ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

UM MÁRTIR POLICIAL

ZERO HORA 13 de outubro de 2013 | N° 17582

PAULO SANT’ANA



Na sexta-feira, uma viatura discreta da Polícia Federal que perseguia o veículo Hyundai IX35, que transportava 40 quilos de cocaína, na altura do km 417da rodovia Canoas-Montenegro, foi fechada pelos criminosos, capotou e acabou o acidente matando o agente Adécimo Joel Branco, de 56 anos, e ferindo um seu colega policial, durante intenso tiroteio.

Alguns quilômetros após, a perseguição aos traficantes, por outro veículo da Polícia Federal, terminou com um criminoso sendo preso num carro que transportava 40 quilos de cocaína e que havia furado a barreira policial na rodovia.

Mais um agente policial tombado no cumprimento do dever.

O velório do agente federal foi na sexta-feira à noite no Cemitério da Paz, onde ele foi enterrado na manhã de sábado.

Se é que eu tive tempo para me desvencilhar de meus problemas de saúde, devo ter comparecido ontem a esse sepultamento. Nós temos o dever de prestar honras fúnebres aos heróis policiais que pagam com a vida para nos proteger.

Adécimo Joel Branco, o agente federal que tombou na caçada é um desses heróis que merecem a nossa veneração.

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Eu gostaria de ter talento para fazer um poema para Maria.

Maria, cujo nome principia na palma da minha mão/ e termina direitinho/ na ponta do meu dedão.

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Maria concebida sem pecado! Maria, mãe de Jesus, montada grávida num burrico ao atravessar o deserto ao lado de José!

Maria, não sei por que imagino que este nome derive da palavra mar. Talvez pela imensidão de seu amor por Jesus e pelos homens.

Talvez porque rezando para Maria eu imagine que ela derrame sobre nós as suas ondas de bondade e piedade.

Já imaginaram a dor de Maria quando assistiu, na calçada da viela que levava ao Gólgota, a seu filho carregar o lenho debaixo de chibatadas?

Cada estação do Calvário era com certeza outra crucificação para o coração de Maria.

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O coração de Maria! Todas as mulheres deveriam ser chamadas de Maria. Deve ser por isso que no céu existem as três estrelas chamadas de Maria, eternas em sua faiscante luminosidade.

Maria, cujo nome principia na palma da minha mão/ e termina direitinho dentro do meu coração.


ZERO HORA 14 de outubro de 2013 | N° 17583

PAULO SANT’ANA
Acabei podendo ir ao enterro do agente da Polícia Federal Adécimo Joel Branco, de 56 anos, que morreu na perseguição a um carro com traficantes que portavam 40 quilos de cocaína na Tabaí-Canoas.

Fui ao enterro e discursei ao pé do caixão, exaltando a sublime missão policial muitas vezes incompreendida.

O agente Adécimo cometeu um erro fatal: ao contrário do colega que viajava ao seu lado no banco da frente da viatura policial e que sobreviveu ferido, fazendo-se presente ao enterro do amigo, Adécimo não usava o cinto de segurança, foi atirado na capotagem para longe do veículo e bateu com a cabeça em uma árvore ou numa pedra, o que provocou a sua morte.

Muita gente foi levar ao agente a sua homenagem no Cemitério Jardim da Paz.