ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 27 de agosto de 2011

PIOR SALÁRIO - GOVERNO DO RS ACHA VERGONHOSO


TROPA INCENDIÁRIA. Piratini exige fim de queima de pneus - ZERO HORA 27/08/2011

Ao condicionar a negociação do aumento salarial ao fim dos protestos com queima de pneus nas estradas federais, o governo estadual deixou claro ontem à direção da Associação Beneficente Antonio Mendes Filhos (Abamf), que representa os servidores de nível médio da Brigada Militar (BM), que não quer ficar refém dos PMs descontentes.

Ao final do encontro de cerca de duas horas no Palácio Piratini, o presidente da Abamf, Leonel Lucas, e o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, anunciaram a suspensão das manifestações até quarta-feira, quando deverá ocorrer um novo encontro.

A reivindicação da Abamf é de que o salário de um soldado da Brigada passe dos atuais R$ 1,2 mil, em média, para R$ 3,2 mil. O reajuste seria escalonado ao longo de quatro anos. Alegando fatores econômicos que fogem do controle do governo, Pestana disse que o governo não pode se comprometer com um grande aumento a ser cumprido nos anos seguintes.

– Podemos nos comprometer a aumentar o salário em 16% (descontando 6,32% já concedidos) até março do ano seguinte, o que representa um aumento real bem significativo – afirmou o chefe da Casa Civil.

Embora o governo afirme que há um processo de negociação de salarial em andamento, Lucas considera que dificilmente teria ocorrido avanços se a tática de bloquear estradas não tivesse sido colocada em prática.

– De todos as policiais militares do país, nós recebemos o pior salário. Estamos agindo de acordo com a situação – afirma o presidente da Abamf.

Em Rio Grande, onde recebeu ontem uma condecoração da Marinha ao lado do ex-governador Olívio Dutra e palestrou para empresários, o governador Tarso Genro repudiou a tática de bloquear estradas:

– É uma mancha no bom prestígio da Brigada Militar com a sociedade. Um exemplo de como não se deve comportar uma corporação mediante negociação. Eu até desconfio que quem está fazendo isso está afim de sabotar as negociações que o governo do Estado está fazendo com a corporação.

O governador, no entanto, reconheceu que o salário do policiais militares gaúchos é “vergonhoso”.

ENTREVISTA: “É um movimento criminoso”. Sérgio Abreu, comandante-geral da Brigada Militar

Aos 51 anos, o comandante-geral da BM, coronel Sergio Abreu, enfrenta o maior desafio em três décadas de corporação: a insubordinação de setores da tropa. Na noite de ontem, após participar de reuniões com o secretário da Segurança Pública, Airton Michels, e o governador Tarso Genro, Abreu concedeu a seguinte entrevista a Zero Hora:

Zero Hora – Qual o dano que este movimento causa à hierarquia militar, o principal pilar da organização?

Sérgio Abreu – Nós temos de diferenciar o movimento em duas partes. Primeiro, há uma reinvindicação dos praças, que buscam melhoria salarial. É uma questão democrática. O segundo aspecto é a colocação de pneus queimando em rodovias. É um movimento criminoso, que fere a lei. Quem garante a ordem não faz desordem.

ZH – Qual o prejuízo que este movimento está causando à imagem da BM?

Abreu – O nosso grande receio é que a população possa associar estes movimentos à Brigada Militar. Mas a sociedade pode ficar tranquila porque isso não vai alterar a qualidade dos serviços prestados pela Brigada.

ZH – O senhor já deve ter em mão um relatório do serviço de inteligência da BM. Qual a dimensão deste movimento dentro dos quartéis?

Abreu – Atualmente não temos nenhuma interferência interna. É um movimento de fora da corporação, pontual, que não tem repercussão dentro da corporação. Certamente muitos PMs repudiam medidas extremas. Quem queima pneu numa rodovia realiza ato criminoso.

ZH – O senhor teme passar para a história como o comandante que tolerou táticas radicais nas manifestações de PMs?

Abreu – De forma alguma. Até porque nós não toleramos táticas radicais. Nós já determinamos aos comandos regionais ações das 0h às 6h, em rodovias estaduais, e estamos fazendo levantamentos junto a vulcanizadoras, também para verificar a questão dos pneus. A conta parece estar comigo, mas o que está acontecendo é nas rodovias federais. O nosso serviço de inteligência está se articulando com a inteligência da PRF para atuar de forma articulada.


CAMINHO PERIGOSO - PÁGINA 1O, ROSANE DE OLIVEIRA.Colaboraram Adriana Irion, Aline Mendes e Vivian Eichler

Das duas horas da conversa dos secretários Carlos Pestana, Airton Michels e Stela Farias com os líderes da Associação de Cabos e Soldados da Brigada Militar, ontem, 45 minutos foram gastos numa preliminar: o governo exige que cessem as manifestações violentas, como a queima de pneus e o bloqueio de estradas.

Advertidos de que, se os protestos violentos continuarem, a negociação será interrompida, os brigadianos se comprometeram a dar uma trégua até quarta-feira.

A preocupação é não se tornar refém dos brigadianos, passando à população a ideia de que o governo perdeu o controle sobre quem tem a responsabilidade de cuidar da segurança. Outra preocupação é com a possibilidade de outras categorias acharem que o caminho para negociar aumentos salariais é o da violência. O Piratini avisa que quem optar por esse caminho vai pegar o bonde errado.

Cada 1% de aumento linear para a Brigada Militar tem um impacto de R$ 27 milhões por ano nas contas do Estado. Os brigadianos pedem 25% a título de reposição de emergência.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Será que o impacto é medido quando se trata de reajustar nas alturas os salários do nobres deputados, magistrados e promotores públicos?!? Servidores públicos de serviços essenciais com saúde, educação e segurança são mal pagos porque, segundo fundamentações falaciosas e demagógicas, dão impacto negativo nos cofres públicos, enquanto que, mais próximas do dono do cofre onde podem se autoconceder ou pressionar quem de direito, categorias "nobres" estabelecem e aprovam para si salários privilegiados, estratosféricos e disparados daqueles que não têm o mesmo poder de influência. A estes restam as greves, os protestos e os levantes por vezes inúteis e impotentes, quando não são punidos ou multados pela justiça.


ESTRADAS EM CHAMAS

4 DE AGOSTO - BR-386, em Frederico Westphalen
SEGUNDA-FEIRA - BR-285, em Passo Fundo
TERÇA-FEIRA - BR-116, em Tapes e ERS-344, em Santa Rosa
QUARTA-FEIRA - BR-116, em Estância Velha e BR-153, em Erechim
ONTEM - BR-392, em Rio Grande ; BR-158, km 105 da rodovia Palmeira das Missões-Condor; BR-468, km 6 da rodovia Palmeira das Missões-Coronel Bicaco; ERS-118, em Gravataí ; Avenida Getúlio Vargas, em Alvorada ; e BR-472, em Três de Maio