ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

LADOS OPOSTOS - REAJUSTE DIVIDE A TROPA DA BRIGADA

Com proposta de índices menores, sargentos e tenentes podem causar racha com soldados, de maioria favorável a aumento - CARLOS WAGNER E FRANCISCO AMORIM, ZERO HORA 21/09/2011

Dependerá dos policiais de maiores patentes – sargentos e tenentes – a aprovação da proposta de reajuste feita pelo governo do Estado aos servidores da Brigada Militar, o que pode gerar divisão na corporação. Uma apuração extraoficial feita por Zero Hora sobre o resultado das assembleias regionais da associação de cabos e soldados, a Abamf, aponta que nove das suas 13 regionais foram a favor da proposta do governo, que prevê 23,5% de aumento para esses cargos, mas valores menores aos sargentos e tenentes (18,15% e 10,5%).

Outras duas regiões votaram parcialmente a favor, com a ressalva de que se discuta a possibilidade de o reajuste ser linear para as três patentes. Apenas as regionais de Uruguaiana e Três Passos foram contra a oferta do governador Tarso Genro.

A decisão dos soldados pode promover um racha entre as entidades que representam os PMs, já que entre sargentos e tenentes, a tendência é a de não aceitar o reajuste salarial que está sendo proposto.

Ontem, nenhum integrante da direção da Associação Antonio Mendes Filho (Abamf) foi localizado para comentar a posição dos soldados. A entidade, que até agora defendia a linearidade, tenderá a fechar acordo com o governo, para não correr o risco de perder legitimidade entre seus associados.

Entre as outras patentes, a conversa é outra. Uma avaliação preliminar nos resultados das reuniões de nove dos 10 núcleos espalhados pelo território gaúcho da Associação dos Sargentos, Subtenentes e Tenentes da Brigada Militar (Asstbm) revela que esses PMs estão insatisfeitos com o governo e podem resistir ao acordo. Representante do governo à mesa de negociações, o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, prefere não adiantar uma possível posição do Piratini em caso de racha entre as duas entidades.

– Nós vamos conversar. Ainda temos a expectativa de convencer os sargentos e tenentes a concordar com a proposta. Queremos dar um salário melhor, mas não é possível estender o mesmo reajuste a todos nesse momento. Temos evoluído muito na mesa de negociação. Eu não gostaria de antecipar uma posição antes da próxima reunião – desconversa Pestana.

Sargentos e tenentes analisam proposta hoje

Hoje, o núcleo da Região Metropolitana da Asstbm deverá se reunir para votar a proposta. Logo a seguir, ocorrerá uma reunião com todos os representantes de núcleos, quando deverá sair a posição oficial da entidade sobre o reajuste oferecido pelo Estado, informou ontem Olivo dos Santos Moura, vice-presidente da Asstbm. Cauteloso, ele diz que os núcleos no Interior iniciaram a discussão da proposta salarial na sexta-feira passada.

– Não vou adiantar o resultados das votações dos núcleos, mas há uma tendência de recusa da proposta – comenta Moura.

Apesar da aparente recusa, a Asstbm não havia esboçado uma contraproposta para o governo.