ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

POLÍCIAS DO RS PEDEM SOCORRO



ZERO HORA 12 de Setembro de 2017


CRIS LOPES VITOR ROSA


SEGURANÇA. Polícias pedem auxílio após onda de homicídios 


JOVEM SEQUESTRADO é a nona vítima executada a tiros em Gravataí em três dias. Outras nove pessoas sobreviveram após serem baleadas em ataques. A localização do corpo de Airton Pereira de Andrade, 23 anos, na madrugada de ontem, marcou a nona execução em Gravataí desde as 21h de sexta-feira. Outras nove pessoas sobreviveram aos ferimentos de tiros. Conforme a Brigada Militar (BM), Andrade foi sequestrado por bandidos e levado até a Estrada Municipal, atrás de um condomínio de luxo no bairro Neópolis, onde foi morto com dois tiros.

Os criminosos agiram de forma brutal. De acordo com a BM, a vítima estava com as mãos amarradas, apresentava sinais de tortura, e foi empurrada para um barranco antes de ser atingida pelos tiros de escopeta calibre 12 na cabeça. Segundo o relato de testemunhas à BM, os criminosos estavam em dois carros. Um Clio, usado para levar a vítima até o local e para a fuga instantes depois, e um Doblô, que foi abandonado na cena do crime. Uma perícia deve ser realizada para verificar vestígios do crime. Também na madrugada de ontem, outro ataque alertou policiais no município. Três pessoas que chegavam em casa na Rua Nestor Jardim, na altura da parada 68, foram atacadas por criminosos que se aproximaram em um Corsa. Segundo a BM, dois homens e uma mulher foram baleados - um deles ficou internado no Hospital Dom João Becker.

JÁ SÃO 120 ASSASSINATOS CONTRA 117 DE TODO O 2016

Sem conseguir conter a explosão da criminalidade, a Polícia Civil e a Brigada Militar de Gravataí solicitaram reforço de agentes aos comandos das corporações. No fim de semana, nove pessoas foram assassinadas. O número de vítimas já chega a 120 em um município de 275 mil habitantes - em 2016, foram 117 no ano todo.

O chefe de Polícia, Emerson Wendt, confirmou que estuda o reforço de agentes na Delegacia de Homicídios de Gravataí. É cogitado até o envio de agentes da Força Nacional de Segurança, que atualmente estão no Departamento de Homicídios de Porto Alegre.

- A necessidade de reforço está clara. A gente não consegue lidar com essa quantidade de delitos com a estrutura de anos atrás - lamenta o delegado Felipe Borba.

O número de policiais civis que será enviado e quando isso ocorrerá ainda não foi definido.

Na Brigada Militar, o pedido de socorro já foi aceito. De acordo com o comandante do 17º Batalhão de Polícia Militar, coronel Vanderlei Padilha, policiais dos pelotões de Operações Especiais dos demais municípios da região serão enviados à cidade.

- Estão chegando hoje (ontem). Atuarão nos pontos mais problemáticos, sem muita ostensividade, e sim com objetivo de efetuar prisões - afirma o oficial.

 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

ASSOCIAÇÃO DE DELEGADOS CRITICA ATRASO SALARIAL E CAOS PRISIONAL QUE TRANSFORMA POLICIAIS EM CARCEREIROS


Resultado de imagem para CLEITON FREITAS ASSUME associação de delegados e critica caos prisional
ZERO HORA 09 de Agosto de 2017
 

RENATO DORNELLES


SEGURANÇA. Ex-vereador assume associação de delegados e critica caos prisional . CLEITON FREITAS DIZ que terá ainda como bandeira luta por salários em dia




Em meio à crise do sistema penitenciário, que provoca graves reflexos no trabalho das forças de segurança pública, e ao sucessivo parcelamento dos salários dos servidores, uma nova diretoria assume a Associação dos Delegados de Polícia do Estado (Asdep) na próxima segunda-feira. À frente, está o ex-vereador de Porto Alegre delegado Cleiton Freitas, 25 anos de profissão.

? A Polícia Civil está sendo tratada de forma muito desrespeitosa. Delegacias lotadas de presos são uma bomba anunciada, prestes a explodir ? afirma o futuro presidente da entidade, ao comentar o problema que atinge as carceragens das Delegacias de Polícia de Pronto Atendimento (DPPAs) da Região Metropolitana.

