ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 12 de outubro de 2013

COMBATE A POLICIAIS CORRUPTOS APÓS ACHAQUES AO PCC


Governo prepara combate a policiais corruptos após achaques ao PCC

Cúpula da Segurança Pública vai usar escutas do MP para investigar banda podre das Polícias Militar e Civil; material revelado pelo 'Estado' traz cotidiano de negociação de propinas de até R$ 300 mil entre agentes do Deic e bandidos da facção

12 de outubro de 2013 | 17h 51

Marcelo Godoy e Fabio Leite - O Estado de S. Paulo



Após o mapeamento do crime organizado, o inimigo agora é a banda podre das polícias. A cúpula da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo quer ter acesso aos dados e áudios recolhidos pelo Ministério Público Estadual (MPE) em três anos e meio de investigações sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC) para desferir um duro golpe contra policiais corruptos.

As interceptações telefônicas mostram um cotidiano de achaques feitos por policiais civis e militares contra bandidos importantes da facção, que são sequestrados e mantidos em cárcere em delegacias. Até mesmo parte do material apreendido na megainvestigação do MPE era posta à venda aos criminosos. Ao todo, 175 integrantes do PCC foram denunciados, conforme revelou o Estado. “Temos inúmeras investigações em andamento. Aguardamos que o Ministério Público compartilhe conosco as provas para que possamos tomar providências”, afirmou ao Estado o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira.

Em um dos grampos mais graves, agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) são flagrados oferecendo arquivos de computadores e pen drives apreendidos na operação que terminou com a morte de Ilson Rodrigues de Oliveira, o Teia, em 2011.

No áudio de 7 de maio daquele ano, Antonio José Müller Junior, o Granada, conversa com um integrante da chamada Sintonia dos Gravatas, o departamento jurídico do PCC. O homem, identificado como Keno, diz que conversou com policiais do “prédio” - como chamam o Deic. “É só encontrar lá para trocar umas ideias pra tá tirando esses pen drive aí.”

Na chácara em que estava Teia, policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) mataram três acusados e prenderam outros cinco. Computadores com documentos da facção, uma metralhadora, um fuzil e duas pistolas foram levados para a sede do Deic.

Em outro caso, um dos chefes da facção, Daniel Vinícius Canônico, o Cego, conversa com Jogador, um integrante da facção que foi detido em 2010 por cinco policiais na zona leste de São Paulo. O bandido foi levado ao 103.º DP (Itaquera), onde o mantiveram detido. Queriam R$ 300 mil para soltá-lo, mas aceitaram libertá-lo por R$ 130 mil pagos em duas parcelas - à vista e após 30 dias.

Cego quer saber se “a cana é da família”, ou seja, se Jogador estava trabalhando para a facção ou se fazia serviço particular quando foi detido. Nesse caso, em vez de o PCC bancar a propina, ele só emprestaria o dinheiro para Jogador honrar o acerto com a polícia.

Estratégia. A estratégia do governo estadual para enfrentar a ameaça do PCC, que planeja matar até o governador Geraldo Alckmin (PSDB), é também isolar os líderes da facção. Dessa forma, tentaria se evitar a repetição dos atentados patrocinados pela facção em 2006 e 2012.

Para tanto, é fundamental que os chefes do bando sejam enviados por um ano para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Além disso, o governo recorrerá a bloqueio dos sinais de celulares nos principais presídios dominados pelos bandidos, um investimento de R$ 30 milhões em 23 penitenciárias.