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sexta-feira, 8 de julho de 2011

CASO JUAN - RELATÓRIO DA PM CULPA O TRÁFICO


PM faz relatório culpando o tráfico por desaparecimento de Juan - Marcos Nunes, EXTRA 08/07/2011 às 08:26

Baleado por PMs durante o episódio em que o menino Juan de Morais acabou morto, Wanderson dos Santos de Assis, de 19, foi tratado como traficante em relatório de inteligência da Polícia Militar, um dia após receber a liberdade provisória. Datado de 1º de julho, o documento foi expedido pelo setor de inteligência do 20º BPM(Mesquita), e atribuiu o então desaparecimento do menor a traficantes do bairro Danon, em Nova Iguaçu.

O relatório assinado por um oficial do 20º BPM, unidade dos PMs envolvidos no caso Juan, faz referência a uma informação recebida pelo Disque-Denúncia (2253-1177) em maio, cujo o número é 12139-5/2011. No documento, consta que homens conhecidos como Jeferson, Igor, Clayton e Felipe vendiam maconha, cocaína e andavam armados na Rua Maurício Danon.

O relatório afirma que Igor, citado na informação, é possivelmente Igor Souza Afonso, morto na operação onde Juan desapareceu. Em seguida, o documento associa Wanderson a Clayton, um dos traficantes da denúncia. "O elemento Wanderson, que está custodiado, atenderia também pela alcunha de Clayton", diz.

O documento atribui a moradores a informação de que traficantes seriam os responsáveis pelo sumiço do menor. "(...) Em contato feito com moradores (...), que apavoradamente solicitaram não serem qualificados (...) pré atribuíram o desaparecimento do menor a marginais locais citados na denúncia.".

Juiz diz que não houve flagrante

Wanderson dos Santos teve as algemas retiradas da cama do Hospital de Saracuruna, após decisão do juiz Márcio Alexandre Pacheco Silva, da 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu. No despacho que concedeu a liberdade para o rapaz, que tem carteira assinada e trabalha em uma loja de doces, o juiz diz não haver constatação de que ele praticou algum ilícito: "Examinando o pedido de liberdade provisória, é certo concluir pela inexistência do flagrante (auto de resistência lavrado por PMs na delegacia de Comendador Soares) e ensejar pela imediata soltura do indiciado." Em seguida, o juiz conclui que Wanderson não praticou crime. "(...) O indiciado, no dia do fato, foi levado ao hospital pelo próprio pai, por encontra-se baleado, não havendo até o momento quaisquer elementos que o indiciem em flagrância de qualquer delito."