Freitas lembra que há dois anos o Rio Grande do Sul se orgulhava de ser um dos poucos Estados a não manter presos nessas condições. Constantes interdições da Cadeia Pública, conhecida como Presídio Central, devido à superlotação, alteraram essa realidade.

ESPAÇO NA DEFINIÇÃO DE POLÍTICAS DE GOVERNO

? Foi um verdadeiro retrocesso pelo qual passamos. Há pouco tempo, tínhamos algumas celas usadas como depósitos. Elas não têm condições de abrigar presos por mais de 24 horas ? diz Freitas.

Diante desse e de outros problemas que atingem a polícia, o delegado tem entre suas metas fazer com que a Asdep seja ouvida para ações da segurança pública:

? Precisamos ter voz nesse processo, como especialistas de fato e de direito que somos nessa área.

Entre as bandeiras diretamente relacionadas à categoria, Freitas aponta a luta contra o parcelamento de salários como um dos principais focos de sua gestão.

? Estamos perdendo direitos e os servidores vêm enfrentando muitos transtornos ? reclama.

Cleiton é o 19º presidente da Asdep, e o primeiro negro a ocupar o cargo. Assume na sucessão da primeira mulher a liderar a entidade, delegada Nadine Anflor. Como vice, ele terá outra mulher, Viviane Viegas, diretora de ensino da Academia de Polícia.

Entre 2013 e 2016, Freitas ocupou cadeira na Câmara de Vereadores da Capital pelo PDT. Em passagens como delegado em Encruzilhada do Sul e Viamão, foi agraciado com o título de cidadão honorário nos dois municípios.


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O MUNDO DAS OCORRÊNCIAS



JORNAL DO COMÉRCIO 28/07/2017
 
 
 
João Gomes Mariante 
 
 
O mundo das ocorrências catastróficas em que vivemos traz-nos a cada dia mais temores e perplexidades. As ocorrências criminais, em qualidade e quantidade, são de tal dimensão que nos levam a pensar que o ser humano excluiu o uso da defesa e que o instinto de conservação pertence apenas aos irracionais. Os episódios criminais de cepa hedionda dominam e paralelamente deslumbram uma civilização arquitetada no ódio e amoldada ao prazer de matar. Mata-se um ser humano como se fora um exemplar amebiano. 
 
Estamos em mãos de ferro, empenhadas em esmagar a esperança de salvaguardar a perenidade da espécie humana. A insegurança revelou-se de tal forma que sugere medidas de emergência, projetos ou decisões urgentes. A temática da violência e do crime, do desrespeito às normas do direito à proteção da cidadania, questiona a contestação de que maneira atuar para solucionar o problema. No entanto, no espaço restrito de um artigo de jornal, não seria possível elaborar tal questionamento. Assim é que também eu vou inserir o que visa atingir especialmente os maus policiais. O plano, que poderá ser convertido em projeto e até em decreto, visa atingir os detestáveis portadores de personalidades psicopáticas, aos alunos da "Faculdade do Crime", incrustada na "Universidade da Delinquência", e aos policiais, pela ação do mecanismo de "Formação Reativa". A Formação Reativa é o que traduz "ipsis litteris" o entrechoque de forças contrárias, que deságuam em condutas opostas, encobridoras de desejos reprimidos. 
 
Como exemplo, um candidato à profissão policial, que encerre tendências incendiárias e, por várias razões, sinta-se impedido de executá-las, sentaria praça no corpo de bombeiros - como recurso, uma inibitória e preventiva execução do propósito doentio de executá-lo. Aí então, a Formação Reativa funcionaria como impedimento. A esses exemplares pertencem os honestos policiais, aqueles que, por meio da sublimação, contornam as fantasias e os propósitos patológicos ao se tornarem úteis à sociedade, prestando seus serviços a obras benemerentes ou mesmo à Polícia, com zelo, honestidade e eficácia. 
 
