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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

CASO JUNDIÁ - JUSTIÇA REVOGA PRISÃO ALEGANDO QUE SUSPEITO ESTAVA FORA DO RS

PRISÃO REVOGADA. Juiz diz que Jundiá estava fora do RS. Documento atestaria que suspeito trabalhou e estudou no dia do estupro - CARLOS WAGNER, ZERO HORA 12/08/2011

Foi revogada ontem a prisão preventiva de Jacson Nauta de Quadros, 19 anos, conhecido como Jundiá. A decisão do juiz Maurício Ramires, da 3ª Vara Criminal de Novo Hamburgo, deu-se a partir de informações que teriam sido obtidas pelo juiz da Vara Regional da Infância e Juventude de Novo Hamburgo, João Carlos Corrêa Grey, de que o suspeito não estava no Estado no dia 5 de agosto, em que uma jovem de 21 anos foi estuprada.

Ramires não fala sobre a decisão por entender que o caso está em segredo de Justiça, já que envolve crime sexual. Pelo crime, um homem foi preso e um adolescente apreendido pelos agentes da 3ª Delegacia de Polícia Civil (3ª DP) de Novo Hamburgo. A participação de um terceiro suspeito segue sendo investigada.

Grey foi o magistrado que solicitou a inclusão do jovem no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (Ppcaam) por investigações relativas ao traficante Paulo Márcio Duarte da Silva, o Maradona. Baseado no depoimento da jovem estuprada e de testemunhas, os policiais pediram a prisão preventiva de Jundiá, que foi concedida por Ramires. Um dos argumentos era de que Jundiá teria desaparecido do programa há 45 dias. Grey, que deveria ter sido comunicado do desaparecimento nesse caso, solicitou esclarecimento ao Ministério Público Federal.

– Pedi informações e hoje (ontem) elas chegaram – explica Grey.

Por respeito ao sigilo do programa de proteção a testemunhas, o documento não pode vir a público. Segundo o juiz, há comprovantes de que, no dia do episódio e no dia seguinte, Jundiá compareceu ao trabalho e à escola. Além disso, ele era monitorado de dois em dois dias. Questionado por Zero Hora se, neste intervalo de dois dias, Jundiá poderia ter se deslocado até o Vale do Sinos e retornado a tempo para o lugar onde está escondido, o juiz respondeu:

– Só se tivesse alugado um jatinho, segundo o documento que recebi.

De acordo com Grey, o jovem teria ainda se colocado à disposição para coleta de material para exames de DNA. Perguntado sobre o rumo do processo caso o exame dos vestígios que o agressor deixou na vítima (que deve estar concluído nos próximos 30 dias) confirmar se tratar de Jundiá, o juiz respondeu:

– Não respondo sobre uma hipótese. Vamos aguardar.

A polícia não comenta a revogação da preventiva e a recomendação de Grey de que o foco da investigação seja mudado. O delegado regional do Vale do Sinos, Bolívar Llantada, disse que respeita a posição do Judiciário e que o trabalho em busca da verdade segue.


Entenda o caso

- Em 5 de agosto, uma jovem de 21 anos é sequestrada, torturada e estuprada na Vila Kephas, em Novo Hamburgo. Dois homens são suspeitos. Seria uma represália ao irmão da vítima, que teria dívida com um traficante.

- Em 8 de agosto, a Polícia Civil apresenta Jacson Nauta de Quadros, o Jundiá, 19 anos, como suspeito dos crimes. Quando adolescente, ele passou três anos recolhido após ter confessado 12 assassinatos e ter vínculo comprovado com seis deles.

- No dia seguinte, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos emite alerta à polícia gaúcha dizendo que Jundiá estaria em programa de proteção a testemunhas, longe do RS.

- Ontem, a Justiça revogou o pedido de prisão de Jundiá. Segundo informação do juiz da Infância e da Juventude João Carlos Corrêa Grey, documentos comprovam que ele teria estudado e trabalhado no dia do crime.

- O resultado de um exame de DNA comparando vestígios do estuprador da jovem e de Jundiá é aguardado.

No MP, vítima de estupro não reconheceu agressor

Em depoimento ao Ministério Público (MP), a jovem de 21 anos estuprada na sexta-feira passada em Novo Hamburgo jamais reconheceu que o seu agressor seria Jacson Nauta de Quadros, o Jundiá, 19 anos. A informação foi veiculada ontem na Rádio Gaúcha pelo juiz da Vara da Infância e da Juventude de Novo Hamburgo, João Carlos Corrêa Grey.

Grey afirmou não questionar o inquérito policial, mas diz que a investigação deveria ser revista. O magistrado aponta que teria ocorrido uma certa precipitação em divulgar o nome do suspeito:

– Eu li o depoimento que ela prestou perante o Ministério Público em Novo Hamburgo. Ela diz que não conhecia esse rapaz, o Jundiá. Durante a agressão, ele (o estuprador) teria segurado o rosto dela e dito “eu sou o Jundiá, já matei muitos, já estuprei tanto, não me custa mais matar um ou outro”, alguma coisa assim. Contrário ao depoimento anterior que foi veiculado, de que ela conhecia, teria estudado com ele. Então, isso não está batendo.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Este fato, se verdadeiro, deixa a polícia civil do RS desacreditada. Entretanto, a culpa é da desordem na área da justiça e segurança responsáveis pela preservação da ordem pública no Brasil. Parecem áreas divergentes, concorrentes, isoladas e extremamente independentes, onde cada uma cumpre seu papel sem se importar com a organização auxiliar ou complementar. Infelizmente, este caso é mais um que comprova a inexistência de um sistema de ordem pública no Brasil, mas instituições corporativas focando apenas suas atribuições sem se ater às demais organizações que auxiliam, complementam, dão continuidade e buscam a solução na preservação da paz social. Este "mico" é mais um na galeria do amadorismo brasileiro nas questões de ordem pública.

Sonho com o dia em que este sistema funcionará com instrumentos de coação, justiça e cidadania trabalhando integrados, de forma ágil e em harmonia, sem ingerências partidárias ou mazelas organizacionais, e voltados à solução das questões de ordem pública na preservação da paz social.