mau uso de recursos da corporação, denunciados pelo Fantástico. Em nota, Cardozo afirmou que aceitou o pedido de exoneração do diretor-geral do Departamento de Polícia Rodoviária Federal, Hélio Derenne. No pedido, ele alega "questão de foro íntimo" para o seu desligamento.

A superintendente da PRF no Paraná, Maria Alice Nascimento Souza, foi escolhida para assumir o cargo interinamente. A portaria com a exoneração de Derenne será publicada nesta terça no Diário Oficial da União.

A atuação do ex-superintendente da PRF no Ceará, Ubiratan Roberto de Paula, também será investigada. Ele foi denunciado por pedir "tolerância" na aplicação de multas a parlamentares e autoridades. Ubiratan de Paula também pediu exoneração do cargo, na última quarta-feira.

O coordenador-geral de operações da PRF, inspetor Alvarez de Souza Simões, também foi exonerado do cargo.

- Em reunião com policiais, gravada em vídeo, ele chamou de firula o envio de integrantes da corporação para operação de combate ao crime no Rio de Janeiro - diz a nota.

De acordo com o Ministério da Justiça, as denúncias serão enviadas ao Ministério Público e à Controladoria-Geral da União (CGU). Além disso, dentro de cinco dias úteis, a diretora interina da PRF deverá propor um plano de ação para a instituição.

A Polícia Rodoviária Federal também pediu o fechamento de dois postos de combustíveis na BR-101, em Santa Catarina, onde a venda de cocaína foi flagrada pela reportagem do Fantástico, exibida neste domingo. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a denúncia. Um dos frentistas foi ouvido na manhã desta segunda-feira. Um segundo frentista, que apareceu oferecendo cocaína, foi demitido pelo gerente do posto nesta manhã.

Os repórteres do Fantástico percorreram 9.700 km de estradas e encontraram vários tipos de irregularidades - de prostituição a cobrança de propina. O coordenador geral de operações da Polícia Rodoviária Federal foi exonerado depois que uma gravação mostrou uma palestra dele a policiais, na qual afirmava que algumas operações são "firulas". Ele tentou dizer que "firula" era o nome da operação. Em Fortaleza, o superintendente da PRF Ubiratan Roberto de Paula pediu demissão na última quarta-feira, antes de a reportagem ir ao ar, depois que foi procurado para dar explicações. Em uma gravação, ele pedia a policiais rodoviários que tivessem "bom senso" antes de multar políticos e empresários.

Num dos postos da BR-101, em Itajaí, o frentista ofereceu cocaína à equipe:

- Quer pó? - pergunta o frentista.
- Tem pó? Cocaína, né? - pergunta o repórter.
- É - diz o frentista.

Em Itajaí, fica um dos maiores portos do país, o que explica a grande quantidade de caminhoneiros na região. Em outro posto na BR-101 a droga é vendida por cartão de crédito:

- Deixa eu ver. De quanto que é esse? - pergunta o repórter.
- R$ 50 - diz o frentista.
- R$ 50? Eu vou passar ali, tirar um dinheiro do caixa eletrônico - diz o repórter.

Quando a equipe ia embora, o frentista insiste:

- Não quer passar aqui no posto? Que cartão que é? - pergunta.

FALTAM POLICIAIS NAS RODOVIAS FEDERAIS DO RS

Sindicato PRF do RS denuncia falta de policiais no Estado.



Isto que o Sindicato de PRF denuncia pode ser comprovado diariamente por quem trafega nas rodovias federais brasileiras. Apesar de bem pagos e com viaturas novas, agentes policiais em número insuficiente têm responsabilidade de policiar longas, extensas e perigosas rodovias federais. As blitz são reduzidas e a insegurança dos agentes é constante pela dificuldade do apoio entre os departamentos, sempre distantes uns dos outros. Além disto, a PRF, por ser uma corporação da União, deve sofrer com a falta de ligações e informações com as polícias estaduais, dependendo mais da polícia federal.

Por ser uma polícia ostensiva bem paga voltado ao trânsito e que está ocupando um espaço de responsabilidade da polícia estadual, violando princípios federativos da autonomia territorial, acredito que a PRF está sendo muito mal empregada.

Defendo a transformação da PRF em Polícia Nacional de Fronteira, remanejando seus recursos e capacidades para as linhas de fronteiras, hoje abertas ao tráfico de armas, drogas, pessoas e animais, além do contrabando, descaminho e passagem de valores não declarados. As rodovias federais passariam para o controle e fiscalização das polícias estaduais, em especial para o segmento rodoviário da Polícia Militar do Estado, melhorando a capacidade operativa, as ligações, as informações, a prevenção e a repressão dos crimes e infrações.

Nas linhas de fronteiras, os agentes da PRF poderiam controlar, fiscalizar e executar o patrulhamento permanente (algo ausente nos dias de hoje) como agentes de fronteira, recebendo o apoio imediato da PF e das Forças Armadas por se tratar de área de responsabilidade da União, contribuindo para solucionar um dos maiores problemas de ordem pública enfrentados pelo Brasil e uma dar maiores aberrações do nosso regime federativo de República.

Quanto aos casos de corrupção, omissões, prevaricações, ausência e descaso, estes podem ser sanados com a mudança de finalidade, atribuição, recrutamento, formação, treinamento, controle e corregedoria com expulsão imediata e exemplar daqueles que forem flagrados em crimes e que não merecerem integrar uma corporação essencial e de elite nas fronteiras e para o sistema de preservação da ordem pública.

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NO LADO DO CRIME - PM TEMPORÁRIO CONFESSA ROUBO DE FUZIL DO EXÉRCITO

NO LADO DO CRIME. PM confessa roubo de fuzil do Exército - ZERO HORA 28/03/2011

Em depoimento à Polícia Civil, o policial militar temporário Wilian Vendruscolo de Cordova, 22 anos, admitiu, no sábado, que ele e seus três comparsas (dois deles também da Brigada Militar) roubaram o fuzil 7.62 da 13ª Companhia Depósito de Armamento e Munição do Exército, em Itaara, na Região Central, no dia 2 de março. O quarteto foi preso na sexta-feira após assaltar uma agência do Sicredi no distrito de Val de Serra, em Júlio de Castilhos, também na Região Central. A arma estava com o grupo.

Conforme o delegado Gabriel Gonzales Zanella, Cordova disse que o grupo planejava o assalto a um banco desde dezembro. Segundo Zanella, o PM contou que, diante da dificuldade do bando em conseguir uma arma de grosso calibre, eles resolveram roubar o fuzil da 13ª Companhia, onde os quatro serviram.

– A ação não aconteceu do dia para a noite. Eles chegaram a sondar bancos de São Sepé e Formigueiro (para assaltar) – conta Zanella.

Na fuga, na sexta-feira, o quarteto trocou tiros com os policiais. Willian foi baleado, atendido no Hospital Universitário de Santa Maria e recebeu alta no sábado. Ele e os soldados do Batalhão de Operações Especiais (BOE) de Porto Alegre Hugo Guilherme Cafieira Rodrigues, 22 anos, e Diego Antunes Soares, 27 anos, estão presos no Batalhão de Polícia de Guarda de Porto Alegre. O outro preso após o assalto, Paulo Roberto Severo do Nascimento, 24 anos, está no presídio de Júlio de Castilhos.