 
Psicanalista e jornalista

- Jornal do Comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/07/opiniao/576203-o-mundo-das-ocorrencias.html)

quarta-feira, 5 de julho de 2017

ESFORÇO POR MAIS SEGURANÇA

Resultado de imagem para ESFORÇO POR MAIS SEGURANÇA

ZERO HORA 05 de julho de 2017 | N° 18889


OPINIÃO DA RBS



É difícil imaginar como o governo gaúcho, que já não consegue pagar em dia a totalidade dos salários do atual quadro de servidores, vai arcar com os custos das 6,1 mil novas vagas para a área de segurança pública anunciadas ontem. Ainda assim, a decisão sobre o maior concurso das últimas décadas só pode ser vista como um alento para os gaúchos, que clamam pela recuperação do direito de voltar a circular sem medo pelas ruas.

Segurança não depende apenas de policiamento ostensivo, que é parte essencial de qualquer ação contra a criminalidade. E, como a convocação dos novos servidores deve ocorrer só no próximo ano, é preciso que, até lá, sejam colocadas em práticas providências adicionais, incluindo a intensificação de medidas preventivas com ênfase em informação.

Mesmo diante da falta de clareza sobre como será custeado o reforço no quadro funcional, é promissor para a sociedade supor que, até lá, o Piratini já espera contar com dias melhores sob o ponto de vista financeiro. E é positivo que a ênfase na área de segurança pública tenha sido confirmada uma semana depois de a Assembleia aprovar projeto retardando a aposentadoria dos policiais militares. Com a mudança, esses servidores precisarão contar com 25 anos de tempo efetivo de serviço como forma de garantir o direito de passar para a reserva.

A decisão do Piratini de aguardar pela alteração nas regras de aposentadoria dos servidores da Brigada Militar é um indicativo do quanto a adequação do poder público à sua real situação financeira tende a favorecer os contribuintes de maneira geral. No caso, ganham todos os gaúchos, com a perspectiva de mais atenção a uma área hoje em situação crítica, como segurança pública.



COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - 6 MIL VAGAS PARA AS FORÇAS DA SEGURANÇA PÚBLICA. Não há limites para o crime nas leis, na justiça e na punição, como não há barreiras para o crime nas forças de contenção pelo enorme déficit dos efetivos, fruto da irresponsabilidade dos governantes que sucatearam, desvalorizaram, atrasaram salários, discriminaram, fomentaram a evasão, negligenciaram direitos e desviaram de finalidade para privilegiar e atender interesse partidário. Seis mil é importante, mas não é suficiente diante da elevada demanda e continuidade das evasões e desvios, fatores que continuam incapacitando as instituições policiais e de bombeiros. Na BM, o efetivo atual gira em torno de 20 mil para 37 mil o efetivo previsto, que é utópico, já que a necessidade gira em torno de 50 mil policiais para atender com policiamento ostensivo preventivo nas 24 horas do dia, todos os municípios do RS.

SEGURANÇA NO RS. AS DEFICIÊNCIAS DE CADA CORPORAÇÃO




ZERO HORA - 05 de julho de 2017 | N° 18889

REPORTAGEM ESPECIAL - EDUARDO TORRES


As deficiências de cada corporação



Se todos os 6,1 mil aprovados forem chamados no próximo ano, o atual déficit das forças de segurança do RS seria reduzido em nove pontos percentuais. Hoje, o Estado tem metade do considerado ideal. Caso o número de aposentadorias em 2018 repita os 1,5 mil previstos para este ano entre a Polícia Civil, Brigada Militar e Corpo de Bombeiros, o déficit se reduziria de 53,6% para 44,5% – o que representaria os nove pontos. O Estado deveria ter 50.651 agentes de segurança pública, e hoje conta com 23.472. Se seguisse o ritmo atual, em dezembro de 2018, seriam 28.072 agentes da segurança atuando no RS.

Ainda assim, em caso de conclusão do concurso ainda durante este governo, o secretário da Segurança, Cezar Schirmer, cumprirá a meta de zerar as perdas por aposentadorias do período. Nos últimos três anos, foram 5.531 que foram para a reserva. Já ingressaram até hoje, desde o começo do governo Sartori, entre as três corporações, 2.051 agentes. O maior problema de efetivo está na BM. Conforme o departamento administrativo da corporação, o atual efetivo da corporação é de 15,8 mil PMs. Está 57,3% abaixo dos 37.050 considerados necessários por lei no Estado. Neste ano, 1.480 PMs do último concurso, de 2014, foram convocados – os 124 restantes, sendo 49 PMs e 75 bombeiros serão chamados em breve. Assim, não haverá concursado sem ser chamado, garante o Piratini.

