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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

LÍDERES PARTIDÁRIOS REAGEM À AÇÃO POLICIAL DE INVESTIGAÇÃO, BUSCA E APREENSÃO NA CASA DOS SUSPEITOS DE ATOS DE VANDALISMO


ZERO HORA 02 de outubro de 2013 | N° 17571

DEPOIS DOS PROTESTOS

Ativistas reagem a ação da polícia. Líderes de PSTU e PSOL criticaram Tarso pela operação de busca e apreensão em casas de suspeitos de atos de vandalismo



A investigação da Polícia Civil sobre os atos de vandalismo ocorridos em protestos na Capital teve um novo capítulo, na tarde de ontem, com a busca e apreensão de documentos em sete locais, incluindo residências de ativistas. A ação causou revolta e foi duramente criticada pelos partidos de esquerda que fazem oposição ao governo Tarso Genro.

A principal reclamação é de que a polícia, a mando de Tarso, estaria perseguindo integrantes do Bloco de Luta, responsável por manifestações que ganharam notoriedade em junho, como a reivindicação pelo passe livre.

As ordens judiciais foram expedidas em agosto. A Polícia Civil afirma que o cumprimento dos mandados ocorreu ontem por uma questão “estratégica”. Um dos locais onde foram realizadas buscas foi o apartamento de Matheus Gomes, integrante do Bloco de Luta e filiado ao PSTU. Matheus foi um dos líderes da invasão da Câmara de Vereadores, em julho. Foram apreendidos um notebook, documentos políticos, um livro de teoria marxista e um caderno.

– Isso é uma perseguição clara aos ativistas que estiveram à frente das manifestações, uma tentativa de coagir, de criminalizar o nosso movimento – disse o estudante.

Policiais também estiveram na residência de Lucas Maróstica, filiado ao PSOL e integrante do Coletivo Juntos. Ele diz que não estava em casa e não soube revelar o que foi levado. O PSOL marcou para hoje uma entrevista, quando vai tratar do assunto.

A polícia não divulgou os nomes das pessoas que foram alvo da investigação nem os locais das buscas, mas, nas redes sociais, anarquistas ligados ao Bloco de Luta também relataram apreensões no Centro de Cultura Libertária da Azenha.

O secretário da Segurança, Airton Michels, disse que a investigação não tem conotação política e que o Estado não criminaliza movimentos sociais.

– A polícia não instaurou o inquérito para desvendar os movimentos sociais, mas sim para investigar e apontar pessoas que cometeram delitos na nossa sociedade – defendeu.

Os crimes investigados pela polícia são: furto qualificado, dano qualificado, posse e emprego de artefatos explosivos e incendiários, entre outros.

Conforme o delegado Marco Antônio de Souza, não foi e não será apreendido material de cunho ideológico:

– Pode ter ocorrido que livros ou textos tivessem anotações importantes para a investigação. O conteúdo dos impressos, em si, não interessa.


Após repercussão, Tarso quer “ouvir” dirigentes

Instantes após voltar a Porto Alegre de uma visita a obras em Venâncio Aires, o governador Tarso Genro convocou a cúpula da segurança pública para discutir a investigação de ativistas ligados ao Bloco de Luta pelo Transporte Público.

A reunião serviu para alinhar o discurso do governo, que é de dissociar a apuração de crimes cometidos durante protestos de uma suposta perseguição política, como reclamam PSTU e PSOL, siglas de sustentação do movimento que milita pelo passe livre.

Em vídeo postado pelo governo do Estado no fim da tarde, Tarso afirma que o Piratini fez contato com os dirigentes dos partidos e quer ouvi-los sobre o assunto.

– Quero ouvir, sim, os presidentes dos partidos e vou tomar providências corretivas se, eventualmente, houve algum engano nos nossos órgãos de segurança. O delegado agiu dentro do Estado de direito, segundo todas as normas processuais e inquisitoriais que regulam esse assunto. O que pode ter ocorrido é de, eventualmente, não ter observado a diferença entre uma ação política militante e uma predatória, violenta e criminosa – explicou o governador.

Filha de Tarso, a ex-deputada federal Luciana Genro (PSOL) anunciou que advogará em favor do militante e colega de partido Lucas Maróstica, um dos ativistas investigados pela Polícia Civil. Pelo Facebook, a vereadora Fernanda Melchionna (PSOL) criticou o governo:

“Nem o truculento governo da Yeda promoveu barbáries como estamos vendo nesta terça, com as invasões nas casa de ativistas e sedes de organizações, apreensão de computadores e livros, em uma clara tentativa de criminalizar jovens que, como Lucas Maróstica, estiveram a frente do levante de junho”.

O PSTU no Rio Grande do Sul divulgou nota em que condena a ação da polícia, classificada como “repressiva” e “violenta”:

“É a mesma postura repressiva que o governo utilizou de forma generalizada contra as passeatas, através do uso de bombas de gás e tiros de borracha”.

Até setembro, o PT também fazia parte do movimento, mas os jovens ligados ao partido foram expulsos devido a divergências ideológicas com outros membros do grupo.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Não entendi esta reação contra a polícia, já que a operação investigativa é técnica e tem amparo judicial.  As lideranças políticas deveriam reagir contra o judiciário que determinou a ação de busca e apreensão e não contra a polícia que está investigando atos delituosos.  E por esta e outras que defendo a construção de um SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL ágil, integrado, técnico, independente e coativo. Terá todo a meu reconhecimento aquele ou aqueles partidos que realmente são comprometidos em priorizar a vida, a saúde, o patrimônio das pessoas e a segurança, a justiça e o bem-estar da população brasileira adotem esta ideia de interesse público já nas eleições de 2014. As polícias não são instrumentos políticos partidários, mas partes de um sistema de justiça criminal em defesa do povo.


COMENTÁRIOS SOBRE A AÇÃO POLICIAL:

Diego Casagrande - via facebook

PERSEGUIÇÃO POLÍTICA? - A Polícia Civil cumpriu ontem mandados judiciais de busca e apreensão em residências de militantes partidários, sob a alegação de formação de quadrilha nos protestos dos últimos meses. Confesso a vocês que isso me surpreende. Em um Estado de Direito a casa das pessoas deve ser inviolável, salvo se houver fato muito grave. Que fatos graves são estes?

Por mais distante que eu esteja do pensamento do PSOL e do PSTU, que eu saiba não é crime a reunião para defender opiniões e fazer manifestações. Mesmo que eu não concorde com tais opiniões. Delinquentes que quebram e destroem devem ser presos, digo sempre isso. Coibidos duramente na hora pelas autoridades e presos em flagrante. Ocorre que no caso em questão há pessoas que são militantes partidários e estão sendo acusados de formação de quadrilha. Na residência de um deles foram apreendidos panfletos, livros e um computador.

Há que se ter muito cuidado com o Estado Policial, que se especializa em coibir o pensamento político contrário aos governos. Hugo Chávez fez muito isso na década perdida da Venezuela, criminalizando quem dele divergia. Até uma juíza foi presa e humilhada. E conhecendo alguns governantes locais como conheço, fico sempre com um pé muito atrás. Coloco esta questão apenas para reflexão...