A Justiça concedeu a prisão preventiva dos quatro. Os PMs, agora, serão alvo de um Inquérito Policial-Militar (IPM) e depois de um processo administrativo disciplinar. Se forem expulsos da BM, responderão pelos crimes na Justiça comum.

RODOVIAS - DROGAS, PROSTITUIÇÃO, CORRUPÇÃO E FIRULAS

Cocaína é comprada com cartão de crédito na beira de estradas do país. Fantástico percorreu 9,7 mil quilômetros, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, dentro de um caminhão. E flagrou imagens de prostituição, corrupção de policiais e tráfico de drogas. FANTÁSTICO, REDE GLOBO, 28/03/2011

Durante três semanas, a equipe do Fantástico cruzou o Brasil na boleia de um caminhão! Foram quase dez mil quilômetros, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte. Flagramos de tudo! Barbeiragens terríveis, venda livre de drogas, corrupção policial e saques em caminhões acidentados. A reportagem mostra uma viagem por estradas que são terras de ninguém.

É uma barbeiragem atrás da outra. Os acidentes se multiplicam. Em Minas Gerais, a carga é saqueada na frente da equipe do Fantástico.

Para registrar flagrantes como os mostrados em vídeo, o Fantástico percorreu 9,7 mil quilômetros, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, dentro de um caminhão. Uma das constatações mais graves: drogas são vendidas livremente, na beira da estrada, e em postos de gasolina.

Cocaína tem até no cartão de crédito! O Fantástico revela também as falhas da fiscalização. E o que chegaram a dizer, em reuniões fechadas, duas autoridades que deveriam zelar pela segurança nas estradas. Tem até pedido pra aliviar multas de políticos.

Cocaína paga com cartão

São Paulo é o ponto de partida dessa reportagem especial. Viajamos num caminhão vazio, sem carga. Um produtor do Fantástico simula ser o ajudante do motorista. Outra parte da equipe vai num carro.

Perto do maior terminal de cargas da Grande São Paulo, na rodovia Fernão Dias, em Guarulhos, prostitutas se oferecem no meio da rua em troca de droga.

“Dá um dinheirinho pra gente pegar um pó pra gente acordar de verdade. Vocês não se arrependem, não”, diz uma mulher.

De repente, um homem aparece. Ele não diz quem é. Mas o tom é de ameaça. “Quero saber o que está acontecendo aqui”, afirma . A conversa tem que ser mais discreta. “Policiais estão por perto”, diz ele.

Nossa equipe vai embora logo depois. Em três semanas, passamos por estradas federais de 11 estados.

De São Paulo, fomos até Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, fronteira com Argentina e Uruguai.
De lá, seguimos para o extremo oposto do Brasil - Natal, Rio Grande do Norte. De lá, voltamos para a capital paulista.

Geralmente, quem oferece drogas são os funcionários dos postos de combustíveis.

Em um da BR-101, em Itajaí, Santa Catarina o frentista quer vender cocaína.

Frentista : Quer pó?
Repórter: Tem pó? cocaína, né?
Frentista: É

O frentista diz que, depois do serviço, vai se encontrar com traficantes e que três caminhoneiros já encomendaram. Nosso produtor simula interesse.

Produtor: Tu leva onde eu estou?
Frentista: Onde que você vai estar?
Produtor: Naquele posto mais para trás.
Frentista: É para ali mesmo que eu vou entregar para os caras. Tem 3 me esperando.

O frentista ficou de levar a cocaína para outro posto. A equipe do Fantástico não vai comprar a droga. Só quer saber se ele vai cumprir com o combinado. À meia-noite, o frentista aparece, como havia prometido.

Em Itajaí, fica um dos maiores portos do país - o que explica a grande quantidade de caminhoneiros na região.

Fomos a outro posto de combustível - ainda na BR-101. Não demora muito e a cocaína aparece.

Repórter: Deixa eu ver. De quanto que é esse?
Frentista: R$ 50.
Repórter: R$ 50? Eu vou passar ali, tirar um dinheiro do caixa eletrônico.

Quando já íamos embora, o frentista insiste. É naquele posto de Itajaí onde se vende cocaína no cartão de crédito.

Frentista: Não quer passar aqui no posto? Que cartão que é?

Durante o dia, logo cedo, voltamos ao posto e encontramos o mesmo frentista vendendo cocaína.

Repórter: A qualquer hora do dia que eu venho aqui, eu posso pegar cocaína?
Frentista: Pode. Só chegar aí.
Repórter: Eu posso passar o cartão ali dentro?
Frentista: É. Eu peço pra passar ali.

Prostituição em Uruguaiana (RS)
Chegamos a Uruguaiana, fronteira com a Argentina. Na cidade gaúcha, fica o maior porto seco da América Latina. No imenso terminal de cargas, há caminhoneiros de todo o Brasil.

Quando anoitece, as casas de prostituição lotam. Contamos mais de 50. Há garotas de programa que aparentam ser menores. Mas, quando perguntamos a idade, a resposta é a mesma: 18 anos.

Segundo o Ministério Público, até uma menina de 11 anos já foi encontrada no local fazendo programas. As menores costumam ficar em locais escondidos - diz um caminhoneiro.

Repórter: Eu encontro umas novinhas pra lá? Umas de 15, 16 anos?
Caminhoneiro: Encontra. Lá, no terminal. Só que eles não te conhecem.
Repórter: Não vão apresentar assim?
Caminhoneiro: Ah, não vão, não vão.

Na região, também há muita oferta de droga, como cocaína.

Com cinco anos de profissão, um caminhoneiro tenta largar a cocaína e se internou numa clínica. “Em todo lugar, você acha. Fora a prostituição. Aí, vêm os amigos: ’pô, dá um tirinho pra tu trabalhar mais um dia’. Depois que eu comecei, eu não parei mais”, lamenta.

Há 10 anos, o médico Anthony Wong desenvolve um trabalho de controle de uso de drogas em mais de 200 empresas.“A área de transporte é a área mais crítica. É onde o caminhoneiro está sob stress ou sob intensa pressão”, diz o toxicologista.

O laboratório dele faz mais de três mil testes de urina por mês.

“Do ano passado para cá, nós detectemos que a primeira droga a ser utilizada é justamente a cocaína. A imensa maioria dos acidentes hoje não são mais devido às condições da rodovia; 70% por causa de efeitos de substâncias químicas no cérebro, principalmente uso de drogas”, acrescenta o médico.

Drogas na estrada causam acidentes

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, no ano passado foram 7.798 acidentes envolvendo caminhões nas estradas federais. Média de 21 por dia, quase um por hora. Ao todo, 2.885 pessoas se feriram. E 317 morreram só nos acidentes com caminhões.

Na BR-476, perto de União da Vitória, no Paraná, um acidente acaba de acontecer.
“Eu vinha descendo, aí derrapou na pista, aí segurei no freio e começou a derrapar. Aí, não consegui segurar mais”, afirmou Arlindomar Nunes, caminhoneiro que provocou o acidente.

O caminhoneiro - que tem 25 anos de profissão e não aparentava ter usado drogas - invadiu a pista contrária e bateu de frente numa carreta. Um outro caminhão e um ônibus não conseguiram frear.

O ônibus, com 15 passageiros, tombou. Quinze minutos depois, o resgate chega.

Em três semanas de viagem, a rodovia onde mais flagramos acidentes foi a Fernão Dias, principal ligação entre São Paulo e Minas Gerais.

