ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

GREVE DE POLICIAIS CHEGA AO RIO



REAÇÃO EM CADEIA. Representantes de policiais civis, militares e bombeiros decidiram ontem paralisar as atividades às vésperas do Carnaval - ZERO HORA 10/02/2012

Depois da Bahia, o Rio é a bola da vez na sequência de greves das polícias que ameaçam a segurança em Estados brasileiros. Ontem à noite, às vésperas do Carnaval, em assembleia na Cinelândia, os bombeiros e as polícias civil e militar decretaram a greve das categorias em todo o Estado do Rio de Janeiro.

Dois mil PMs, policiais civis e bombeiros se reuniram por cerca de cinco horas no centro do Rio e decidiram pela paralisação. Após a decisão pela greve, um bombeiro pegou o microfone e decretou:

– A partir de agora, a segurança é de responsabilidade da Guarda Nacional ou do Exército.

O bombeiro deu instruções aos policiais e bombeiros presentes na Cinelândia.

– Todos devem seguir direto e estar aquartelados em seus respectivos batalhões – disse, para em seguida complementar:

– Atenção, é importante, quem está de folga aquartela, de férias aquartela, quem está de licença aquartela. Todos juntos, não tem distinção, se puderem levar as esposas, levem junto. É importante.

Temendo pelo resultado da assembleia, o Exército deixou 14 mil homens de prontidão para atuar no Rio de Janeiro. Nem a prisão do cabo dos bombeiros Benevenuto Daciolo na quarta à noite, por incitar a greve, e a aprovação ontem pela Assembleia Legislativa da nova proposta apresentada pelo governo estadual diminuíram o ímpeto dos grevistas. Com servidores infiltrados entre os manifestantes, acompanhando as discussões, a avaliação do governo do Rio é a de que os bombeiros devem ser a categoria com maior adesão à paralisação.

Os líderes do movimento não abrem mão da libertação do cabo Daciolo e pedem ainda um salário de R$ 3,5 mil. Por conta da possível adesão em massa dos bombeiros, um plano foi traçado hoje no Comando Militar do Leste, sede do Exército, no Rio.

Ficou definido que 300 bombeiros da Força Nacional de Segurança Pública serão encaminhados ao Estado em apoio à corporação. Outros cerca de 2 mil bombeiros do setor administrativo estão sendo mobilizados para atuar nas ruas, assim como mais cerca de 700 que estão fora do movimento.

A partir da paralisação, o Exército deve ocupar as Unidade de Polícia Pacificadora (UPPs), evitando que as 20 unidades fiquem sem efetivo.

Com a proposta aprovada ontem na Assembleia Legislativa, o salário inicial da PM será de R$ 1.669,33 em fevereiro de 2013, e o da Polícia Civil, R$ 3.359,86. O impacto na folha de pagamento será de R$ 1 bilhão por ano.