ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 23 de julho de 2011

APARATO QUESTIONADO NA PRISÃO DE MÉDICO

Cremers quer explicações sobre prisão de médico - ZERO HORA 23/07/2011

O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) pedirá explicações ao governador Tarso Genro sobre a prisão de um neurocirurgião na quarta-feira. A operação da Polícia Civil que contou com quatro delegados e 30 policiais foi chamada de “show” e “pirotecnia” pelo presidente da entidade, Fernando Weber Matos.

O neurocirurgião Eduardo Mello Rodrigues, 33 anos, foi detido por agentes comandados pelo titular da 1ª Delegacia de Polícia Civil de São Leopoldo, Marco Antonio Duarte de Souza, em operação no Hospital Centenário e no consultório particular do médico, no centro do município. Rodrigues, que é suspeito de induzir pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) a buscarem atendimento pago em seu consultório, ficou preso um dia. Atualmente, está em casa, e a recomendação do Cremers é de que lá permaneça.

Weber Matos criticou duramente a ação da Polícia Civil. Para o presidente, o médico é suspeito, e teria havido pré-julgamento por parte dos policiais. Ele considera que a abordagem contou com reforço exagerado e prejudicou a imagem do profissional.

– Só se via isso na ditadura. Tem gente sendo roubada na rua, e a polícia não usa todo esse aparato. Foi feito para humilhar e degradar a pessoa, ou para mostrar força, mostrar serviço, não sei – afirmou.

O Cremers deve ouvir o médico e uma sindicância apurará se ele é culpado ou não. O pedido oficial de explicações ao governador deve ser feito até a metade da semana que vem.

O delegado responsável pelo caso disse que já esperava essa reação do Cremers. Ele argumentou que, quando se mexe com “nichos sociais mais elevados”, é comum que ocorram alegações como a de a operação policial ter sido pirotécnica.

– Me assusta o Cremers fazer essa alegação porque seria o primeiro interessado em saber do acontecido. A gente vê que as instituições tentam se blindar de uma forma que é contraproducente – argumentou o delegado Marco Antonio Duarte de Souza.


Entenda o caso

- Em 20 de julho, um forte aparato policial entrou às 9h simultaneamente no Hospital Centenário e no consultório do neurocirurgião Eduardo Mello Rodrigues, 33 anos, em São Leopoldo. Quatro delegados e 30 policiais em várias viaturas cumpriram mandado de busca e apreensão nos locais, prendendo o médico e recolhendo documentos.

- Rodrigues é suspeito de cobrar por consultas, exames e cirurgias que devem ser prestados à população gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

- O médico foi suspenso preventivamente por 60 dias pela diretoria do hospital, que abriu processo administrativo disciplinar. O Cremers fará sindicância para apurar as responsabilidades do profissional.