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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

TORTURADO E ASFIXIADO



ZERO HORA 03 de outubro de 2013 | N° 17572

PEDREIRO AMARILDO. Além de indiciar 10 PMs de Unidade de Polícia Pacificadora, delegado responsável pelo caso diz que vítima levou choques elétricos


Policiais teriam submetido Amarildo de Souza, 43 anos, a choques elétricos e o asfixiado com saco plástico no matagal do parque ecológico no entorno da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro. A informação está no inquérito da Divisão de Homicídios da Polícia Civil fluminense, entregue ao Ministério Público.

No documento que reuniu duas mil páginas, o delegado Rivaldo Barbosa indiciou 10 policiais militares pelo desaparecimento do ajudante de pedreiro, na noite de 14 de julho. Entre os acusados, está o ex-comandante da UPP da Rocinha, major Edson Santos, afastado do comando da unidade em setembro. Todos vão responder pelos crimes de tortura seguida de morte e ocultação de cadáver. Também foi pedida ao MP a prisão preventiva dos investigados.

Ainda segundo o inquérito, o major Edson Santos e seus comandados pretendiam arrancar de Amarildo informações sobre a localização de armas e traficantes da parte baixa da favela, onde ele vivia com a família. Pelo menos outros três moradores da comunidade denunciaram que foram torturados dentro da mesma unidade por policiais. Eles foram incluídos no programa nacional de proteção à testemunha.

PMs negam participação no sumiço do ajudante de pedreiro, que virou bandeira de recentes protestos no Rio. Segundo os policiais, Amarildo foi levado para a sede da UPP e identificado. Após ser liberado, teria descido pela escadaria lateral, local onde a câmera de segurança não funcionava. Ainda naquela noite, após a abordagem, os mesmos policiais saíram com a viatura da sede da UPP para abastecer no Batalhão de Choque, no centro do Rio. A polícia não encontrou provas de que Amarildo teria deixado o local caminhando, como afirmaram os PMs.

Investigação ouviu mais de 50 pessoas

Barbosa disse ontem que tem esperança de localizar o corpo do ajudante de pedreiro. O delegado descartou a hipótese de que Amarildo tenha sido torturado dentro do contêiner que serve de base da UPP na Rocinha.

– Dentro do contêiner não existia marca de sangue. Ele não foi torturado ali. Estamos convictos do que o inquérito apurou – afirmou o delegado.

O inquérito foi encerrado com mais de 50 depoimentos. A polícia agora aguarda manifestação do Ministério Público. Até agora, nenhum PM foi preso.


PRESSÃO DAS RUAS

- O ajudante de pedreiro sumiu no dia 14 de julho, depois de ser levado por policiais militares para a sede da UPP na comunidade.

- Na véspera, uma operação policial havia prendido 21 pessoas por suspeita de envolvimento com o tráfico.
- Segundo os policiais, Amarildo foi liberado e saiu da UPP, descendo por uma escadaria.

- Uma câmera estava em funcionamento no final da escadaria. Ela não registra a passagem de Amarildo.
- No Rio, manifestantes que protestavam contra o governador Sérgio Cabral criaram o slogan “Onde está o Amarildo?”, que teve adesão de ativistas de direitos humanos.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Como pode a autoridade pré-julgar que o pedreiro desaparecimento foi torturado e asfixiado por policiais se não o corpo não foi encontrado para provar isto? Aprendi nos meus tempos de direito que a prova testemunhal é a mais "prostituta das provas" no sentido de que ela pode condenar como pode ser alterada para inocentar.  Não sou defensor dos policiais acusados, mas penso que se deveria ter cuidado na investigação para não dar margem a erros na justiça.