ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 24 de setembro de 2011

O PIOR SALÁRIO - EXPLOSIVO ELEVA TENSÃO NO RS

ESCALADA DE PROTESTOS. Atribuída a PMs insatisfeitos com salários, ameaça com artefato sem detonador encontrado na Capital põe Segurança em alerta - FRANCISCO AMORIM - ZERO HORA 24/09/2011

A localização de um artefato semelhante a uma bomba em frente a um posto da Brigada Militar no centro da Capital, a menos de 300 metros do Palácio Piratini, na manhã de ontem, é o mais recente e grave episódio da escalada dos protestos atribuídos a policiais militares descontentes com os salários. Apesar de ainda não haver confirmação do Instituto-geral de Perícias, representantes do governo afirmam que o objeto conteria uma emulsão explosiva semelhante à usada em pedreiras, embora não estivesse conectada a um detonador.

– Pela primeira vez, encontramos uma emulsão explosiva. Isso não é protesto. É algo ilegal, criminoso – disse Flávio Koutzii, secretário de Coordenação de Assessoramento Superior do governo do Estado.

Diferentemente do boneco com falso explosivo que mobilizou a polícia no dia 15, também no Centro, a peça encontrada ontem chamou a atenção pela disposição de seus componentes:

– Tinha todos os elementos de uma bomba, estava montada como se fosse, só não estavam conectados – explicou o comandante-geral da BM, coronel Sérgio de Abreu.

O ato ocorreu no dia em que o governo do Estado enviou à Assembleia o projeto de lei que prevê reajuste de 23,5% a soldados e de 11% a 18% para sargentos e tenentes. Aceita pela base da corporação, a proposta foi recusada pelos PMs de mais alta patente. Para Koutzii, a ameaça de ontem pode não ter relação direta com o pleito salarial, mas uma conotação política:

– E se a moda pega? É muito provável que esse tipo de ação obscura tenha motivação de interesse político contrário a um governo democrático.

O secretário da Segurança, Airton Michels, disse que já foram identificados PMs entre os suspeitos:

– Isso não é protesto. Quem está praticando esses crimes será responsabilizado por formação de quadrilha.

Apesar de o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) ter sido acionado, foi o subcomandante-geral da BM, coronel Altair de Freitas Cunha, que retirou o artefato na Rua Fenando Machado. O oficial disse que o explosivo não estava conectado a um detonador (no caso, um celular deixado junto ao demais componentes). O material é um gel, chamado de emulsão pelos peritos. Há suspeita de que seja C-4, poderoso explosivo usado por militares e em minas.

ESCALADA DE PROTESTOS. Foram longe demais - HUMBERTO TREZZI

Mesmo sem confirmação por parte dos peritos criminais, o coronel Altair Cunha, subcomandante-geral da BM confidenciou a amigos que o artefato usado em protesto por melhores salários dos PMs contém mesmo material explosivo. A emulsão (que pode ser nitrato de amônio ou nitrato de sódio) não estaria conectada a um detonador, algo fundamental para causar a explosão. Só por isso o próprio Cunha retirou o objeto de onde estava, a um quarteirão do Palácio Piratini.

O fato de estar sem detonador conectado não torna inofensiva a sabotagem armada por quem deseja emparedar o governo. A tática é terrorista, embora a bomba não tenha explodido. Atrapalha o trânsito, atrasa compromissos, inferniza a vida do cidadão. E fica a pergunta: por que todos têm de pagar pela insatisfação de uma categoria profissional, mesmo que ela tenha suas razões?

Para além desse problema, surge outro, mais complexo. Até onde irá a intransigência dos que armam o protesto? Na Bolívia, é comum mineiros usarem explosivos nas greves. Convenhamos, é tática de criminoso. Há três dias, sequestradores amarraram dinamite no corpo de um refém, em Niterói (RJ), para forçar pagamento de resgate. Os que falam em nome do melhor soldo para policiais concordam com extorsões como essas? Se assim o fazem, trocaram de lado na lei. E de profissão. Cabe ao governo encontrar logo os autores desses trotes de mau gosto. A sociedade merece respostas.

Policiais civis ainda sem acordo - Humberto Trezzi

Terminou sem acordo a reunião entre o governo estadual e representantes de policiais civis e servidores penitenciários na tarde de ontem. O Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia (Ugeirm) pede um índice maior de reajuste do que o oferecido pelo Piratini, que propõe aumento de R$ 91 sobre o salário básico (o mesmo oferecido a PMs). Considerado um benefício ganho por todos os agentes, o aumento, na prática, chegaria a R$ 293. A proposta representa reajuste de 13,6% para escrivães e inspetores de primeira classe. Os policiais pedem R$ 120 sobre o básico.

– Não houve avanço, mas estamos abertos à negociação. A nossa preocupação é com o agente de primeira classe, que tem menor salário – disse o presidente do Ugeirm, Isaac Ortiz.

Conforme a assessoria de imprensa da Casa Civil, um novo encontro deve ocorrer no início da próxima semana. Está confirmada paralisação dos policiais civis nos dias 28 e 29.


Outro protesto - Santa Maria – Um ônibus que se dirigia de Porto Alegre a São Borja pela BR-287, teve de parar por volta da 0h30min de ontem, perto do km 275. Tratava-se de uma barricada de pneus queimando na cabeceira da ponte sobre o Rio Ibicuí-Mirim, que fica no limite do município com São Pedro do Sul. Um policial que estava no ônibus desceu e apagou o fogo. Preso à placa de identificação da ponte, estava um boneco da BM.