ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

HEROÍSMO - BANDIDOS MATAM POLICIAL EM ASSALTO NO INTERIOR DO RS

CONFRONTO NO INTERIOR. Assaltantes matam policial. Ao reagir a ataque a posto em Cachoeira do Sul, agente de 29 anos foi baleado na troca de tiros - LIZIE ANTONELLO, zero hora 06/09/2011

Clientes e funcionários de um posto de combustíveis de Cachoeira do Sul viveram momentos de terror no início da madrugada de ontem. Uma quadrilha chegou atirando ao posto Laranjeiras, às margens da rodovia Porto Alegre-Uruguaiana (BR-290), matou um policial civil, roubou dinheiro e fez dois reféns.

Passava da meia-noite, quando dois funcionários do estabelecimento e dois policiais – um civil e um militar, que estariam no local como clientes, assistindo à TV em uma loja no posto, – foram surpreendidos por quatro assaltantes que chegaram em uma Strada, já disparando contra eles. O policial civil Diego Veiga dos Santos, 29 anos, e o amigo dele, um soldado da BM de 40 anos, pularam para trás de um balcão e reagiram, trocando tiros com os bandidos. Santos foi atingido com um único tiro no lado esquerdo do peito. Ele morreu no local. O PM teria disparado os cinco tiros que tinha no seu revólver. Sem munição, o soldado teria saído da loja por uma passagem lateral. Ele não se feriu.

Após o confronto, os criminosos renderam clientes que chegavam para abastecer. Uma Hilux foi roubada. Os dois frentistas foram obrigados a encher o tanque dos veículos usados na fuga dos ladrões – a Strada e a Hilux roubada. Um dos funcionários também foi forçado a pegar o dinheiro na loja – cerca de R$ 5 mil – e entregá-lo aos bandidos. O bando voltou ao interior da loja para verificar se o policial estava morto e tomou sua arma. Eles usaram os clientes e os frentistas como escudos, na tentativa de encontrar mais dinheiro.

Como as demais peças estavam trancadas, eles desistiram, levando os dois frentistas reféns, um cada veículo. Os dois foram liberados a pouco mais de um quilômetro de distância, às margens da BR-290. Os bandidos teriam seguido em direção a Santa Maria. A Hilux foi abandonada nas proximidades.

Na manhã de ontem, a loja já havia sido limpa, mas foi possível contar pelo menos 12 disparos. Segundo a Polícia Civil, os bandidos teriam usado pelo menos uma arma de cano longo, e uma pistola .380. A Polícia Civil de Cachoeira está investigando o caso, com apoio das delegacias de São Sepé e Caçapava do Sul.

– Estamos trabalhando com a hipótese de latrocínio (roubo com morte) – disse o delegado José Antônio Taschetto Mota.

Tristeza na despedida

Amigos, parentes e colegas de trabalho foram até a Capela São Vicente de Paulo, em São Sepé, na tarde de ontem, se despedir de Diego Veiga dos Santos. O policial civil tinha uma filha de 12 anos do primeiro casamento e um filho de quatro meses da relação com a atual companheira.

Santos era formado em Direito e trabalhava havia três anos na DP de São Sepé. Segundo colegas de trabalho, ele entrou para a Polícia Civil em março de 2008, ficou alguns meses em Arroio do Tigre e, depois, foi para São Sepé, sua terra natal.

– Ele era um profissional atencioso, sempre pronto para ajudar os colegas. O filhinho era o orgulho dele – comentou um dos colegas, que preferiu não se identificar.

O delegado regional de Polícia Civil, Marcelo Arigony, comentou a ação:

– Eles reagiram como tentativa de sobrevivência. Não tiveram opção.


“Me atirei no chão para me fingir de morto”. Frentista feito refém por quadrilha

Um dos frentistas do posto de combustíveis assaltado na madrugada de ontem em Cachoeira do Sul, que pediu para ter o nome preservado, contou os momentos de terror. Leia trechos da entrevista concedida ao jornal Diário de Santa Maria, do Grupo RBS:

Diário de Santa Maria – Como ocorreu o assalto?

Frentista – Estávamos assistindo à TV e os policiais tomando café. Vimos a caminhonete que chegou correndo, estacionou e eles (bandidos) apareceram pelo vidro. E começou a troca de tiros com os policiais.

DSM – O que você fez?

Frentista – Me atirei no chão, entre os vidros e o balcão, para me fingir de morto. Baixei a cabeça e não vi mais nada.

DSM – O que aconteceu na sequência?

Frentista – Eles me disseram: “Vai para fora alemão, se não vamos te matar”. Coloquei a mão na cabeça e saí.

DSM – Em que momento te fizeram refém?

Frentista – Eles pediram mais dinheiro, mas eu disse que estava na outra peça, chaveada. Eles deram uns pontapés e não conseguiram abrir (a porta). Eles me fizeram de escudo e foram ver se o policial estava morto. Aí um deles me disse: “Fica na tua que não vai sobrar pra ti”. Me colocou na caminhonete (Strada). O outro frentista foi levado pelos outros na outra caminhonete (Hilux). Me levou até a primeira ponte, cerca de um quilômetro em direção a Porto Alegre, me largou e disse: “Corre para o mato.”

DSN – Como conseguiu ajuda?

Frentista – Fiquei escondido no matagal e vi um cara correndo no asfalto e entrando no mato. Chamei (o nome do colega) e ele veio. Fomos pelo mato até a casa de um conhecido. Pedi o telefone e liguei para minha família e para o dono do posto.

DSM – Em que momento sentiu mais medo?

Frentista – A hora que estava no chão, com tiros para todo o lado, achei que iam matar nós todos.