ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O PIOR SALÁRIO - "RACHA" NA BM


Decisões sinalizam para ''racha'' na BM. Associações da BM foram recebidas por representantes da Casa Civil - Crédito: ARTHUR PULS

Um racha entre os servidores de nível médio da Brigada Militar pode ocorrer antes mesmo da reunião com o governo para discutir o aumento à categoria. Enquanto a Associação dos Sargentos, Subtenentes e Tenentes da BM (ASSTBM) decidiu, ontem, rejeitar a proposta de reposição salarial apresentada pelo governo do Estado, a Associação Beneficente Antônio Mendes Filho (Abamf), que congrega soldados e cabos, aceitou o índice de reajuste.

O presidente da ASSTBM, Aparício Santellano, disse que as assembleias realizadas na Capital e no Interior mostraram que os servidores não estão satisfeitos com a proposta do governo, por não atender às necessidades da categoria. Santellano apontou que um dos principais pontos de discussão é o escalonamento proposto pelo Executivo. "Ou todos recebemos percentual igual, ou então será nada", frisou, sem descartar a possibilidade de continuidade - e até intensificação dos protestos, como vêm ocorrendo nas últimas semanas no RS.

O Estado propôs 18% aos sargentos, 11% aos tenentes e aumentos proporcionais entre esses dois índices para as funções intermediárias. Propôs ainda ampliar o número de vagas para promoções até 2.800, sendo 700 ainda em 2011; 700 em 2012; 700 em 2013; e 700 em 2014. O governo também manterá as negociações sobre a matriz salarial da categoria visando o reajuste a ser concedido em 2012.

Um soldado com 21 anos de BM, que pediu para não ter o nome divulgado, disse que os soldados e cabos têm que aceitar a proposta do Piratini. "Em breve, os oficiais e os delegados de Polícia começam as suas campanhas salariais e corrermos o risco de ficar para trás", ressaltou.

Um sargento, que na tarde de ontem participava do policiamento ostensivo, pensa exatamente o contrário. Para ele, tem que haver uma união da categoria para alcançar um índice maior. "Não podemos ficar lutando entre nós, a hora é de união", ressaltou.

PMs do Interior fazem protesto

Um grupo formado por PMs da ativa e inativos e seus respectivos familiares esteve mobilizado ontem em frente ao Palácio Piratini. O ato, organizado pela Federação das 22 Associações Regionais Independentes da Brigada Militar (FERPM-RS), marcou mais um capítulo no embate envolvendo entidades representativas de servidores da corporação e o governo do Estado. Buscando mais espaço nas negociações, dirigentes da federação foram recebidos por representantes da Casa Civil, no Palácio Piratini.

O movimento tem como objetivo dar voz às associações, em especial às do Interior, sobre as negociações com o Executivo. Por intermédio do protesto, os PMs demonstraram à sociedade a situação crítica em que vivem. Em relação às outras entidades que estão negociando a reposição salarial, a federação tem posições contrárias - o que reforça a necessidade de ampliar o debate. Os servidores querem reajuste imediato de 25%, de maneira linear e não parcelado. Além disso, esperam que o governo apresente uma política de reajuste até 2014, fazendo com que o salário básico fique em R$ 3,2 mil, como foi prometido pelo então candidato Tarso Genro.