Perto de Belo Horizonte, há um congestionamento. O resgate segue em alta velocidade. É um acidente com um caminhão. Flagramos o momento exato em que uma carga de sucos é saqueada. As pessoas se arriscam para atravessar a pista.

“São três bombeiros só e essa multidão saqueando. Não tem como fazer nada”, diz o Cabo Vanderlei José de Araújo, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

A Polícia Rodoviária Federal ainda não tinha chegado ao local. O Fantástico teve que deixar o local e alguns saqueadores ameaçaram a nossa equipe.

Anoitece. Prostitutas cercam o nosso caminhão, na BR-381, perto de Ipatinga, em Minas.

Três, que aparentam ser menores, puxam conversa com o nosso produtor que simula ser ajudante de caminhoneiro.

Repórter: Quanto que é o programa?
Prostituta: R$ 10.

Uma das jovens vende pedras de crack por R$ 10 e diz que muitos caminhoneiros compram na no local. Um caminhoneiro diz que já usou cocaína e crack. Agora, se recupera numa clínica.

“Adrenalina alta, vontade de usar mais e chegar no objetivo em pouquíssimo tempo. São Paulo-Rio, numa viagem de seis horas, fazia em 3 horas e 20 minutos. Só parava no posto para comprar mais droga”, assume um caminhoneiro, sem se identificar.

Drogado, ele já provocou um acidente grave. Não houve mortes, mas foi por pouco.

“Eu entrei num pânico, que eu estava sendo perseguido por alguém. Poderia ter matado uma família inocente”, reconhece o motorista.

“Vem um caminhão e o motorista drogado vê duplicidade nesse caminhão. Ele não sabe qual é o caminhão real e o virtual. Além disso, ele vai ter em determinado momento uma alucinação. Ele vai ver um bicho, uma pessoa que não está presente”, diz Dirceu Alves Junior, da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego.

Também flagramos a venda de crack na BR-101, perto de Maceió, Alagoas. Ao lado do traficante, várias crianças.

Desde 2008 - em parceria com a Polícia Rodoviária Federal - a faculdade de medicina da USP faz pesquisas sobre uso de drogas por motoristas de caminhão. Nessa pesquisa, feita com caminhoneiros na estrada, a droga mais consumida ainda é a anfetamina - chamada de rebite ou arrebite.

“Elas são estimulantes do sistema nervoso central. A pessoa fica mais alerta. Ela acha que ela pode fazer o que ela quiser no trânsito”, diz a professora Vilma Leiton, da Faculdade de Medicina da USP.

Anfetamina vendida pelo telefone

Durante nossa viagem de quase 10 mil quilômetros, sempre nos ofereceram o mesmo arrebite: o Desobesi, medicamento de venda controlada, inibidor de apetite.

Em um posto, na BR-116, em Campina Grande do Sul, Paraná, a anfetamina é vendida na farmácia, sem receita.

Funcionário da farmácia: R$ 25 a cartela.
Repórter: R$ 25? Posso ver? Quantos vêm?
Funcionário da farmácia: 15

Existe até disque-entrega de arrebite. Funciona em um posto da BR-116, na cidade de Poções, Bahia.

Frentista: Eu ligo pra minha mulher mandar o mototáxi trazer.
Repórter: É longe?
Frentista: Não, é rapidinho. Uns 5 minutos já está aqui.

Para o Fantástico tentar flagrar a negociação, a gente simulou que o nosso carro quebrou.
Não demora muito e comprovamos: o disque-arrebite funciona.

Em um posto de gasolina na BR-381, em Campanha, Minas, compra-se anfetamina no Posto Alvorada no cartão de crédito, e sem receita médica. O funcionário ainda faz uma recomendação: “Você toma um. Depois de umas três horas, começa a dar o sono de novo, toma outro”.

“Teve um motorista que tomou tanta anfetamina e viu tanta bruxa no meio da estrada, que a carga dele que era de televisores, quebrou toda”, contou Vilma Leiton, professora da faculdade de Medicina da USP.

“É a lei da sobrevivência. Os horários e as premiações fornecidas pelas empresas que contratam os caminhoneiros estão obrigando eles a recorrer a esses entorpecentes para poder cumprir esses compromissos”, diz o presidente da Federação Nacional de Caminhoneiros Autônomos, Diumar Bueno.

Sobre a jornada de trabalho, os empresários têm uma proposta.

“A empresa séria não está explorando ninguém. O motorista dirige oito horas durante o dia, podendo chegar até dez horas. Ele teria que ter dez horas de descanso intrajornada. E, a cada quatro horas dirigida, ele teria que obrigatoriamente parar 30 minutos para um descanso”, destaca o diretor da Confederação Nacional do Transporte, Flávio Benatti.

No Nordeste, encontramos cenas de miséria. Em Rio Tinto, Paraíba, um lixão é a fonte de renda de crianças e idosos.

Um menino diz que não dá tempo de brigar. Em brejões, Bahia, famílias reclamam da fome. Ana Maria de Jesus, de 88 anos, diz que os motoristas têm ajudado muito.

Mesmo passando por 11 estados, durante três semanas, nosso caminhão foi parado uma única vez. Foi no posto da Polícia Rodoviária Federal da BR-290, a 50 quilômetros de Porto Alegre.

O policial apenas olha o documento. E nem verifica se o caminhão está carregado.

O carro em que viaja parte da nossa equipe também foi parado uma só vez, em um posto da Polícia Rodoviária Estadual, na via costeira, em Natal, Rio Grande do Norte. O PM fala que seremos multados por causa dos vidros escuros. Sem saber que se trata de uma reportagem, o policial pede ao nosso motorista que o acompanhe.

Policial: São de onde?
Repórter: De São Paulo. Eu sou turista.

Dentro do posto, ele pede propina.

Policial: Vou dar um jeito aqui para quebrar seu galho, entendeu?
Repórter: Tá bom.
Policial: Você desenrola ai?
Repórter: Quanto que é o café? R$ 15 tá bom?
Policial: Tá.

O policial coloca o dinheiro no bolso. O Fantástico vai encaminhar a denúncia às autoridades do Rio Grande do Norte.

“Ele vai ter o direito da ampla defesa e do contraditório e no final, será dado o veredito pelo comando da corporação”, disse o comandante geral da PM no Rio Grande do Norte, o Coronel Francisco Araújo.

Cúpula da Polícia Rodoviária comprometida

E como agem alguns dos integrantes da cúpula da Polícia Rodoviária Federal? O Fantástico obteve gravações de duas reuniões.

Uma, com o coordenador geral de operações, Alvarez Simões; e outra, em áudio, com o superintendente do Ceará, Ubiratan Roberto de Paula.

Para cerca de 30 policiais, em 2006, o superintendente do Ceará fala de um deputado federal, que teve o carro apreendido e ficou furioso. Ele não revela o nome do político. “Isso vai repercutir lá dentro do Congresso Nacional”, diz na gravação.

Ubiratan Roberto de Paula pede aos colegas uma tolerância especial antes de multar políticos e empresários, chamados de parceiros.“Um parceiro. O que é isso? Você ter uma tolerância. Eu estou pedindo pra vocês tolerarem uma pessoa inabilitada? Eu não estou pedindo. Mas que vocês usem o bom senso”, afirmou

Procuramos Ubiratan de Paula quarta-feira passada. No mesmo dia, ele pediu demissão do cargo. Alegou motivo de saúde e disse que jamais solicitou a qualquer policial que não aplicasse multa.