A perspectiva, com o anúncio de ontem, é de que outros 4,1 mil soldados sejam incorporados, além de 200 oficiais. O acréscimo de policiais militares graduados, no entanto, não representará necessariamente aumento de agentes na Brigada Militar. No último concurso público, 60% dos candidatos a oficiais eram praças que cursaram Direito e tentavam novos postos.

Já os bombeiros ainda vivem a expectativa de aprovação na Assembleia Legislativa, nos próximos dias, do projeto que regulamentará o seu efetivo separado da Brigada Militar. Atualmente, são 2,6 mil bombeiros no Estado. Um déficit de 36,6% em relação aos 4.101 apontados como quadro ideal no projeto de lei. O concurso abriria 450 vagas para soldados e outras 50 para oficiais da corporação.

REFORÇO DE OFICIAIS DESAFOGARIA PLANOS DE PREVENÇÃO A INCÊNDIOS ATRASADOS

A perspectiva de 50 vagas para oficiais do Corpo de Bombeiros, representa uma esperança de desafogar uma das mais problemáticas questões enfrentadas pela corporação: a análise dos Planos de Prevenção e Combate a Incêndios (PPCI) e a concessão de alvarás. Só em Porto Alegre, o tempo de espera, segundo o Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), chega a seis meses.

Em todo o Rio Grande do Sul, a corporação conta com 128 quartéis. Destes, 112 são responsáveis por este serviço. O problema está na falta de pessoal habilitado para comandar estes processos. São somente 44 capitães em todo o RS, que se desdobram para cumprir a demanda.

– Somente capitães ou tenentes com curso específico podem assinar alvarás. Atualmente, temos oficiais viajando por diversas cidades para cobrir falta de pessoal. Isso atrasa os processos – diz o comandante-geral da corporação, coronel Adriano Krukoski Ferreira.

Se o concurso for efetivado, com mais 50 oficiais, o número quase duplicará. Essa perspectiva, no entanto, considerando a projeção do governo estadual e o tempo de curso de formação dos aprovados, não será realidade antes da metade de 2018.




GOVERNADOR SARTORI PROMETE MAIS DE 6 MIL POLICIAIS NA SEGURANÇA



ZERO HORA 05 de julho de 2017 | N° 18889


REPORTAGEM ESPECIAL - JOCIMAR FARINA E JULIANA BUBLITZ

O IMPACTO DE 6,1 MIL POLICIAIS NA SEGURANÇA

O ATUAL DÉFICIT da pasta seria reduzido de 53,6% para 44,5% com o possível ingresso de policiais civis, militares e bombeiros. Sartori anunciou criação de vagas ontem



O governador José Ivo Sartori anunciou ontem, em Porto Alegre, a decisão de abrir 6,1 mil vagas para Brigada Militar (BM), Polícia Civil e Corpo de Bombeiros. A intenção é realizar o maior concurso público das últimas décadas até o fim do ano e ampliar gradativamente os efetivos. Mas o cumprimento da promessa dependerá dos rumos das finanças do Estado e reduzirá em nove pontos percentuais o déficit das forças de segurança no RS.

Ao todo, serão 4.550 vagas para soldados, 250 para oficiais, 1,2 mil para agentes da Polícia Civil e 100 para delegados. Sartori não informou qual será o custo da medida nem de onde sairá o dinheiro para garantir o pagamento dos salários dos novatos. Segundo cálculos de ZH, com base em dados do Portal da Transparência, o impacto pode chegar a pelo menos R$ 471 milhões por ano se todos os concursados forem nomeados.

Quanto às despesas com o certame em si, a cúpula do Palácio Piratini estima que será preciso desembolsar cerca de R$ 11 milhões, mas avalia que o valor das inscrições – ainda não divulgado – cobrirá parte dos custos. Somente para a seleção da BM, são esperados cerca de 60 mil inscritos.

– A segurança é uma prioridade, tanto que o orçamento de 2017 foi aprovado com aumento de custeio para essa área, com incremento de 19%. Conseguimos, também, com muito esforço, pagar os reajustes salariais definidos no final de 2014 – disse Sartori, destacando a preocupação do governo em atender a demanda do Interior por mais brigadianos e policiais civis.

