ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

domingo, 20 de outubro de 2013

POLÍCIA É LENTA NA INTELIGÊNCIA


FOLHA.COM 19/10/2013 - 03h00

Letícia Sander: Os desabafos de Beltrame



RIO DE JANEIRO - O elogiado secretário de Segurança do Rio, o gaúcho José Mariano Beltrame, parece estar vivendo momentos de "sincericídio".

Há cerca de um mês, em uma entrevista ao jornal "O Globo", ele anunciou a opção por policiais recém-formados, "sem os vícios da guerra e da corrupção", para trabalhar nas novas delegacias a serem implantadas em UPPs. Intramuros, a corporação reagiu. Indignada.

Nesta semana, à Folha, o secretário abriu o jogo sobre os dramas do momento atual. Um dia depois de sua polícia ter colocado 64 adultos e 20 menores atrás das grades, a maior parte enquadrada na nova lei federal do crime organizado, ele admitiu não saber se o instrumento é, de fato, o ideal.

A lei não prevê fiança, e sim pena de três anos a oito anos, podendo aumentar com agravantes. Polêmica, sua aplicação no contexto das manifestações vem sendo atacada no meio jurídico.

"É algo muito novo. Quem sabe a saída não seja agravar o crime de dano ou criar o tipo penal de vandalismo", refletiu.

O secretário reconheceu que a polícia é lenta na inteligência, fica sabendo dos protestos quase ao mesmo tempo que todo mundo no Facebook, o que dificulta a investigação sobre a articulação dos grupos. Contou ainda ter dito ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que a polícia do Rio não teria a menor condição de assumir o policiamento das manifestações previstas para o dia do primeiro leilão do pré-sal, na segunda-feira. Motivo? A PM está exausta, alegou o secretário, passados mais de cem dias de protestos nas ruas.

O reconhecimento de deficiências é, sem dúvida, saudável. Resta saber o que está sendo feito para saná-las. Se o Rio já parece ter virado um dos principais epicentros da indignação nacional, os próximos eventos no calendário indicam que o ano de 2014 pode ficar bem pior.

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