Alvarez Simões, do primeiro escalão da Policia Rodoviária Federal. O coordenador geral de operações fala em uma reunião só com policiais, em novembro passado (veja no vídeo).Entre os assuntos, o envio de policiais rodoviários para ajudar no combate a criminosos e na ocupação do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro.

“A gente vive dessa imagem, dessa imagem que, quem é especialista sabe, não resolve. O que resolve é a coisa paulatina, todo dia. Mas, para dar uma resposta para opinião publica, tem que fazer a firula. Então, estamos lá fazendo a firula com todo mundo”, assume.

No dicionário, firula quer dizer rodeio, floreio. Procurado pelo Fantástico, o coordenador geral deu a seguinte explicação.

Alvarez Simões: Firula é um jargão nosso, um jargão interno, que diz respeito a uma atividade diferenciada com maior número de efetivo, que tem como objetivo mostrar uma presença maior. Para que a sociedade sinta essa percepção de estar segura.
Repórter: Não é no sentido pejorativo, então?
Alvarez Simões : De modo algum.

Em nossa viagem, passamos por mais de 70 postos da Polícia Rodoviária Federal. Não vimos ninguém sendo fiscalizado.

Além disso, o Fantástico encontrou três postos em completo abandono. Em um deles, em Terra de Areia, Rio Grande do Sul, a impressão é que as pessoas saíram às pressas, deixando para trás papelada e peças de bafômetros. Aparentemente eram peças novas, abandonadas, jogadas.

“O relato de todos os colegas, Brasil afora, é que a Policia Rodoviária Federal, infelizmente está parada, em virtude da falta de efetivo e a falta de planejamento administrativo”, afirma Tássio Melo da Silveira, presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais.

Em postos de Sergipe, Paraíba e Pernambuco, carros apreendidos - que deveriam ser leiloados - ficam esquecidos nos pátios. Um deles fica em Aracaju.

É impressionante como o mato já tomou conta de todo o local. A direção geral da Polícia Rodoviária Federal não quis gravar entrevista. Escalou para falar o coordenador Alvarez Simões - o mesmo que aparece na gravação falando em firula.

“O efetivo é muito abaixo da demanda. O nosso efetivo hoje gira em torno de nove mil policiais. Qualquer estrada é vulnerável. Os números demonstram essa fiscalização. Diariamente, são mais de 25 mil procedimentos de fiscalização, são mais de 80 toneladas de apreensão de maconha por ano. Mais de 100 toneladas de cocaína”, explica.

A Polícia Rodoviária Federal é subordinada ao Ministério da Justiça. Mostramos para o ministro os flagrantes de venda de drogas e de postos abandonados. Ele também viu as duas gravações obtidas pelo Fantástico.

“A postura que foi aqui vista das autoridades que dirigem este órgão é realmente inaceitável. Abriremos apuração devida através de sindicância e abriremos processos disciplinares para punir autoridades que não se comportam a altura das responsabilidades que a instituição exige”, afirma o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.

Durante essa reportagem, encontramos dezenas de maus exemplos. Já o seu Nilton Clemente Mina diz que nunca se envolveu em acidentes nem usou drogas. Está há 28 anos na estrada e o filho dele já decidiu: vai seguir os passos do pai.

Repórter: Qual a primeira dica que o senhor passou pra ele já?
Caminhoneiro Nilton Clemente Mina: primeiro, ter cuidado. Não adianta botar muita pressão demais e ai depois não aguentar. Aí, acontecem os acidentes.

“Nós não temos uma fiscalização adequada, nós não temos um controle de saúde desses indivíduos”, diz Dirceu Rodrigues Alves Junior, da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego.

“Droga. Isso é a principal causa de acidentes que está matando os nossos motoristas nas estradas”, destaca o toxicologista Anthony Wong.

Neste domingo a assessoria do ministro da Justiça José Eduardo Cardoso informou que Alvarez Simões, o coordenador de operações da Polícia Rodoviária Federal, foi exonerado. Simões apareceu na reportagem dizendo que o envio de policiais rodoviários para ajudar na ocupação do Morro do Alemão, no Rio, teria sido uma firula.


Ache outros vídeos como este em POLICIAIS E BOMBEIROS DO BRASIL - A MAIOR COMUNIDADE DO GENERO

sábado, 26 de março de 2011

PISCA-ALERTA - POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL MOVIMENTOU MAIS DE DOIS MILHÕES

Operação Pisca-Alerta - Operação PF: apenas um policial rodoviário movimentou R$ 2,4 milhões na sua conta bancária - o globo, 25/03/2011 às 13h53m - Antonio Werneck


RIO - Nove policiais rodoviários federais, três deles com postos de comando na Terceira Delegacia Regional da Polícia Rodoviária Federal, em Angra dos Reis, responsável pelo policiamento de mais de cem quilômetros de asfalto na BR-101/Sul (Rio-Santos), já foram presos suspeitos de corrupção em operação deflagrada na madrugada desta sexta-feira por policiais federais do Rio. Apenas um dos policiais rodoviários movimentou cerca de R$ 2,4 milhões na conta corrente em cinco anos. A PF acredita que o dinheiro seria fruto de propina.

A investigação identificou uma rede formada por patrulheiros rodoviários que criavam dificuldades para empresários e motoristas de caminhão para recolher propina. Os pagamentos eram sistemáticos. A BR-101/Sul é estratégica com grande movimentação de veículos e caminhões que deixam o porto de Sepetiba, além de ser o principal acesso ao complexo das usinas nucleares de Angra dos Reis.

Deflagrada por policiais do Rio e de Angra, que investigavam o grupo desde 2009, a Operação Pisca-Alerta é para cumprir dez mandados de prisão (todos policiais rodoviários federais) e 20 de busca e apreensão. Um dos policiais que teve o mandado de prisão expedido foi assassinado durante um suposto assalto na Rodovia Presidente Dutra, na altura de Duque de Caxias.

A investigação começou em 2009 depois que um caminhoneiro, com documentação em dia, teve seu caminhão parado pelos patrulheiros em Angra dos Reis e lá permaneceu por mais de duas horas. Quando foi liberado, procurou a Delegacia da PF em Angra dos Reis, relatando que ficara retido até pagar propina.

Através de nota, a PRF informou que "as prisões ocorridas nesta manhã são fruto de investigações e ações integradas entre a PF e a PRF. Os fatos que geraram as prisões ocorreram em 2009 e 2010".

Em setembro do ano passado, a cúpula da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Rio foi afastada , depois que uma investigação também da Polícia Federal apontou o envolvimento de agentes em um esquema de liberação de veículos em situação irregular apreendidos na Via Dutra. Os dez envolvidos foram denunciados pelo Ministério Público.

A Operação Pisca-Alerta acontece mais de 40 dias depois da Operação Guilhotina, também deflagrada pela PF, que resultou na prisão de cerca de 30 policiais civis e militares suspeitos de envolvimento em diversos crimes e na saída do então chefe da Polícia Civil, delegado Allan Turnowski .

Entre os presos na Operação Guilhotina está o ex-subchefe de Polícia Civil, delegado Carlos Antônio Luiz de Oliveira, suspeito de fazer parte de uma quadrilha ligada ao desvio e venda de armas a traficantes. Ultimamente, ele atuava como subsecretário de Operações da Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop).

