ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

NA RESERVA, MAS ATRÁS DO LADRÃO

Ilustração: O Dever de Agir


ZERO HORA 08 de outubro de 2013 | N° 17577

SUA SEGURANÇA | HUMBERTO TREZZI



Quem relata essa é o experiente policial civil Alexandre Leão, ligado ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Ele estacionava o carro para um churrasco em família, no domingo, quando um senhor pediu ajuda para uma adolescente que tinha sido assaltada. Leão largou as carnes e foi, junto com o homem, atrás do ladrão, que tinha fugido de ônibus. A jovem os guiava e, ao ingressar no coletivo, apontou o ladrão, que estava de boné no fundo do veículo.

Leão e o homem agarraram o delinquente, que assumiu o roubo e devolveu objetos roubados. O policial dirigiu o carro com o criminoso preso em flagrante, seguro pelos braços pelo homem que ajudara a adolescente.

Quem é o homem, que não anunciara as credenciais para a jovem a quem ajudou? O coronel Nelson Pafiadache, ex-comandante da Brigada Militar, na reserva desde meados da década passada. Mesmo sem farda, anônimo passageiro de ônibus e recentemente enfartado, não se furtou de ir atrás do ladrão.

Fatos assim acontecem cotidianamente, mas o cidadão não fica sabendo. Ou porque o próprio policial incorpora isso como parte de sua rotina, ou porque é modesto (Pafiadache não tomou a iniciativa de contar o episódio, quem contou foi um agente) ou porque a mídia simplesmente não está informada a respeito.

Às vezes, o risco de sair da rotina é grande. No domingo, a capitão Deise Kologeski, do 33º Batalhão de Polícia Militar, fazia vistoria nas unidades que comanda (uma atividade burocrática) quando recebeu pedido de ajuda de um jovem, que saltou à frente do seu carro e disse ter sido assaltado. Ela e um colega foram pessoalmente atrás do bandido e acabaram recebidos a tiros. Uma bala pegou no peito da oficial. Só não a matou porque a PM estava de colete. Policial, aposentado ou atrás de escrivaninha, é sempre policial. É daquelas atividades para sempre. Em tempos de malhação pelo episódio Amarildo, é sempre bom lembrar as boas causas para que serve a polícia.