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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O PIOR SALÁRIO - PROPOSTA NA MESA

PMs pressionam por aprovação. Enquanto sargentos e tenentes estudam índice menor de aumento, assembleias de soldados da BM apontam aceitação de reajuste - PEDRO MOREIRA, zero hora 20/09/2011

Das seis regionais da Associação Beneficente Antonio Mendes Filho (Abamf) que tiveram divulgado oficialmente ontem o resultado de assembleia para analisar o reajuste de 23,5% oferecido pelo governo estadual aos cabos e soldados, apenas o núcleo da Porto Alegre adotou posição contrária. A regional da Capital exige o mesmo percentual de aumento para os sargentos e os tenentes. Embora o resultado de todas as 13 regiões não tenha sido divulgado, fontes da associação afirmam que a maioria dos núcleos da entidade já teria aprovado a proposta do governo estadual.

Alegando não ter em mãos o resultado de todas as regionais, o presidente da Abamf, Leonel Lucas, pediu o adiamento da reunião com o governo prevista para ontem. Extraoficialmente, a demora em apresentar o resultado seria uma estratégia para reforçar o posicionamento da Associação dos Sargentos, Subtenentes e Tenentes da Brigada Militar, que vai analisar a proposta do governo em reunião amanhã.

Os sargentos e tenentes estão descontentes com o fato de o índice de reajuste proposto (de 10,5% a 18,15%) ser menor do que o oferecido aos soldados. A postura de Lucas de aguardar o posicionamento dos representantes de classe de maior patente já estaria, inclusive, causando descontentamentos a alguns filiados à associação.

– Eles (soldados) estão perguntando: e aí, quem vai pagar o meu salário se o governo não der o aumento? – teria dito um policial.

Lucas, que afirmou domingo que as regionais de Caxias do Sul, Santa Cruz e Novo Hamburgo haviam vinculado a aprovação da proposta à adoção do mesmo percentual a sargentos e tenentes, não confirmou a informação. Representantes das regionais de Novo Hamburgo e Caxias afirmaram ontem ter sido aprovada a proposta do governo. ZH tentou contato com Lucas por telefone ontem, sem sucesso. Depois que todas as regionais decidirem, é feita contagem por maioria simples – cada núcleo tem direito a um voto.

A Casa Civil informou que o encontro deve ser remarcado para quinta-feira. Apesar do cancelamento da reunião, o governador Tarso Genro demonstrou confiança em um acordo. Tarso ressaltou que a proposta fará com que os policiais gaúchos não tenham mais a pior remuneração do país. E afirmou que não negociará com manifestantes não identificados:

– Não (respeitamos) aqueles que, na clandestinidade, estão bancando ninjas e queimando pneus.

Na madrugada de ontem, houve um protesto com queima de pneus na BR-392, em Rio Grande.


Saiba mais

- O soldo básico dos soldados da Brigada Militar é de R$ 1.246 mensais. A maioria ganha cerca de R$ 1,8 mil, se contadas as horas extras.

- Descontentes com os salários, policiais iniciaram uma série de protestos com queima de pneus em rodovias gaúchas no início de agosto.

- Para tentar pacificar os policiais insatisfeitos, o governo do Estado propôs, no dia 12, um abono de R$ 300, ampliando o vencimento básico de R$ 1.246 para R$ 1.546 para ativos e inativos. O valor representaria um reajuste de cerca de 25% para os soldados, pago em duas parcelas (R$ 140 em outubro deste ano e R$ 160 em abril de 2012).

- Sob dúvidas de que o valor seria incorporado ao salário, o abono foi rejeitado.

- Na quinta-feira, o governo ofereceu o reajuste sobre o vencimento básico da categoria, dividido em duas etapas: outubro de 2011 e abril de 2012. Para soldados, o reajuste acumulado será de 23,5%, no caso de sargentos, será de 18,15% e para tenentes, de 10,5%. As funções intermediárias receberão reajustes proporcionais entre esses dois índices.

Proposta de R$ 91 a policiais civis

Motivados pelo reajuste oferecido à BM, policiais civis reuniram-se com o governo ontem à tarde no Piratini para pedir que não seja valorizado apenas um setor da Segurança Pública. O governo ofereceu aumento de R$ 91 sobre o salário básico.

Considerando um benefício ganho sobre o salário básico por todos os agentes, o aumento, na prática, chegaria a R$ 293. A proposta representa reajuste 13,6% para escrivãos e inspetores de primeira classe, mas os civis querem 25%. O governo trabalha com aumento de R$ 40 para outubro e o restante em abril do ano que vem.