Em seu discurso, o governador afirmou que o anúncio só foi possível graças ao apoio da Assembleia. Na semana passada, após meses de tentativas frustradas, Sartori finalmente conseguiu aprovar o Projeto de Lei Complementar 243, que integrava o pacote de ajuste fiscal e se arrastava na Casa desde 2016.

Com a aprovação, o governo garantiu que o tempo de serviço dos novos PMs aumente em pelo menos três anos. Eles não poderão mais abrir mão de licenças obtidas ao longo da carreira para poder se aposentar mais cedo, como ocorre atualmente.

– O que está acontecendo hoje (ontem) é fruto do que aconteceu na semana que passou – destacou Sartori, embora as medidas de contenção continuem enfrentando resistências na Assembleia.

Observado por aliados, o governador encerrou o discurso afirmando que 4 mil servidores deverão ingressar em órgãos de segurança até o final de 2017 e citou outros dois concursos em andamento: um para a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), com 720 vagas, e outro para o Instituto-Geral de Perícias (IGP), com 106 vagas.

SEGUNDO SCHIRMER, EDITAIS EM ATÉ 30 DIAS

Depois, o secretário da Segurança Pública, Cezar Schirmer, disse que os editais para o novo certame devem ser lançados em até 30 dias. A expectativa é de que a seleção ocorra ainda em 2017, mas o chamamento dos selecionados ficará apenas para 2018 – e, até ontem, não havia cronograma predefinido. Vale lembrar que o concurso terá validade por quatro anos.

A ideia, segundo Schirmer, é começar a suprir as vagas abertas por aposentadorias aos poucos e, no futuro, garantir a “reposição automática” para reduzir o déficit, que, só na BM, passa de 21 mil PMs.

– Vamos repor as aposentadorias de forma gradativa. Quem sabe, 10%, 20% a mais (de servidores), de forma que, ao cargo de alguns anos, possamos suprir a carência brutal de efetivos – declarou Schirmer.

A projeção, contudo, não convence entidades como a Associação dos Servidores de Nível Médio da BM. Para o presidente em exercício do órgão, Solis Antônio Paim, o anúncio foi “paliativo e meramente político”.

– Infelizmente, não vai resolver os problemas da segurança pública nem de longe – conclui Paim.



Sem prazo para lançar editais


LEANDRO RODRIGUES

O Estado Maior da Brigada Militar adota cautela ao falar de quanto tempo levará para se colocar na rua o edital do concurso para soldados e oficiais da BM e dos bombeiros.

O chefe do Estado Maior da corporação, coronel Júlio Cesar Rocha Lopes, não repete a estimativa do secretário da Segurança Pública, Cezar Schirmer, que deu 30 dias para que os editais dos concurso sejam lançados.

– Evitamos falar em prazos. Agora, com a autorização do governador, iniciamos um grupo de trabalho. A primeira etapa é contratar a empresa ou fundação que vai realizar o concurso. Estamos estudando a possibilidade de dispensa de licitação para acelerar o processo, tudo dentro da forma legal. Por isso, não temos como dar prazos – afirma o coronel.

ESTIMATIVA NA BRIGADA É DE 60 MIL INSCRITOS

Depois de contratada, com ou sem licitação, cabe a essa empresa gerenciar o processo seletivo de acordo com as determinações da BM. Ela vai lançar o editar do concurso, com as regras e os prazos, e aplicar as provas teóricas, físicas e psicológicas. Após a seleção, caberá à BM distribuí-los nos cursos preparatórios da corporação para oficiais e soldados.

– A empresa ou fundação precisará de um prazo para lançar esse edital, vamos dizer o que queremos dos selecionados. Ela vai necessitar de uma certa estrutura, prevemos de 50 mil a 60 mil inscritos – diz o chefe do Estado Maior da BM.

A Polícia Civil foi procurada ao longo de todo o dia para falar sobre a seleção de policiais e delegados. Por meio de nota enviada pela assessoria de comunicação, limitou-se a informar que será aberto, nos próximos dias, o processo administrativo para viabilizar o concurso, que seguirá os requisitos legais.



Custo chegaria a meio bilhão anual



A convocação dos 6,1 mil aprovados no concurso anunciado ontem dependerá das condições financeiras do Estado. Se todos os concursados fossem contratados hoje, o impacto anual aproximado seria de R$ 471,1 milhões aos cofres estaduais - sem contar os próximos reajustes previstos para os servidores da Segurança Pública, aprovados na gestão passada.

