ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

GREVE PMBA - GREVISTA É HOSTILIZADO E MOVIMENTO NÃO TEM APOIO DA POPULAÇÃO


Grevista é hostilizado em carreata no Sul da Bahia. População argumenta que salário de policiais, de R$ 2.400, é equivalente a de médico iniciante; comerciantes temem Carnaval esvaziado - 06 de fevereiro de 2012 | 15h 37. Diego Zanchetta - Estado de S. Paulo

Grupos de policiais militares que saíram no início da tarde desta segunda-feira, 6, em carreata por cidades do litoral sul baiano puderam constatar que o movimento grevista não tem apoio algum da população. E a indignação não é só pelo caos causado em uma região turística, às vésperas do Carnaval.

O piso salarial da PM na Bahia chega a R$ 2.400 mensais, mais que o dobro do salário médio da região, o que tem gerado revolta contra a greve em todos os setores da sociedade, do empresário do ramo hoteleiro ao feirante.

O salário dos policiais é citado em qualquer conversa de padaria em cidades como Itabuna, Nova Ibiá, Itamarí, Teolândia, Wenceslau Guimarães e Gandu. Era visível a vontade que feirantes tinham de vaiar ontem a carreata de PMs que passou em frente à Centrais de Abastecimento de Ilhéus. “Eu vendo manteiga e queijo há mais de 30 anos e nunca consegui tirar R$ 2.400 por mês. É um aburdo o que esses policiais estão fazendo de novo com a gente, justo agora que o Carnaval tá chegando”, disparava no entreposto a sergipana Ednéia Francisca de Oliveira, de 61 anos. Ela iniciou a primeira de uma leva de desaforos disparados por outros feirantes contra o grupo de policiais.

No interior e em municípios pobres do sul baiano, onde 2.200 PMs estão parados, a renda média mensal da população não passa de R$ 910 mensais, segundo dados do Censo 2011 do IBGE. O vencimento de um policial baiano é quase igual ao piso de R$ 2.600 pago aos professores da rede municipal paulistana de ensino. Nos postos de saúde da rede estadual da Bahia, o vencimento de um médico plantonista em início de carreira é inferior ao salários dos policiais – são R$ 2.500 mensais por 40 horas por semana.

Até uma tímida vaia chegou a ser ensaiada por vendedores de coco contra os PMs que passaram no entreposto de Ilhéus para pedir apoio à paralisação. “Policial ganha melhor do que qualquer comerciante aqui em Ilhéus. Todos eles têm carro zero, casa, salário bom, trabalham 12 horas e descansam 36. E ainda fazem greve perto do Carnaval, quando todo mundo precisa fazer dinheiro para garantir o ano”, reclamava Francisco Antonio Teixeira, de 57 anos, dono de uma barraca de coco.

Cientes do clima hostil, os policiais nem chegaram a descer das motos para conversar com os feirantes, como estava previsto inicialmente. Pelo centro de Ilhéus também houve xingamentos. “Tem hóspede do Brasil inteiro me perguntando sobre reembolso de reservas. Isso vai quebrar a economia da cidade. Uma categoria que já foi tão valorizada nos últimos anos, que tem uma condição bem melhor que a maioria das famílias da cidade, não poderia fazer isso”, disparou Elton Pacheco de Souza, de 61 anos, dono de três hotéis em Ilhéus e em Porto Seguro.

Ontem os policiais de Valença, de onde saem as embarcações para destinos turísticos como Morro de São Paulo e Ilha de Boipeba, também cruzaram os braços. “Tá bem vazio aqui pela época do ano. Nosso medo agora é que os barcos de Valença também parem agora com a greve”, disse ao Estado, por telefone, o paulistano Rafael Dubrowski, de 34 anos, dono de uma pousada em Morro de São Paulo.

Comparações. Não houve também um gesto de apoio aos policiais durante a carreata Itabuna e em Teolândia. No comércio que abriu com meia portas abertas em Itabuna, lojistas e funcionários não paravam de falar no salário de R$ 2.400 dos PMs. “Eu trabalho seis dias por semana e não ganho nem R$ 1.000. E pior que não vou ganhar pelo jeito nem isso mais se não tiver Carnaval”, reclamava Camila Mariano, de 34 anos, gerente de uma loja de roupas em Itabuna.

As críticas também ecoam entre jovens e adolescentes que temem ver mais cancelamentos de shows e de eventos do pré-carnaval no final de semana. “Essa altura já era para ter festa todo dia nos bares, nos quiosques. Se não tiver Carnaval esses policiais vão ser as pessoas mais mal vistas de Ilhéus”, dizia o estudante da rede estadual Marcelo Quirino, de 16 anos, que ontem não foi à escola por orientação dos pais. As escolas particulares não abriram no sul da Bahia. A rede estadual funcionou, mas poucos alunos iniciaram o ano letivo ontem.

Ataques. Policiais grevistas ouvidos pela reportagem na carreata de ontem acusaram canais de TV e a mídia de “difamarem” o movimento, segundo Augusto Leite Júnior, lider da paralisação no sul da Bahia. “A população não vê que ela deveria fazer igual nós e também batalhar por seus direitos”, argumentou o líder.

Ontem os cerca de 400 policiais aquartelados em um batalhão de Ilhéus receberam outros colegas que aderiram à greve em cidades do sul baiano. “Queremos mostrar à população que somos pacíficos”, acrescentou Leite Júnior.