ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

NO RS, PM EM FÚRIA ATIRA EM COLEGAS

UMA MADRUGADA DE FÚRIA. PM é preso depois de atirar contra colegas - EDUARDO TORRES, ZERO HORA 22/07/2011

Briga, tiros e perseguição movimentaram o centro de Porto Alegre na madrugada de ontem. Para surpresa até dos policiais militares que tentavam conter um veículo suspeito, o alvo do cerco era um colega de farda.

Depois de supostamente atirar contra os PMs, o soldado Jonata de Brito, 23 anos, do 9º BPM – batalhão que faz o policiamento do bairro –, foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio. Um familiar dele, de 16 anos, que ficou ferido com um tiro de raspão na cabeça também é suspeito de ter atirado contra a viatura.

O adolescente teria sido baleado pelos policiais durante a perseguição pela Avenida Borges de Medeiros. Outro homem, de 24 anos, também ficou ferido com quatro disparos. Os dois foram atendidos no HPS e liberados. Uma pistola .380, que seria de uso pessoal do soldado, foi apreendida. Duas viaturas foram atingidas por tiros.

O suposto ataque de fúria do soldado que estava de folga teria começado pouco antes da meia-noite em um bar da Rua Marechal Floriano Peixoto. Ele teria se desentendido com pelo menos três homens. Ali, de acordo com o delegado Ivanir Predebon Júnior, o PM teria disparado contra eles. Ninguém ficou ferido, mas a Brigada Militar foi avisada.

Jonata, o adolescente, a namorada e um amigo já estavam em um Siena, preto, localizado na Avenida Borges de Medeiros. Segundo os policiais, ao ver a aproximação da viatura, ele teria iniciado a fuga, passando sobre o canteiro central e seguindo em direção ao Mercado Público.

O primeiro confronto com os PMs teria acontecido no cruzamento com a Rua José Montaury. Depois de pelo menos cinco disparos feitos pelos ocupantes do Siena, os policiais teriam reagido. O tiroteio teria continuado pela Borges de Medeiros até que o Siena parou, com o motor fundido. Jonata teria descido do carro, gritando:

– Calma, calma, eu sou colega.

Brigada abriu processo para expulsar o soldado

Segundo os PMs, ele teria sinais de embriaguez, o que foi negado pelos advogados do soldado. Em depoimento, Jonata afirmou que agiu para se defender dentro do bar. Segundo ele, os homens mexeram com sua namorada, de 23 anos. Irritado, teria se apresentado como policial. Alegou que teve uma arma apontada contra si, e atirou para o alto.

Nenhuma arma foi apreendida com os envolvidos na briga. O policial disse que não atirou contra os colegas. Segundo Jonata, os disparos teriam partido da viatura ainda enquanto ele dirigia. A BM abriu procedimento administrativo para a expulsão de Jonata.

Ele aguarda a decisão preso no Batalhão de Operações Especiais. O policial militar faz parte da última turma de formandos e completaria em outubro dois anos na corporação.

Baderna no Centro Histórico. Brigadiano de folga se envolve em confusão puramente civil e é enquadrado como autor de crime militar. Wanderley Soares, Rede Pampa, O Sul, 22/07/2011.

Uma briga, que envolveu sete pessoas, acabou em tiroteio no coração do Centro Histórico de Porto Alegre na noite de quarta-feira. Um PM, de folga, disparou contra várias pessoas num bar da rua Marechal Floriano Peixoto, quase esquina com Salgado Filho. Nessa área, as badernas são rotineiras há alguns anos. A Brigada Militar foi acionada. Durante a bagunça, houve fuga e perseguição e o PM foi localizado num carro com mais três pessoas na avenida Júlio de Castilhos, onde ocorreu o tiroteio. Dois feridos foram levados ao HPS. O PM Jonata de Britto, 23 anos, que gozava momentos de lazer, foi enquadrado por crime militar. Tal enquadramento é muito esquisito, pois Jonata, de folga, era, numa visão inicial, um mero e violento desordeiro. Parece-me, aqui da minha torre, que o inquérito deveria seguir para a Justiça comum, pois Jonata não estava a serviço da milícia gaúcha. No entanto, devo reconhecer, que o Tribunal Militar do Estado (o Tribunal da Brigada), ao que tudo indica, está precisando de mais processos para justificar a sua estranha existência.