As investigações que culminaram na Operação Guilhotina começaram em 2009. Através de escutas autorizadas pela Justiça, os agentes federais descobriram que os policiais em vez de prender, costumavam roubar os próprios traficantes, além de avisá-los sobre as operações da polícia nas comunidades. Pelo menos nove policiais civis e militares foram flagrados saqueando bens, dinheiro e pertences de moradores e traficantes dos Complexos da Penha e do Alemão, recentemente ocupado para a implantação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

PMs ASSALTAM BANCO E ATIRAM CONTRA POLICIAIS


PMs presos após assalto contra banco. Soldados bandidos trocaram tiros com um policial civil que tentou evitar ataque ao Sicredi - JOANNA FERRAZ | Júlio de Castilhos

Ao tentar interceptar criminosos que assaltavam uma agência bancária em Júlio de Castilhos, o policial civil Telmo Pigatto, 31 anos, foi recebido a tiros, ontem. Para a surpresa do agente, os bandidos que trocaram tiros com ele e aterrorizaram o tranquilo distrito de Val de Serra eram “colegas” que, em vez de usar toucas ninja e assaltar bancos, deveriam estar vestindo farda da Brigada Militar. Três policiais militares acabaram presos.

Às 13h, a agência perto da BR-158 foi assaltada por um grupo que usava um fuzil 7.62 roubado do Exército, em Itaara, no início do mês.

O policial civil Pigatto foi quem retardou a fuga dos bandidos. Ele, que trabalha em Palmeira das Missões e mora em Val de Serra, havia passado a noite de plantão e, na hora do assalto, estava chegando em casa após levar o filho de cinco anos à escola. Ao passar em frente à casa do sogro, próximo ao banco, Pigatto diz ter visto três homens descendo de um Palio vermelho, um deles de botina e fardado. Um criminoso teria ficado na porta do banco, enquanto outros dois entraram. Um quarto homem foi fazer a volta com o carro. Enquanto ligava para o 190, Pigatto atirou duas vezes no veículo.

Os bandidos saíram com uma refém e dispararam duas vezes contra o carro de Pigatto, com armamento pesado: uma das balas entrou pelo parabrisa, atravessou o banco e o porta-malas e se alojou numa barra de metal extra que ele colocou no carro.

– Se não fosse essa barra, estaria morto– diz ele.

Os bandidos fugiram levando Ana Paula Salles Cherobini, que estava no caixa. Dentro da agência, estavam ainda o gerente, um cliente e o guarda, obrigados a se deitar no chão. Os ladrões pediram o dinheiro do caixa e do cofre e destruíram computadores.

Refém foi levada pelos policiais assaltantes

Ao chegarem à rua, o carro não estava no local. Eles pegaram um Uno do banco e saíram com a refém nele. Nessa hora, eles avistaram o policial civil e atiraram na direção dele.

– Me apavorei com o tiroteio. Estava abaixada no banco de trás e chorando – relembra a refém.

Durante o tiroteio, o bandido que estava no Palio se aproximou dos assaltantes, levando-os pela BR-158, na direção de Júlio de Castilhos. Policiais militares e agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Civil se mobilizaram.

A quadrilha foi avistada na BR-158. A perseguição seguiu por uma estrada de chão que leva a Nova Palma. No caminho, nova troca de tiros. Em uma curva, na localidade de Santa Terezinha, os assaltantes capotaram o Palio. Três foram levados à Delegacia da Polícia Civil e um, ferido, foi levado ao Hospital Universitário Santa Maria – ele não corre risco de vida. O dinheiro roubado e o fuzil foram recuperados.

Soldados deverão ser expulsos da Brigada

Presos em flagrante por assalto, tentativa de homicídio e porte ilegal de arma, os três policiais militares podem receber, como punição máxima, a expulsão da Brigada Militar.

Wilian Vendruscolo de Cordova, 22 anos, soldado temporário do 1º Regimento de Polícia Montada (1º RPMon) de Santa Maria, Hugo Guilherme Cafieira Rodrigues, 22 anos, e Diego Antunes Soares, 27 anos, ambos soldados do Batalhão de Operações Especiais (BOE) de Porto Alegre, devem ficar presos no Batalhão de Polícia de Guarda de Porto Alegre, à espera da decisão.

Conforme o chefe do Estado Maior do Comando Regional de Policiamento Ostensivo Central, tenente-coronel Wladimir Comassetto, foi aberto um inquérito policial-militar (IPM) para apurar a conduta do trio. Depois, ao final do inquérito, será instalado um procedimento administrativo disciplinar, que pode resultar na expulsão.

– O que aconteceu se trata de uma transgressão grave. A expulsão é considerada nesses casos – afirma Comassetto.

O quarto preso, Paulo Roberto Severo do Nascimento, 24, que não é policial, deve ficar no presídio de Júlio de Castilhos. Agora, a Polícia Civil, a BM e o Exército vão apurar a ligação do quarteto com o roubo de um fuzil 7.62 das Forças Armadas, em 2 de março.

Conforme Comassetto, os quatro serviram na unidade militar de Itaara, de onde o fuzil foi roubado. Ele não soube informar os períodos de serviço e se, eventualmente, houve coincidência entre os períodos de um e de outro.

No dia do roubo em Itaara, três encapuzados renderam um sentinela que estava de serviço. O militar foi agredido e teve um corte na cabeça.

POLICIAIS MILITARES PRESOS

- Wilian Vendruscolo de Cordova, 22 anos – Em maio, completaria três anos de serviço no almoxarifado do 1º Regimento de Polícia Montada (1ºRPMon), em Santa Maria, como soldado temporário. É natural de Tupanciretã;

- Hugo Guilherme Cafieira Rodrigues, 22 anos – Atua como soldado do Batalhão de Operações Especiais (BOE) de Porto Alegre desde outubro de 2009. Mora em Santa Maria;

- Diego Antunes Soares, 27 anos – Atua como soldado do Batalhão de Operações Especiais (BOE) de Porto Alegre desde outubro de 2009. O endereço cadastrado na BM é de Rosário do Sul.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É uma lástima para todos nós desta corporação tradicional e centenária que é a Brigada Militar. Estes bandidos devem ser expulsos exemplarmente e já. É bom que este fato sirva de exemplo para tornar mais eficáz a seleção, o recrutamento, a formação e a escolha dos policiais, especialmente dos integrantes do BOE, além de aumentar a eficácia dos setores de informações da Brigada Militar.

sexta-feira, 25 de março de 2011

POLICIAIS COM NÍVEL SUPERIOR


Pm goiana forma a primeira turma de soldados com nível superior - Fonte: PMGO, Blog CABO HERONIDES - Portal da ABAMF, 22/03/2011.

Aconteceu no último dia, 18, no pátio da Academia da Polícia Militar do Estado de Goiás a formatura de 872 soldados, concluintes do Curso de Formação de praças.

O Governador Marconi Perillo, em seu discurso, reafirmou seu respeito e sua confiança na Polícia Militar goiana, que segundo ele, é uma das melhores polícias militares do Brasil.

A primeira polícia militar do Brasil a exigir nível superior foi a a Polícia Militar do Distrito Federal que já esta no momento com sua segunda turma.

