ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

POLÍCIA CIVIL PROMETE PARALISAÇÃO NACIONAL

Confederação Nacional da Polícia Civil promete paralisação nacional. Em Minas Gerais, sindicalista diz que governo vai 'perder controle' - Guilherme Voitch - O GLOBO, 7/02/12 - 10h34


SÃO PAULO - A Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapal) estuda promover uma paralisação nacional da categoria contra o que chama de “descaso” da União e dos governos estaduais em relação à Segurança Pública.

- O que acontece na Bahia é um reflexo desse descaso. Os policias militares têm nossa solidariedade. Poucos estados têm uma política de cargos e salários para as polícias e a União cedeu à pressão dos governadores e está segurando a PEC 300 (que cria um piso nacional para policiais) – diz o presidente da entidade, Jânio Bosco Gandra.

Segundo ele, representantes de sindicatos estaduais irão se reunir em Brasília na próxima quinta-feira. A ideia é organizar uma manifestação nacional dos policiais civis. Gandra afirma que a manifestação será pacífica, mas lembra que o objetivo é pressionar os governos.

- Vamos manter os 30% do contingente trabalhando. O resto vai parar e queremos ver como o governo vai fazer. Não tem Força Nacional de Segurança para enviar para todos os estados – diz.

Enquanto a manifestação nacional não acontece, a greve dos PMs baianos encontra eco nas polícias civis.

- Demos um voto de confiança de um ano para o governo estadual. Era o primeiro ano de gestão e esperamos. Não aconteceu nada. Faremos uma assembleia na próxima semana e a paralisação é uma possibilidade muito grande – diz Luiz Henrique Viacava, diretor do Sindicato dos Policias Civis do Rio Grande do Sul.

Em Goiás, Raniel Mascarenhas Rufo, do Sindicato dos Policiais Civis, segue a mesma lógica. Ele diz que os policiais deram um ano para que o governo eleito em 2010 colocasse 'as contas em dia'.

- Só que nada aconteceu nesse ano. Estamos há sete anos com o salário defasado. Se não houver novidades nos próximos três meses, vamos parar. E a Polícia Militar também está com o salário atrasado. E se as duas polícias param?

Em Minas Gerais, o Sindicato dos Servidores da Polícia Civil diz que há um 'favorecimento' do governo do estado para Polícia Militar.

- Exite uma supremacia de investimento e valorização na PM. A Polícia Civil pede socorro – afirma Antônio Marcos Pereira, vice-presidente do Sindicato.

O governo estadual enviou um projeto que tramita na Assembleia Legislativa para reformular o Estatuto da Polícia Civil. Segundo Pereira, o texto prejudica a categoria.

- Se ele (o projeto) avançar nas comissões da Assembleia, nós vamos parar. Vamos colocar três mil, quatro mil policiais nas ruas. O governador vai colocar a PM como contraponto. Peço a Deus que nada de ruim aconteça porque o estado vai perder o controle.