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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

GREVE BA - O PRIMEIRO DIA DE CERCO


Entenda como foi o 1º dia de cerco do Exército ao prédio da Assembleia. Fuzis com balas de borracha, spray de pimenta, bombas de efeito moral, escudos, pistolas de choque e cassetetes. As armas do Exército contra a ocupação foram mesmo as psicológicas - O CORREIO, 07.02.2012 - 07:30 - Rafael Rodrigues. Colaborou Anderson Sotero


O início das operações das Forças Armadas após retomar o controle da Assembleia Legislativa, ocupada pelos policiais grevistas desde terça da semana passada, acabou calmo, após confrontos que deixaram cinco feridos e clima tenso, na manhã desta segunda (6).

Fuzis com balas de borracha, spray de pimenta, bombas de efeito moral, escudos, pistolas de choque e cassetetes. As armas do Exército contra a ocupação foram mesmo as psicológicas.

Desde cedo, 850 militares do Exército, sob o comando da 6ª Região, 200 PMs de companhias especiais e 40 homens da Força Nacional de Segurança isolaram a área da Assembleia. Três helicópteros e dois tanques blindados ajudavam a transformar o Centro Administrativo (CAB) em um cenário de guerra.

A água e a energia elétrica dos manifestantes foram cortadas. “Todo esse isolamento faz parte da estratégia para criar condições de que se negocie o cumprimento dos mandados de prisão”, destacou o tenente-coronel Marcio Cunha, responsável pela Comunicação da 6ª Região. Ele se referia aos 11 mandados de prisão expedidos pela Justiça contra os líderes da greve, entre eles Marcos Prisco, presidente da Associação dos Praças e Bombeiros da Polícia Militar (Aspra).

A ideia é vencer no cansaço. Por isso, a expectativa é de que hoje seja mais um dia de tensão na Assembleia. A seguir, um resumo dos principais acontecimentos do dia.

5h30 - Ainda era noite quando as tropas começam a preparar o cerco aos 800 manifestantes que ocupam a Assembleia. Na operação, além de dezenas de caminhonetes e caminhões, dois tanques blindados, que controlavam as principais entradas do Centro Administrativo. Divisórias de metais ajudam a estabelecer a área isolada, enquanto helicópteros vigiam de cima.

7h30 - Cerca de 200 policiais e familiares que saíram do acampamento são impedidos de entrar e se concentram do lado de fora. Uma mulher de grevista, Bárbara Soares, 39 anos, tenta invadir com uma criança de colo e é empurradapelos soldados do Exército. “Vim salvar meu marido. Eles são uns covardes, temo pelo pior”. A ação gera imediata reação dos familiares, que vão em cima do soldado. Após as duas primeiras horas, a missão começa a dar tiros de balas de borracha que atingem dois militares, um na perna e outro no abdômen. “Não vão me intimidar. Só saio daqui no saco preto”, diz um, atingido na barriga.

8h15 - Passeiam ao lado da AL tanques de guerra e tropa marchando com batidas do cassetete no escudo. Três helicópteros em voos razantes exibem suas metralhadoras. Insuflados por gritos que vêm de dentro, manifestantes tentam invadir pela frente. Cinco tiros são disparados contra eles. Ninguém fica ferido.

8h25 - Do lado de fora, o grupo já conta com cerca de 500 pessoas e usa como tática tentar invadir de um lado para outro, forçando o Exército a mover tropas. De dentro, os grevistas ironizam com dança, chamando os algozes para “dançar até o sol raiar”.

8h38 - O Exército identifica suposta arma em mãos do grevista Sidenésio Barbosa da Silva, 31 anos, que estava do lado de fora, e o cerca para rendê-lo. Os PMs, entre eles o deputado Capitão Tadeu (PSB), entram em luta corporal contra os soldados. Na confusão, o parlamentar, a imprensa e os manifestantes recebem gás de pimenta na cara. Mais tiros com balas de borracha são disparados ao ar. Sidenésio é preso, mas liberado em seguida. Foi ovacionado e incendiou: “É guerra!”.

8h39 - No momento da confusão, alguns PMs acampados na Assembleia tentam sair para defender os colegas. A luta corporal se aproxima da divisória que limita a área cercada pelas Forças Armadas. Um dos policiais, não identificado, é atingido com um tiro de bala de borracha. Mesmo ferido, ele não quer receber atendimento médico e prefere permanecer na Assembleia.

9h - O líder do movimento, Marcos Prisco, negocia com o general Gonçalves Dias, chefe da operação militar na Bahia, a entrada de seu sobrinho, o soldado Anderson Machado, para passar uma mensagem ao grupo de fora.
9h36 Chega a informação de que a sede da Aspra foi arrombada. Do lado de fora, PMs voltam a cantar os gritos de guerra e o nome de Prisco. Por telefone, os PMs convocam outros grevistas.

10h - O sol escaldante é o grande aliado do Exército. Aos poucos, vão vencendo os manifestantes pelo desgaste. As poucas sombras se tornam um refúgio.
11h Deputados da oposição tentam entrar na AL para ajudar nas negociações. Mas a Casa Legislativa não está mais sob o controle do Estado. Conforme termos assinados com o governo federal, tornou-se área de controle da União, e o Exército acha por bem não permitir que entrem.

11h30 - Novas divisórias de metal são instaladas para tentar isolar manifestantes do lado de fora. Os manifestantes cantam o hino, arremessam garrafas de água vazias e dispararam spray de pimenta contra Exército. A resposta, vem com mais tiros de borracha e bomba de efeito moral. O cinegrafista da TV Band, Levy Calmon, é atingido por um estilhaço da bomba no nariz a sai sangrando. Na ação, um PM é baleado na perna com dois tiros de borracha.

11h48 - Chega a notícia que anima os grevistas vinda do Rio de Janeiro. Os militares de lá mandaram a mensagem de que também entrariam em greve, caso houvesse derramamento de sangue dos policiais daqui.

12h14 - Policiais dirigentes de diferentes entidades começam a brigar entre si. Colegas precisam separar. Do outro lado da trincheira, o Exército realiza trocas de turno

13h10 - O Exército precisa deslocar tropas para as entradas do CAB para resistir às tentativas de acesso. Os PMs encontram entrada livre por uma floresta na Sussuarana. Trazem consigo caixas com leite, frutas, iogurte, pão, biscoitos e água. Pelo novo acesso, chegam centenas de pessoas. O grupo do lado de fora cresce, chega a quase 2 mil.

14h30- Enquanto o sol castiga, apenas se houve as voltas do insistente helicóptero que ronda a AL. O clima é de expectativa de decisões que não seriam tomadas ali.

15h - Deputados que foram barrados pela manhã, enfim, conseguem entrar.

16h30 - Um caminhão contratado pelo Exército chega com mais centenas de divisórias de metais, para isolar ainda mais os PMs do lado de fora. Há a reação imediata. Manifestantes devolvem material para o caminhão e começam a entoar gritos de guerra. Desta vez, o Exército retira o caminhão.

20h10 - Apesar da aparente tranquilidade do início da noite, a movimentação dos militares é intensa. O tenente coronel Márcio Cunha diz que o período da noite é considerado “crítico” e que a tropa deve redobrar atenção e afinco para manter o isolamento da área.

20h15 - Grevistas voltam a se manifestar e cantam: “ô a PM parou”.