ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

CHACINA DE ALVORADA PODE TER POLICIAIS ENVOLVIDOS

MORTES EM ALVORADA. Investigada participação de policiais em chacina. Suposto alvo de matadores teria desavenças com agentes da Polícia Civil e policias militares - JOSÉ LUÍS COSTA, ZERO HORA 15/07/2011

O extermínio de quatro homens na noite de quarta-feira em Alvorada pode ter envolvimento de policiais. A hipótese é investigada em sigilo por uma equipe de agentes constituída especialmente para apurar o caso em apoio à 1ª Delegacia da Polícia Civil do município da Região Metropolitana.

– Quando se fala de tráfico e de crime organizado, tem de ficar sempre com um pé atrás. Não se pode descartar a participação de policiais – afirmou o delegado Leonel Carivali, diretor da 1ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana.

A possibilidade ganhou força ontem. As primeiras informações apontam que o alvo dos matadores seria Luciano Maier, 37 anos. Dono de um bar na Vila Salomé e com antecedentes policiais por tráfico e porte ilegal de arma, ele seria responsável por uma boca de fumo sob suposta proteção de inspetores da Polícia Civil lotados na Capital.

Nos últimos tempos, Mayer estaria incomodado, possivelmente por cobrança de propina, o que teria gerado um desentendimento. Por volta das 21h de quarta-feira, um morador das imediações viu da janela de uma casa uma caminhonete preta se aproximar das vítimas e escutou um grito:

– Luciano, tu vai me pagar!

Logo, um outro automóvel apareceu e começaram os disparos. Foram pelo menos 20 tiros de calibres variados – de espingarda 12 e de pistolas .380 e 9 mm. As quatro vítimas estavam perto de um bar, recém fechado, onde 10 minutos antes PMs tinham prendido um homem com um revólver sem registro. Ainda não se sabe por que os quatro homens estavam reunidos no local. Eles acabaram atingidos em uma posição que lembra um paredão de fuzilamento. Mayer morreu na hora, alvejado com um tiro no peito. Marcelo de Matos Berro, 25 anos, Celso Santos da Silva, 45 anos, e Marco Aurélio Costa Fraga, 37 anos, foram hospitalizados, mas não resistiram aos ferimentos. Silva e Fraga não tinham passagens pela polícia.

Região concentra uma em quatro mortes na cidade

Outra linha de investigação converge para a suposta participação de PMs na chacina. É do conhecimento de policiais de Alvorada que Mayer teria uma desavença com PMs por causa de prisões. Seguidamente, ele se queixava de perseguições.

A região onde ocorreu a chacina é uma das mais conflagradas pelo tráfico de drogas – tem cerca de oito bocas de fumo – e por assassinatos. Um em cada quatro homicídios em Alvorada (média de oito por mês) acontece lá. Por causa disso, vem sendo vasculhada em constantes operações policiais.

Na última terça-feira, em uma das bocas, agentes da 1ª DP apreenderam quatro pistolas, uma espingarda e um revólver e porções que seriam de óxi ou crack. A ofensiva colocou em fuga quatro criminosos, abrindo espaço para outros traficantes tomarem conta do lugar, e existe a possibilidade da chacina ter ocorrido por causa disso.

Servidor e carpinteiro estão entre as vítimas

Em uma casa humilde do bairro Salomé, a família do funcionário público Celso Santos da Silva, 45 anos, chorava o efeito colateral da chacina. Celso era avô de três netos e deixou quatro filhos, entre eles um menino de 10 anos e uma adolescente de 16 anos. A mulher dele, Lindalva Silva da Silva, 45 anos, disse que Celso nunca roubou “uma agulha de ninguém”:

– Era um trabalhador e morreu de graça.

Com problemas renais, Lindalva vive uma rotina dura de hemodiálises. O marido era a sua salvação, já que ele seria o doador de um rim à mulher. Mas a necessidade o teria levado até aquele bar da Rua Vitória do Povo na noite de quarta. É que Celso teria ficado com uma dívida de R$ 5 mil por um bar que a família manteve no mesmo bairro durante algum tempo. Já havia tentado de todas as formas saldar as contas com fornecedores. Um pedido de empréstimo ao outro comerciante era sua última alternativa.

– Eles nem se conheciam direito, mas era uma tentativa do Celso – afirmou ela.

Assim como ele, o carpinteiro Marco Aurélio Costa Fraga, 37 anos, foi outra vítima inocente da chacina. Segundo os vizinhos, na noite de quarta ele teria ido até as proximidades do bar para buscar um irmão. Os dois trabalhavam juntos e teriam uma empreitada na manhã seguinte.