Uma das maiores vantagens que vejo sobre a exigência de nível superior para a polícia militar além da capacidade intelectual para discenimento em situações críticas é aque vai ser raro ou quase impossivel agora uma situação de um jovem de 16/17 anos impetrar mandato de segurança para ingressar na corporação sob alegação de que terá maioridade após o curso de formação. Com essa exigência a idade média dos policias que ingressaram subiram o que se pressupõe mais amadurecimento e maior senso de responsabilidade.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Na minha opinião todo Policial deveria ter formação e graduação superior tendo em vista a gama de conhecimentos especializados técnicos, periciais e práticos em armas, artes marciais e equipamentos de alta tecnologia, além de ter um preparo físico e emocional para lidar em situações adversas, conflitos emocionais e ambientes de risco. Um policial despreparado e incapacitado física-emocionalmente pode facilmente ultrapassar a linha do bem senso, da legalidade e da moralidade. PARABÉNS À PM.

RELATÓRIO DA PC-SP ATRIBUI A PMs 150 ASSASSINATOS


Relatório atribui a PMs 150 assassinatos - Folha Online, 25/03/2011 - 03h30

Relatório da Polícia Civil paulista aponta grupos de extermínio formados por PMs como responsáveis pelo assassinato de 150 pessoas na capital entre 2006 e 2010, informa a reportagem de André Caramante publicada na edição desta sexta-feira da Folha.

Entre as vítimas, 61% não tinham antecedentes criminais. Outras 54 pessoas foram feridas em atentados em que PMs são suspeitos --69% sem passagem pela polícia.

O relatório foi produzido no ano passado e aponta motivações para os assassinatos: 20% por vingança; 13% por abuso de autoridade; 13% pelo que o relatório chama de "limpeza" (assassinato de viciados em drogas, por exemplo); 10% por cobranças ligadas ao tráfico e 5% por cobranças de jogo ilegal; 39% sem razão aparente.

Alguns PMs da lista estão presos. Eles negam os crimes. O Comando-Geral da corporação não se manifestou nem informou exatamente quantos homens já puniu.

A investigação, a cargo do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), aponta dois grupos de extermínio de PMs: um da zona norte, outro da zona leste.

Cerca de 50 PMs são suspeitos de formar e unir os grupos para assumir o controle do tráfico de drogas e explorar jogos de azar.

INTEGRAÇÃO POLICIAL NÃO ACONTECE POR CULPA DA "MESQUINHEZA" DOS POLÍTICOS

SEGURANÇA PÚBLICA. Ministro da Justiça diz que integração das polícias não acontece por 'mesquinheza' dos políticos - Marcelle Ribeiro, O GLOBO, 24/03/2011 às 18h20m

SÃO PAULO - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse na tarde desta quinta-feira, num seminário para discutir a segurança pública realizado na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), que a integração das polícias não acontece por "mesquinheza" dos politicos, que pensam mais em seus interesses eleitorais do que discutir concretamente um melhor desempenho das políticas de segurança.

Na presença de autoridades do Ministério Público, Cardozo afirmou que os políticos até hoje fazem acordos tácitos com o crime organizado, fingindo que ele não existe.

- O primeiro passo seria reconhecer que o crime organizado existe e precisa ser combatido.

O ministro aproveitou a ocasião para fazer duras críticas ao sistema penitenciário, dizendo que ele vive uma "situação grotesca".

Segundo ele os presídios são "verdadeiras escolas de formação de criminosos", onde pessoas que cometeram crimes de menor potencial ofensivo são colocadas com outros criminosos e, sem alternativa ou por serem obrigadas, acabam entrando em organizações criminosas.

- A reinserção social não é uma característica do nosso sistema penal. Temos situações absolutamente grotescas no sistema penitenciário. Se fala que, no mínimo, 60 mil presos estão hoje em delegacias de polícia, que não são lugares adequados para qualquer tipo de aprisionamento. Esse número pode chegar a 80 mil pessoas - disse o ministro.

Cardozo citou como uma das "aberrações" do sistema penitenciário rebeliões no Maranhão em celas superlotadas, em que vários presos foram degolados.

- Isso se repete quase que cotidianamente, lamentavelmente - disse o ministro.

Cardozo afirmou que para resolver este e outros problemas de segurança pública é preciso uma maior integração entre os entes federativos: União, estados e municípios.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - O Ministro precisa falar menos e trabalhar mais. Ficar apenas na retórica apontando as mazelas é chover no molhado e manter a mesma postura passiva e negligente de seus antecessores. A falta de integração não é culpa dos políticos, mas da falta de uma sistema de ordem pública envolvendo todos os instrumentos e processos de coação, justiça e cidadania no combate ao crime, começando por compromissos dos Poderes e alterações estruturais, normativas e salariais no conjunto.

Poderia começar transformando sua pasta em Ministério da Ordem Pública para então elaborar propostas estruturais, ligações ágeis, processos rápidos, fortalecimento das organizações e devido amparo legal às iniciativas contra o crime, a violência e a corrupção. Falar sobre o que já sabemos a séculos não combaterá o crime.

PISCA-ALERTA - ESQUEMA DE AGENTES CORRUPTOS DA PRF

OPERAÇÃO PISCA-ALERTA. PF faz operação para prender policiais rodoviários acusados de corrupção - 25/03/2011 às 09h31m, Antonio Werneck


RIO - Policiais federais deflagraram na manhã desta sexta-feira uma operação em Angra dos Reis, Rio e Itaguaí para reprimir a corrupção de policiais rodoviários federais responsáveis pela fiscalização na BR-101 Sul (Rio-Santos). Cento e vinte agentes estão nas ruas desde as primeiras horas do dia. Até as 9h, uma pessoa já havia sido presa no posto da PRF de Angra dos Reis pela operação batizada como Pisca-Alerta.

Os policiais federais buscam cumprir dez mandados de prisão e 20 de busca e apreensão. Casas e endereços usados pelos suspeitos estão sendo vasculhadas neste momento. Agentes da Corregedoria e do Núcleo de Operações Especiais da Polícia Rodoviária Federal participam da ação.

Em setembro do ano passado, a cúpula da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Rio foi afastada , depois que uma investigação também da Polícia Federal apontou o envolvimento de agentes em um esquema de liberação de veículos em situação irregular apreendidos na Via Dutra. Os dez envolvidos foram denunciados pelo Ministério Público.

A Operação Pisca-Alerta acontece mais de 40 dias depois da Operação Guilhotina, também deflagrada pela PF, que resultou na prisão de cerca de 30 policiais civis e militares suspeitos de envolvimento em diversos crimes e na saída do então chefe da Polícia Civil, delegado Allan Turnowski .

Entre os presos na Operação Guilhotina está o ex-subchefe de Polícia Civil, delegado Carlos Antônio Luiz de Oliveira, suspeito de fazer parte de uma quadrilha ligada ao desvio e venda de armas a traficantes. Ultimamente, ele atuava como subsecretário de Operações da Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop).

As investigações que culminaram na Operação Guilhotina começaram em 2009. Através de escutas autorizadas pela Justiça, os agentes federais descobriram que os policiais em vez de prender, costumavam roubar os próprios traficantes, além de avisá-los sobre as operações da polícia nas comunidades. Pelo menos nove policiais civis e militares foram flagrados saqueando bens, dinheiro e pertences de moradores e traficantes dos Complexos da Penha e do Alemão, recentemente ocupado para a implantação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

DELEGACIAZINHA DE ESQUINA

Estava almoçando em lugar público, acompanhada de colegas, em fraterna conversa, quando, na mesa ao nosso lado, brindada pela minha capacidade conhecida pelos agentes policiais que trabalham comigo como “ouvido de tuberculoso”, peguei apenas o final do papo que se desenvolvia, no qual uma jovem senhora disse às demais pessoas que a acompanhavam “...e aí me disseram para registrar um boletim de ocorrência numa delegaciazinha qualquer de esquina”.

