ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

domingo, 20 de março de 2011

DESACATADO POR CRIANÇAS, PM SURTA CRITICANDO SALÁRIOS, TIRANDO A FARDA E DANDO A ARMA.

Surto? Policial ameaça crianças com arma, tira a farda e fica só de cuecas em Joinville, Santa Catarina - 18/03/2011 às 14h42m, Jornal Hoje, O Globo

Um policial militar de Joinville, em Santa Catarina, aparentemente em surto psicótico, ameaçou com revólver um grupo de oito crianças que brincava e fazia barulho em uma das ruas da cidade. Segundo testemunhas, ele chegou a atirar duas vezes contra o grupo, mas ninguém foi atingido. Depois, o policial entregou a arma da corporação a um dos meninos e pediu que o jovem atirasse nele. Em seguida, o PM, que estava fardado, tirou a roupa e disse que não 'queria mais receber o salário miserável da polícia para aguentar desaforo'. O caso aconteceu na noite desta quinta-feira e foi gravado com o celular do pai de uma das crianças.
Veja as imagens gravadas pelo pai de uma das crianças

Segundo testemunhas, por volta de 19h, o grupo de crianças com idades entre 10 e 12 anos estava brincando na rua. Um carro se aproximou e do veículo desceu o soldado Mário Casprechen. Irritado com o barulho, o soldado teria atirado duas vezes contra o grupo. Os tiros não chegaram a ser gravados pela câmera do celular do pai de um dos meninos. Mas assustado, o homem gravou o que aconteceu em seguida.

" Vou tirar a farda aqui também, que eu não quero receber um salário miserável da polícia para aguentar desaforo "

As imagens mostram o soldado completamente fora de si entregando a arma a um dos meninos.

- Pega aqui. Você não é homem? pega aqui - diz o policial.

Assustados, as crianças e o homem pedem que o policial guarde o revólver.

- Ele desceu do carro armado, mandou as crianças, com idades entre 10 e 11 anos, encostarem no muro. Depois, chamou todos de vagabundo e atirou - diz o pai de um dos meninos, que não quer se identificar.

Logo em seguida, o policial começa a tirar a farda e fica só de cuecas.

- Vou tirar a farda aqui também, que eu não quero receber um salário miserável da polícia para aguentar desaforo - diz o policial.

O soldado só se acalmou com a chegada de uma viatura da polícia militar, chamada pelos moradores. O menino que foi abrigado a segurar a arma teve que receber atendimento médico.

- Ele pediu para eu atirar ele. Disse que não queria mais trabalhar. Até atirou na gente duas vezes, mas os tiros não pegaram - contou o jovem.

Segundo o comando da polícia, o soldado trabalha há 15 anos na corporação e não foi a primeira vez que ele teve problemas.

- Ele foi afastado e vai passar por uma junta médica que vai avaliar se ele teve um surto psicótico ou estava com estresse - diz o coronel Adilson Michelli, comandante do 17º Batalhão, ao qual pertence o policial.

- Um inquérito policial militar foi aberto para investigar o caso - disse o militar.

Segundo o coronel, o policial foi desacatado pelas crianças e sentiu-se humilhado.



COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Este comportamento não é isolado e preocupa muito os Oficiais e graduados responsáveis pelo gerenciamento dos efetivos policiais sob seus comandos. Há registros de surtos que causaram a morte de oficiais, graduados e até parceiros de trabalho. Para entendê-los basta analisar estes dois cenários:

As mazelas internas como os salários miseráveis pagos aos policiais, as deficientes condições de trabalho, o retrabalho policial com o prende e solta, o enfrentamento diário contra bandidos adultos e adolescentes portando armas de guerra, as horas de folga perdidas para o "bico", rotina desgastante, as pressões funcionais e a preocupação com as necessidades familiares acabam levando a pessoa do policial ao estresse, aos vícios, à intolerância, à truculência, à violência, outras doenças físicas, psíquicas e emocionais e até ao suicídio.

As mazelas externas como as benevolências das leis brasileiras, a impunidade, o desrespeito ás leis, a justiça morosa, a corrupção nos poderes, a falta de amparo e segurança jurídica, a falência do sistema de ordem pública e o descrédito da sociedade nos Poderes de Estado, assumem proporções graves diante de um policial despreparado, doente e não orientado que pode desmotivar, surtar ou, em casos graves, transformar a pessoa num torturador, ou homicida, ou justiceiro.