ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

SOU UM SOBREVIVENTE

PM reage e mata dois assaltantes em pet shop. À paisana, policial surpreendeu dupla em ataque no bairro Santana, na Capital, mas acabou ferido - EDUARDO TORRES E PEDRO MOREIRA - ZERO HORA 31/08/2011

Um policial militar à paisana reagiu e matou dois assaltantes que atacavam uma pet shop, no bairro Santana, em Porto Alegre, ontem pela manhã. O PM estava dentro do estabelecimento, de propriedade de um casal de amigos, tomando chimarrão, quando a dupla entrou no local, por volta das 9h.

O sargento, de 40 anos, do Batalhão de Operações Especiais (BOE) – a pedido da família, que teme represálias, o nome do PM é omitido por ZH –, teria aproveitado um momento de distração dos ladrões e atirado. Na troca de tiros, o PM também ficou ferido, com um tiro na axila direita, e precisou ser socorrido ao Hospital de Pronto Socorro (HPS). (a integra no jornal Zero Hora)

ENTREVISTA - “Reagi porque não tinha alternativa”. PM que matou assaltantes

Há 22 anos na Brigada Militar (BM) e há uma década no Batalhão de Operações Especiais (BOE), o sargento que matou dois assaltantes na manhã de ontem falou a Zero Hora enquanto se recuperava no HPS:

Zero Hora – Como foi o assalto?

Sargento – Eu estava sozinho no estabelecimento do meu compadre quando entraram dois elementos pedindo coleira para cachorro. Eu perguntei qual tipo de coleira, e um deles disse que tinha “caído a casa” e que eu tinha “perdido”.

Zero Hora – Em que momento o senhor decidiu reagir?

Sargento – Até ali tudo bem, mas um deles disse que o outro tinha que me revistar. Eles se distraíram para pegar o dinheiro no caixa, foi o momento que eu tive para reagir.

Zero Hora – O senhor tem ideia de quantos tiros foram dados no confronto?

Sargento – Eu descarreguei minha pistola, são 15 tiros. Um deles (assaltantes) eu tenho certeza que descarregou um 38.

Zero Hora – E acabou tomando apenas um tiro.

Sargento – Para quem acredita em Deus, foi uma mão divina. As balas passaram todas à minha volta e somente uma me atingiu. Eu senti a bala entrar nas costas, mas não sei se não entrou pelas costas ou pelo braço.

Zero Hora – O senhor recomenda que as pessoas reajam em situações como essa?

Sargento – Nunca reajam. Eu reagi porque não tinha alternativa. Era a minha vida ou a minha vida. No momento em que eles descobrissem que eu era policial militar, eu certamente não estaria aqui conversando contigo.

Zero Hora – Já havia matado alguém?

Sargento – Que eu me lembre, não.

Zero Hora – O senhor se considera um herói?

Sargento – Não, nunca. Eu sou um sobrevivente.