Como conhecia uma das pessoas que estava na mesa de onde partiu o comentário, me inclinei e disse a ele que estávamos ali, nós seis, e os outros quatro na mesa de trás, à disposição para o que fosse necessário.

Feita a colocação para esse conhecido, um antigo parceiro na lide do combate ao crime, e tendo ele observado para a jovem senhora e aos demais circunstantes de sua mesa de que as pessoas ao lado se tratavam de delegados de Polícia, causando com isso uma onda de sorrisos entre amarelos e laranja, passei a refletir sobre o episódio.

“Delegaciazinha qualquer de esquina” é o meu local de trabalho, o qual prezo muito, buscando, como todos os demais colegas da instituição, exercer todos os dias o “para servir e para proteger” que nos galardeia. Lutei para chegar ali, um concurso longo, talvez o mais longo entre as carreiras jurídicas, e gosto do que faço, e muito.

Imagino que, para quem possui prédios suntuosos, contendo móveis de último tipo e ar condicionado central, seja desonroso imaginar-se trabalhando ou sequer entrando em um lugar onde os móveis não combinam entre si e frequentemente os ventiladores que se usam foram trazidos de casa. Local muitas vezes sujo de barro e com cheiro de “asa”, uma afronta aos olhos e aos narizes mais delicados, onde as pessoas falam errado e usam gírias toscas, ferindo ouvidos e causando espanto, mas sendo essa a forma mais rápida de chegar ao âmago da nossa clientela.

Resta, porém, um orgulho a quem trabalha em uma Delegacia de Polícia, mesmo que o local não seja o mais das vezes um primor de arquitetura e conforto ambiental, o de ser ali o início da persecução penal, onde se vive o combate ao crime como realmente ele é: sujo, real, cruento, repleto de lágrimas e de dor... A investigação, os depoimentos, os mandados de ingresso para apreensão de objetos mal havidos, as representações pelas prisões preventivas e temporárias... Depois disso, o crime se torna cada vez mais asséptico, como as pessoas que consideram nossos locais de trabalho meras “delegaciazinhas”.

Talvez se nossos prédios, os nossos salários e os de nossos agentes fossem tão bonitos e substanciosos quanto os de outras classes que andam no mesmo caminho do combate ao crime, as pessoas respeitassem mais a atividade policial, dando-lhe o devido valor e a devida consideração.

Enquanto isso não acontece, seguimos com garra e fé, no amor à camiseta, e que “sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra”.

CLAUDIA CRISTINA SANTOS DA ROCHA CRUSIUS, DELEGADA DE POLÍCIA, TITULAR DA DELEGACIA DA MULHER DE PASSO FUNDO - ZERO HORA 25/03/2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

RS - DELEGADOS APRESENTAM ARMAS

A exclusividade nas interceptações telefônicas será exigida. WANDERLEY SOARES, O SUL, REDE PAMPA, 23 de março de 2011.

A Asdep (Associação dos Delegados de Polícia do RS), em assembleia geral realizada na segunda-feira, praticamente definiu como será o seu debate com o governo Tarso Genro. As conclusões do evento, em nota oficial assinada pelo presidente entidade, Wilson Müller Rodrigues, dizem o seguinte:

Os delegados de polícia, reunidos em assembleia geral, afirmam, por unanimidade:

1) A prestação efetiva de um serviço qualificado na área da Segurança Pública exige a integração de todos os órgãos incumbidos dessa tarefa. Todavia, cada um deles exercendo suas atividades constitucionais, legais e administrativas próprias;

2) O Sistema Guardião, equipamento destinado à interceptação telefônica com autorização judicial deve ficar sob a guarda e operação exclusiva da Polícia Civil, em face de inequívoca disposição legal, devendo ser submetido, periodicamente, a uma auditoria independente;

3) A indevida interferência nas atividades de Polícia Judiciária vem em evidente prejuízo à segurança da sociedade e não colabora com a exigida integração entre a Polícia Civil e a Brigada Militar;

4) É inaceitável que a categoria continue sendo discriminada em sua remuneração, a qual, por disposição legal e decisões do Supremo Tribunal Federal, deve ser igual àquela percebida pelos procuradores do Estado, que hoje percebem mais do que o dobro dos delegados de polícia;

5) Os delegados reconhecem que o governo recém instalado, embora já ciente de tudo, ainda não teve tempo para oferecer as respostas que a categoria merece e espera para breve uma definição;

6) A categoria continuará mobilizada na busca de sua justa remuneração e das providências efetivas na preservação da Constituição, das leis e das referidas decisões judiciais.

POLICIAIS MILITARES ATIRAM COVARDEMENTE EM ADOLESCENTE


Policiais militares do Amazonas atiram covardemente em adolescente. Video mostra PMs humilhando, agredindo e atirando em jovem acuado contra um muro, no bairro Amazonino Mendes, Zona Norte de Manaus - A CRITICA.COM, Manaus, 22 de Março de 2011

As imagens obtidas com exclusividade pela Rede Calderaro de Comunicação mostram policiais militares da Força Tática, humilhando, agredindo e atirando contra um adolescente de 14 anos.

O crime foi na madrugada do dia 17 de agosto de 2010, no final da rua 50, no bairro Amazonino Mendes, Zona Norte.

O vídeo foi feito por uma câmera de segurança particular e, há pouco mais de um mês, foi entregue à reportagem do acritica.com, que iniciou uma investigação compartilhada com a TV A Crítica.

A investigação chegou ao adolescente de 14 anos, que aparece no vídeo sendo acuado e baleado. Apesar de ter levado três tiros de pistola PT.40, ele sobreviveu, mas fugiu do bairro com a família por medo dos policiais.

As imagens e os dados obtidos na apuração foram entregues ao Ministério Público Estadual (MPE) e virou uma investigação coordenada pelo Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (Cao-Crimo).

A família do adolescente ingressou no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita) e deixaram o Amazonas.

Como aconteceu

Na madrugada de 17 de agosto de 2010, policiais militares da Força Tática (FT) se dirigem ao final da rua 50, no bairro Amazonino Mendes, Zona Norte de Manaus. Eles param as pessoas que passam pelo local, vasculham bueiros, invadem quintais, procuram algo. Toda a ação é filmada por uma câmera de vigilância.

De repente, um dos cinco PMs analisa minuciosamente uma arma, que é passada a outro policial. Surge um garoto de camisa vermelha e bermuda clara. Começa a sessão de violência e tortura psicológica.

O garoto tem um cordão e uma pulseira arrancada na marra, leva um soco, é cercado pelos policiais que sacam suas pistolas. Ele fica acuado entre o muro e os PMs. Uma arma é apontada para seu rosto. O menino empurra o cano do revólver e se encolhe com medo. Ele chora muito enquanto um dos soldados volta a mantê-lo na mira. O PM se aproxima, olha para os lados, aponta e atira.

O tiro de pistola PT.40 é à queima-roupa e atinge o menino na barriga. Ele tenta fugir da mira do PM, que o segue e atira novamente.

Mesmo baleado duas vezes o adolescente ainda se mantém de pé, atordoado. Quando o policial se preparava para dar um tiro de misericórdia, surge um outro PM que atira entre o soldado e o garoto ferido. Os dois policiais discutem, os cachorros da vizinhança latem, os moradores escondidos se esgueiram para assistir a cena.