A título de comparação, a cifra equivale a cerca de 3% da despesa com pessoal do Poder Executivo, em 2016. Embora o percentual não seja alto e o governo admita que não será possível nomear todos os selecionados de uma vez, Darcy Carvalho dos Santos, especialista em finanças públicas, avalia o cenário com preocupação. Ele lembra que os contracheques do funcionalismo já vêm sendo parcelados há 17 meses consecutivos e que, por enquanto, não há perspectiva de melhora.

– Não há dúvidas de que aumentar o efetivo policial é uma necessidade, mas, diante da situação do Estado, se não sair o socorro federal e se a economia não deslanchar, o governo não terá como pagar. Pode até fazer o concurso, mas não vai conseguir nomear todo mundo. Se nomear, vai atrasar ainda mais a folha – alerta Santos.

ESSA CRISE NÃO É ETERNA, DIZ SECRETÁRIO SCHIRMER


Tanto Sartori quanto o secretário da Segurança Pública, Cezar Schirmer, evitaram falar em valores durante o anúncio oficial. O governo nem sequer divulgou estimativa do impacto financeiro, calculada por ZH a partir de dados do Portal da Transparência.

Por falta de recursos, conforme Schirmer, os concursados serão chamados gradativamente. A ideia é que, aos poucos, o governo consiga garantir a reposição automática aos servidores que se aposentarem. Apesar disso, o governo não apresentou um cronograma detalhado.

– O que estamos anunciando neste momento é um concurso, que fique bem claro. Quando esse concurso for concluído, imaginamos que em dezembro, vamos ver quantos brigadianos, policiais civis e bombeiros vamos chamar, à luz da realidade financeira daquele momento. A expectativa que se tem é que o país, o Estado, possa começar a recompor a sua realidade financeira. Essa crise não é eterna – declarou o secretário, em entrevista à Rádio Gaúcha.



sábado, 24 de junho de 2017

HERÓIS DO COTIDIANO

ZERO HORA 23/06/2017 


OPINIÃO RBS


A morte em serviço do servidor Rodrigo Wilsen da Silveira não pode ter sido em vão





Foto: Edu Oliveira / Arte ZH / Arte ZH


A trágica morte do escrivão Rodrigo Wilsen da Silveira, chefe de investigação da 2ª Delegacia de Polícia de Gravataí, na Região Metropolitana, é um daqueles momentos em que, além de se unir em solidariedade a seus familiares, amigos e colegas, a sociedade deve prestar homenagens a esses heróis do nosso cotidiano. Civis ou fardados, os policiais gaúchos que estão na linha de frente do combate ao crime convivem diariamente com o espectro da morte. Mas, quando ela surge traiçoeiramente em plena atividade na rua, é como se toda a população sofresse um golpe. Além de solidariedade e luto, o assassinato de um policial no mais nobre exercício do seu dever — a defesa da sociedade — deve ser sempre recebido com indignação e repúdio.


A morte desses heróis anônimos, assassinados por vezes friamente enquanto a população ainda dorme, como foi o caso de Rodrigo, não pode nunca ser encarada com naturalidade. É preciso que a sociedade apoie a polícia, denunciando criminosos e rejeitando atividades ilegais, como o tráfico e a receptação de objetos furtados ou roubados. É preciso que a sociedade tenha sempre em mente que a leniência com o crime mancha aqueles que de alguma forma colaboram com os bandidos — seja pela corrupção ou pelo estímulo ao tráfico de drogas — e contribui para que episódios trágicos como esse não tenham um fim.

A morte em serviço do servidor Rodrigo Wilsen da Silveira não pode ter sido em vão. É preciso que sirva de alerta para a necessidade do quanto os policiais devem ser bem equipados e valorizados pela comunidade. É preciso que sejam fortalecidos e respeitados pelos criminosos, e não que venham mais a sucumbir nas mãos deles.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - A TRÁGICA MORTE DE UM POLICIAL PELAS MÃOS DA IMPUNIDADE. Se equivoca o Editorial ao apontar a solução na sociedade, pedindo que ela colabore denunciando atividades iligais. Como colaborar sabendo que os bandidos logo estarão na ruas para retaliar, beneficiados por leis permissivas aprovada no Congresso, por uma justiça leniente que lava as mãos para as questões de ordem pública, por um sistema de execução penal que atua com omissão e irresponsabilidade e pelo sucateamento e ausência das forças policiais para proteger as pessoas, comunidades e cidades? 

