ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

CRISE ENTRE POLÍCIAS - APERTOS DE MÃO E PROMESSAS


CRISE ENTRE POLÍCIAS. Apertos de mão e as promessas de sempre - MARJORIE BASSO - DIÁRIO CATARINENSE

O encontro de mais de três horas que reuniu a cúpula da Segurança no Estado, ontem de manhã, terminou quase como começou: discurso de atender bem a população e busca por soluções conjuntas para resolver os problemas “pontuais” de relacionamento entre as polícias Civil e Militar. O documento que, na teoria, vai definir o papel de cada corporação, na prática, parece ter pouco efeito. A PM diz que suas funções estão bem claras. E os policiais Civis dizem que basta seguir o que diz a Constituição.
Mais de três horas de conversa e nenhuma ação nova. Esse é o balanço da reunião da cúpula da Segurança Pública catarinense, realizada na manhã de ontem e solicitada pelo governador Raimundo Colombo, depois que o clima entre as polícias Militar e Civil pegou fogo nesta semana.

O encontro terminou com sorrisos, apertos de mão e um discurso repetido: não há conflito entre as instituições. É o que repetem o secretário de Segurança, César Grubba, e o comandante-geral da PM, coronel Nazareno Marcineiro. Mesmo em situações como as duras críticas à Polícia Civil feitas pelo tenente-coronel Luiz Rogério Kumlehn ex-comandante de Jaraguá do Sul.

Os dois se reuniram com o delegado-geral, Aldo Pinheiro D’Ávila, para colocar fim à relação tumultuada das corporações. Uma novidade que não deve interferir de imediato no trabalho das corporações, é que devem ocorrer novos encontros para colocar no papel as divergências, já levantadas, entre as polícias.

Além da formulação desse documento, a reunião não trouxe qualquer novidade, porque o governador Raimundo Colombo já havia adotado o discurso em entrevista. O único a não negar que há conflito foi o delegado Aldo D’Ávila. Ele destaca que o foco da reunião foi a “harmonização dos procedimentos”.

–A PC sempre teve e sempre terá um objetivo comum: proporcionar a melhor segurança para a população catarinense. Não temos outro foco dentro da nossa administração.

Questionado sobre a carta publicada no Diário Catarinense em que a Polícia MIlitar também critica alguns procedimentos adotados pela Civil , D’Ávila se esquivou. Segundo ele, não foram analisados “pleitos de classe”, a integração entre as polícias foi o objetivo principal do encontro.

Não há data para a formalização escrita dessas normas, tampouco para as próximas reuniões. Conforme a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança, os três líderes costumam se reunir sempre, pessoalmente ou pela internet, e o documento pode começar a ser confeccionado nessas ocasiões.

Para a PM, regras já estão claras

O comandante-geral da PM, por outro lado, entende que esse documento formulado a partir das reuniões não será propriamente como um regulamento, pois já existem normas que são do conhecimento dos oficiais e devem ser seguidas.

– Toda a nossa atuação é regulamentada desde a Constituição. Até os regulamentos internos de cada uma das organizações. Mas existem alguns pontos de interesse comum das polícias. Aí é que precisamos definir até onde vai a competência e responsabilidade de um e de outro.

A política de integração das polícias não foi o foco do encontro, mas ela continuará ocorrendo da mesma maneira, com implantação de novos softwares e acesso da PM ao Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp). Ao fim da reunião, o secretário, o comandante-geral da PM e o delegado-geral almoçaram um lanche na secretaria e seguiram para um evento em Blumenau.

Mesmo sem mudanças, a reunião não foi vista com bons olhos na Polícia Civil. Em uma das principais delegacias da Capital, o clima era hostil ontem. Delegados afirmando que as falhas da PM não são pontuais e que os oficiais sequer são qualificados.

O presidente da Associação dos Delegados (Adepol), Renato Hendges, não desmerece o papel dos militares, mas afirma ser contra a criação de uma comissão. Segundo ele, os fatos apontados não são pontuais. Para o delegado, o simples cumprimento da lei resolveria a questão.

O presidente da Associação de Oficiais Militares de SC (Acors), coronel Fred Schauffert, não comenta a reunião. Conforme ele, o que tinha para ser dito já foi falado em carta.