Um terceiro tiro é dado e o adolescente é empurrado mais de cem metros até as viaturas 1667 e 1668 da FT estacionadas na rua 1. No caminho o garoto perde as forças e senta no meio da rua 50.

Ele é encaminhado ao Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo, a poucos metros dali, onde é internado.

No dia seguinte, A CRÍTICA vai ao local e apura a versão dos policiais. O sargento Hércules Duarte, subcomandante da Força Tática do CPA Norte, alega que o garoto era “soldado do tráfico” e que seus subordinados atiraram para se defender, pois haviam sido recebidos a tiros.

‘Milagre’

O adolescente de 14 anos sobreviveu aos três tiros e voltou para casa após dez dias de internação. “Meu filho teve parte do pulmão perfurado e passou por cirurgia. Foi um milagre não ter morrido”, lembrou a mãe dele. Com medo da polícia, a família se mudou.

“Possivelmente esse jovem deu muita sorte. Os tiros pareceram ter entrado na base do tórax em direção ao abdômen e devem ter lesionado estrutura de pouca importância, porque se pegam a veia cava ou aorta abdominal, possivelmente ele teria uma brutal hemorragia no mesmo instante e não chegaria a ser transportado vivo”, explicou o cirurgião e médico legista Mario Vianna.

DELEGADOS GAÚCHOS RECLAMAM DE SALÁRIOS E INTERFERÊNCIA

CLASSE DESCONTENTE. Delegados reclamam de salários e interferência

Os delegados gaúchos voltaram a firmar posição contra suposta interferência de suas funções e também pela defasagem salarial. Em nota assinada pelo presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado (Asdep), Wilson Müller, a categoria aponta que a integração das polícias deve respeitar as atividades legais de cada corporação.

Um dos pontos citados como interferência é o sistema Guardião, equipamento destinado a interceptações telefônicas com autorização judicial –, hoje operado na Secretaria de Segurança Pública pela Brigada Militar.

– Esse aparelho deveria ser usado exclusivamente pela Polícia Civil e passar por uma auditoria independente – sustenta Müller.

Outro ponto que incomoda os delegados é a desatualização dos contracheques. Colocados no mesmo patamar salarial dos servidores da Justiça nos anos 1990, os profissionais acabaram tendo os valores reduzidos na última década, mesmo com a equiparação garantida pelo Supremo Tribunal Federal.

– Eu me aposentei ganhando a mesma coisa que um desembargador. Hoje, os delegados ganham menos da metade que um procurador do Estado – lamenta o presidente da Asdep.

Müller, no entanto, enfatiza que a posição dos delegados não é contra um governo específico.

– Tudo isso é recorrente. Marcamos posição em todos os governos. O governador Tarso Genro está em início de mandato e sabemos que não teve tempo para mudar isso.

COFRES RASPADOS - REDE VULNERÁVEL POR FALTA DE LICENÇA ANTIVIRUS.

COFRES RASPADOS. Sem antivírus, computadores da Polícia Civil estão vulneráveis. A rede de computadores da Polícia Civil, que abriga dados confidenciais de milhões de gaúchos, opera sem antivírus desde o final do ano passado. ZERO HORA 23/03/2011

Em dezembro, quando expirou a licença do antivírus McAfee – um dos mais eficientes do mercado, utilizado por corporações públicas e privadas, capaz de impedir infecções de computadores e reduzir a ação de hackers –, a polícia não reeditou o contrato.

Cada vez mais poderosos, os vírus podem acarretar dor de cabeça e prejuízos econômicos, corrompendo sistemas operacionais (são os danos mais comuns) ou até copiando dados digitados (como agem os conhecidos como keyloggers). Sem a renovação da licença, a segurança dos dados contidos nos computadores da polícia está ameaçada.

– Estamos correndo um risco muito grande operando sem antivírus nas máquinas – alerta um experiente delegado de polícia, que prefere não ser identificado.

Conforme um delegado lotado no Palácio da Polícia, o valor para renovar a licença (algo em torno de R$ 100 mil) não teria sido liberado.

– Recebemos pressão de todos os lados, mas o fato é que os recursos foram cortados e não sabemos quando teremos autorização para reativar a licença – diz o delegado, que também pede para o seu nome ser preservado.

DELEGACIAS - OBRAS PARADAS POR FALTA DE PAGAMENTO


Obras da Segurança ameaçadas. Atraso do governo do Estado de pagamentos a empreiteiras emperra construção e reforma de delegacias da Polícia Civil - CARLOS ETCHICHURY, ZERO HORA 23/03/2011

A crise financeira do Estado atingiu a Segurança Pública. Sem recursos orçamentários para pagar empreiteiras, obras como reformas, ampliações e construções de delegacias arrastam-se desde o final de fevereiro. Consultados por Zero Hora, delegados e agentes temem que a contenção, acentuada nos últimos 15 dias, comprometa operacionalmente a polícia.

Com recursos escassos, a nova Central de Polícia de Canoas, na Região Metropolitana, que funcionará no número 2.730 da Avenida Major Sezefredo Azambuja Vieira, bairro Moinhos de Vento, corre o risco de ficar pela metade. Conforme Laurindo Zandonai, administrador e diretor da empresa responsável pela obra orçada em R$ 3,9 milhões, o Estado não faz repasses desde dezembro:

– Realizamos 70% da obra, compramos 90% dos materiais e equipamentos, mas recebemos menos de 40%. A quinta parcela, que deveria ser paga em dezembro, ainda não foi quitada. E ainda aguardamos desde janeiro pelo reempenho da obra.

De acordo com Laurindo, o ritmo dos trabalhos é lento:

– Estamos praticamente paralisando as obras.

Em Novo Hamburgo, as obras da Central de Polícia também foram atingidas pelos cortes orçamentários. A empreiteira responsável pela reforma de um prédio cedido pela prefeitura aguarda pelo pagamento de R$ 700 mil.

– Já poderiam ter sido feitos os pagamentos, mas prefiro não falar em atraso. A gente tem contatos quase diários com a polícia, que diz que os valores devem ser pagos nos próximos dias – diz Paulo Fagundes, sócio-gerente da empresa responsável pela obra.

Em Barros Cassal, uma antiga reivindicação da comunidade está ameaçada. Apenas R$ 37 mil dos R$ 158 mil necessários para a construção de uma delegacia da Polícia Civil foram liberados. Na cidade de Taquara, a ameaça recai sob a reforma de uma delegacia, orçada em R$ 261 mil – cujos pagamentos à empreiteira estão atrasados.

Fazenda gaúcha sem previsão de liberação de recursos

Conforme a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública, técnicos do órgão discutem com a Secretaria da Fazenda a liberação dos repasses. A assessoria não soube informar, porém, quando o problema será solucionado.

Os cofres raspados da Polícia Civil coincidem com o anúncio, no início de março, de que o Estado fará cortes no orçamento devido à obrigatoriedade de pagar, este ano, cerca de R$ 1 bilhão em precatórios e Requisições de Pequeno Valor (RPVs).

O que diz Odir Tonellier, secretário estadual da Fazenda - Por meio de sua assessoria de imprensa, o secretário afirma que todas as obras em andamento serão concluídas. Segundo ele, esses atrasos não estão relacionados aos cortes orçamentários anunciados pelo governo do Estado no início do mês. O secretário não soube informar por que o contrato de antivírus dos computadores da Polícia Civil não foi renovado.