Um exemplo real. Na ativa, ao aplicar a filosofia de policiamento comunitário, participava das reuniões comunitárias promovidas pelos grupos policiais espalhados pelos bairros da cidade para tratar sobre a situação da segurança e a efetividade do policiamento. Nas primeiras reuniões, as pessoas da comunidade prometiam "apoiar a polícia, denunciar os criminosos e rejeitar atividade ilegais", colaborando com o policiamento. Nas outras reuniões, não havia mais esta motivação e o argumento era sempre o medo de retaliação, pois os bandidos denunciados pela população e tirados de circulação pelos policiais, retornavam com ameaças contra a vida das pessoas e familiares. Resultado, a integração e a confiança exigida nesta filosofia de policiamento se perderam. É assim que funciona na prática. Por isto, a opinião da RBS é equivocada. 

O Estado Democrático exige leis e justiça fortes e respeitadas, onde a sociedade delega aos poderes de Estado a responsabilidade de legislar, governar e aplicar a lei. Quem têm o poder da solução são os poderes constituídos. A sociedade pode exigir, reclamar, protestar, criticar a justiça e eleger políticos intolerantes contra o crime.

terça-feira, 7 de março de 2017

PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DA BM É AMEAÇADO



ZERO HORA 07 de março de 2017 | N° 18786


HUMBERTO TREZZI



CRIME ORGANIZADO


Leonel Lucas, presidente da maior entidade de classe da Brigada Militar (a Associação Beneficente Antonio Mendes Filho, Abamf, que congrega servidores de nível médio), está ameaçado de morte. Isso foi confirmado a Zero Hora por ele e também por dois oficiais graduados da BM, um deles ligado ao comando. Recados de que a execução de Lucas foi tramada foram recebidos pelo serviço reservado da corporação. O atentado aconteceria no fim de semana.

A suposta motivação seria a suspeita, por parte de uma facção criminal, de que Lucas teria avisado policiais sobre a existência do túnel que foi construído para dar fuga a centenas de criminosos enclausurados no Presídio Central de Porto Alegre. O presidente da Abamf nega qualquer envolvimento na informação que abortou a escapada dos presidiários, mas a organização criminosa teria premeditado mesmo assim o assassinato dele.

— Não tem qualquer fundamento essa história de que eu sabia do túnel. Sempre morei nas proximidades de onde há conflitos com criminosos – inclusive duas facções diferentes – e nunca me envolvi. Sou dedicado às melhores condições aos brigadianos, essa é minha causa — disse ele a Zero Hora.

Após ser avisado das ameaças, Lucas está sob proteção policial. Nas redes sociais, foi divulgado um áudio em que ele, emocionado, refuta qualquer envolvimento na dica sobre a localização do túnel, escavado na zona leste de Porto Alegre.

— Eu tô num local não sabido aí, enquanto a Brigada tenta checar o que houve. A coisa é séria. Peço que orem por mim e meus familiares — diz Lucas, no áudio, cuja autenticidade foi confirmada a ZH por ele e por oficiais da BM.

A Polícia Civil diz que não recebeu informações sobre a ameaça. A BM investiga a situação, para averiguar se a razão das ameaças é o túnel.

Lucas, que também preside uma entidade nacional de nível médio das PMs, diz estranhar as ameaças e prefere não se alongar nos comentários. Mas afirma confiar que o caso será esclarecido pelas polícias.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Que situação. Sem limites nas leis e na justiça, a bandidagem não se intimida e ameaça policiais, promotores e juízes apontando o alvo da morte também para os familiares, sem pestanejar. É o crime se organizando se estruturando e pensando como máfia. A impunidade é tamanha que rezam a oração de que "matar não dá nada e se der é pouco". É triste. O Lucas é um líder dos praças, reconhecido por todos, e agora tem que viver entocado com sua família. Espero que o Estado, a BM, a sociedade organizada, e os colegas da Polícia Civil e demais polícias do Brasil o ajudem a sair desta.