ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O PIOR SALÁRIO - COMANDANTE DIZ QUE PROTESTO "JÁ ULTRAPASSOU OS LIMITES"

ENTREVISTA. “Já ultrapassou os limites”. Sérgio Roberto de Abreu, comandante-geral da Brigada Militar - ZERO HORA 01/09/2011

Sob o fogo cerrado de manifestantes que queimam pneus em rodovias reivindicando melhores salários a PMs, o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Sérgio Roberto de Abreu, afirma que acabar com os protestos e identificar os autores são prioridades. Apesar de estar à frente do comando em um momento de turbulência, Sérgio refuta a existência de uma onda de insurgência, garante que a BM presta seus serviços normalmente e diz que pressões fazem parte do cotidiano. A seguir trechos da entrevista concedida a ZH durante o Seminário Nacional de Polícia Comunitária, na Capital.

Zero Hora – Os protestos por melhores salários de PMs nas estradas não param. Não há registro na história recente da BM de situação semelhante. A hierarquia foi quebrada na BM?

Sérgio Roberto de Abreu – Não. Até acho exagero a abordagem de algumas reportagens, falando em insubordinação. Pelo contrário, as atividades dos quartéis funcionam normalmente. Os termos insubordinação e revolta são exagerados, que não refletem o cotidiano da BM. As atividades da BM não sofrem prejuízo. Por isso, eu entendo que quem está fazendo isso não seja os PMs que estão trabalhando no dia a dia.

ZH – Quem são essas pessoas?

Sérgio – Não sabemos porque ainda não temos a identificação clara. Não podemos aceitar medidas radicais e dessa magnitude. Agora, já ultrapassou os limites. Se houve uma organização desse movimento, hoje ela não se mostra tão organizada assim e não atende a um comando.

ZH – O que o senhor tem feito para cessar essas manifestações que partem de pessoas ligadas à tropa, que tem como alicerce a disciplina?

Sérgio – Tomamos uma série de providências para prevenir essas ocorrências e identificar os autores. Esse tipo de atitude tem ocorrido em estradas federais, provocando dano, incêndio. Queimar pneu é crime ambiental. E nas estradas federais é um delito de combate imediato da Polícia Rodoviária Federal.

ZH – Mas mesmo que seja em rodovia federal, a BM não deveria atuar...

Sérgio – A BM não tem competência para atuar em rodovia federal. Está havendo uma confusão e colocando toda a responsabilidade na BM.

ZH – Nos sete protestos que a Abamf admite ter apoiado, a entidade será responsabilizada?

Sérgio – Estamos analisando qual a repercussão dessa declaração, se ela realmente assumiu. Estamos avaliando em que medida isso caracteriza infração.

ZH – Mas se ficar caracterizado, será punida?

Sérgio – Se tiver de responsabilizar A ou B por esse fato, na esfera de competência do comandante-geral da BM, será responsabilizado.

ZH – A dificuldade para solucionar a questão salarial é grande?

Sérgio – O governo está fazendo estudos. É um tema complexo. Entendemos que é necessário a recuperação salarial dos PMs.

ZH – A situação parece que tende a piorar. A Associação dos Oficiais (Asof) promete fazer protestos. Diz que vai impedir de rodar viatura com imposto atrasado ou sinaleira queimada, interditar estradas em mau estado de conservação, os bombeiros vão interditar prédio públicos em desacordo com a legislação. Como lidar com isso?

Sérgio – Não tenho conhecimento dessas afirmações. É preciso cautela nesse momento. A Asof tem de apresentar uma proposta para o governo, porque até agora não apresentou nada.

ZH – Os protestos desestabilizam o seu trabalho no dia a dia, causam desconforto?

Sérgio – Não. Estamos muito maduros. Temos toda uma estrutura interna que dá sustentação ao comando. São protestos localizados, não são generalizados.

ZH – Os protestos seriam um boicote ao governo e ao comando da BM?

Sérgio – Não entendo dessa forma, pois seria uma atitude muito leviana.

ZH – A pressão é muito grande?

Sérgio – Não me sinto pressionado.


Chama nas rodovias. Protestos nas estradas começaram em agosto: - As manifestações por melhores salários para os policais militares foram realizadas, desde o começo de agosto, em 19 municípios. Na madrugada de ontem, pneus queimados (foto acima) bloquearam trecho da estrada Rosário do Sul-Santana do Livramento (BR-158), em Rosário do Sul, município localizado na região da Campanha.