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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

GRAVAÇÕES EM AUDIO SERVIRÃO DE BASE PARA DENÚNCIA

"Prova lícita que pode ser utilizada", diz promotor sobre áudios com declaração de comandante da PM. Segundo Sidney Dallabrida, gravação é aceita pelos tribunais - DIÁRIO CATARINENSE - 17/08/2011 | 10h28min

Segundo o promotor de Justiça Militar de Santa Catarina Sidney Dallabrida, os áudios com as declarações do ex-comandante da Polícia Militar Rogério Kumlehn servirão como base da instauração de processo criminal militar contra o PM.

— A conversa gravada entre a pessoa que estava sendo instruída pelo comandante e esse é uma prova perfeitamente aceita pelos tribunais, e não necessitaria de ordem judicial. Por tanto, uma prova lícita que pode ser utilizada — explicou Dallabrida, em entrevista à rádio CBN Diário na manhã desta quarta-feira.

Os áudios serão encaminhados para o Instituto Geral de Perícias para receber uma comprovação oficial. Depois disso, devem ser ouvidas as pessoas que teriam participado dessas instruções.

Segunda uma apuração prévia, a gravação das conversas teria ocorrido no 14º Batalhão da PM, em Jaraguá do Sul, durante instruções a policiais militares. Kumlehn era o comandante até a manhã de terça-feira, quando foi transferido após a divulgação das declarações por meio de reportagem no diario.com.br.

Nas gravações, Rogério dispara declarações contra a impossibilidade de relacionamento entre as polícias civil e militar e ofende delegados e um promotores de Justiça com termos impublicáveis. A Secretaria de Segurança determinou a exoneração do policial.

Trechos transcritos da gravação

— Os quatro delegados assinaram um ofício para o comandante, sabiam? Os quatros delegados assinaram o documento, como se eu tivesse medo de delegado. O delegado pode ser a quinta essência do cocô do cavalo do bandido! Eu peguei o ofício, li para os meus oficiais, rasguei-o e joguei no lixo. E disse para o delegado: aquele ofício que vocês me mandaram, eu rasguei e joguei no lixo, porque não vai ter delegado que vai subir nas minhas costas não.

— A juíza acha que pode colocar o carro na vaga de idoso, só por que é juíza! E nós somos uns f d p! É assim eles nos tratam! Quando eu discuti lá agora que nós não deveríamos mais fazer policiamento do fórum, aí o comandante: "não, mas veja bem o relacionamento..." O relacionamento o c! a p q p o relacionamento! Porque na hora que tem que colocar no nosso c, eles põem! Então, eles façam a parte deles bem feita, e nós fazemos a nossa bem feita!

— O problema é que eles lá, não estou dizendo os delegados, ganharam uma coisinha aí para trabalhar. Mas eles não vão para a delegacia para trabalhar. Porque sabe... "Ai, dá stress. É muito serviço, fazer inquérito é stress. Fazer flagrante? Fazer flagrante incomoda!"

— Uma vez fiz uma piadinha lá com um delegado de Joinville. Quem quer me ver morto é o tal delegado Dirceu de Joinville. Quer me ver morto!

— Tentaram me enquadrar em um processo de pedofilia. Estava num alojamento, entrei em um quarto, tentei fazer um lanche. Estava la sozinho assistindo um jogo de futebol, fui nobanheiro. Não havia nada no banheiro. Cinco minutos depois, chega uma viatura da PM, investigando a denúncia sobre um cidadão que tinha molestado as crianças num banheiro. Resultado: toca inquérito contra ele. Quero ouvir o depoimento das crianças. Não apareceu criança. Sabe da onde foi feita a ligação? Duas quadras para frente, de um telefone público.