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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

DESVIO DE CONDUTA - EXPULSÃO DE PMs ACUSADOS DE CRIME

Desvio de conduta. Mais 30 PMs acusados de crimes são expulsos da corporação - O GLOBO, 31/07/2011 às 23h26m; Gustavo Goulart (gus@oglobo.com.br) e Luiz Gustavo Schmitt

RIO - A Polícia Militar publicou no boletim interno da corporação da última sexta-feira a expulsão de 30 PMs por desvio de conduta. Eles são acusados de terem cometido crimes como tortura, formação de quadrilha e tentativa de homicídio. O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, disse ontem que as demissões são resultado da atuação da nova corregedoria interna, que há três semanas ocupa uma nova sede, em São Gonçalo.

- Isso (numa referência ao trabalho dos corregedores) faz parte de um processo de aceleração desses julgamentos - disse o comandante, que mandou um recado para os policiais corruptos: - Quem deseja trabalhar honestamente nunca precisará temer a corregedoria. Que esse caso sirva de exemplo.

Acusados de envolvimento com milícia e tráfico

Entre os policiais expulsos, dois são citados no relatório da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Lotado no 21 BPM (São João de Meriti), o cabo Juracy Alves Prudêncio é, segundo a polícia, o chefe de um grupo paramilitar responsável por mais de cem execuções na Baixada Fluminense.

Além dele, o soldado Izan Chaves de Melo, do 7 BPM (São Gonçalo), foi denunciado por latrocínio e ocultação de cadáver junto com um soldado da PM e outros dois policiais civis. Eles são acusados de matar a comerciante chinesa Ye Guoe, de 35 anos, em julho de 2009. Guoe foi sequestrada logo depois de trocar R$ 220 mil por dólares numa casa de câmbio num shopping da Barra.

Apesar de seu nome não constar no relatório da CPI, Daumir Pereira Barbosa também foi expulso da corporação por envolvimento com grupos paramilitares de Rio das Pedras, segundo investigação do Ministério Público (MP) estadual.

Há ainda outros dois cabos exonerados por envolvimento com a máfia de caça-níqueis que atuava na Zona Oeste do Rio. Jorge Feliz de Souza e Luciano Barros de Novaes foram condenados, em dezembro, pela Justiça Federal do Rio junto com outras 13 pessoas. Eles são acusados de crimes como formação de quadrilha armada, contrabando e corrupção.

Praças teriam participado de sequestro

Um dos policiais demitidos, o segundo-sargento João Bezerra dos Santos, do 32 BPM (Macaé), é suspeito de participar da quadrilha do traficante Rogério Mosqueira, o Roupinol, que foi morto ano passado pela polícia.

Também estão entre os PMs excluídos, o cabo Marcelo Machado Carneiro e o soldado Rodrigo Nogueira Batista, que eram do extinto 1 BPM (Estácio). Em maio, eles foram condenados pela Auditoria da Justiça Militar por furto qualificado, extorsão mediante sequestro e atentado violento ao pudor. De acordo com a polícia, Carneiro e Batista sequestraram, em novembro de 2009, uma vendedora, de 21 anos, que supostamente seria mulher de um traficante do Morro de São Carlos. Para libertá-la, exigiram R$ 20 mil.

A vítima foi levada para o Alto da Boa Vista. Lá, levou um tiro de fuzil em seu rosto e foi jogada num matagal. A mulher sobreviveu e foi socorrida por um ciclista que passava pelo local. Dias depois, ela reconheceu os PMs na 6 DP (Cidade Nova).
Há ainda na lista dos militares demitidos o soldado Glauco Telles do 17 BPM (Ilha do Governador). Ele é acusado de participar de um assalto a dois grupos de pessoas na Lagoa, junto com um comparsa.

Beltrame demitiu sete policiais civis

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, demitiu na última sexta-feira sete inspetores da polícia civil. Beltrame também pediu autorização à Justiça para expulsar quatro oficiais da PM. Dois deles são citados na CPI das Milícias como integrantes da cúpula do grupo paramilitar que atua na comunidade de Rio das Pedras, em Jacarepaguá. Os demais oficiais são acusados de ligações com a máfia dos caça-níqueis.