ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

domingo, 2 de outubro de 2011

REFORÇO CONTRA HOMICÍDIOS



Polícia quer reforçar DPs especializadas. Homicídios respondem por cerca de 60% dos crimes cometidos no RS - correio do povo, 02/10/2011


O chefe da Polícia Civil, delegado Ranolfo Vieira Júnior, confirmou esta semana a intenção de instalar o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O projeto, em andamento na Secretaria da Segurança Pública, prevê a abertura de delegacias especializadas em dez municípios onde estão concentrados os maiores índices de assassinatos, que respondem por cerca de 60% dos casos registrados no Rio Grande do Sul. A iniciativa deverá contemplar Porto Alegre, Alvorada, Canoas, Gravataí, Viamão, Guaíba, São Leopoldo e Novo Hamburgo, além de Caxias do Sul e Passo Fundo. "O eixo do crime fica entre a Capital e a Serra", avalia Ranolfo. A viabilidade do projeto, porém, vai depender de liberação de recursos para equipamentos e viaturas, construção de prédios e contratação de novos servidores mediante concurso.

A prioridade no atendimento dos casos de homicídios obedecerá assim uma das diretrizes do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça, com quem a Secretaria de Segurança Pública mantém tratativas para firmar uma parceria.

Os indicadores de criminalidade preocupam as autoridades da área da Segurança Pública. Em 2010 foram registrados 1.650 assassinatos, enquanto 2011 já acumula 1.056 homicídios. No primeiro semestre de 2010 foram 875 casos e no mesmo período deste ano foram 776 ocorrências, representando uma queda de 11,32%. Segundo Ranolfo, o tráfico de drogas - sobretudo a disputa pelas bocas de fumo - está por trás da maioria dos casos.

Enquanto o DHPP não é implementado, apenas Porto Alegre dispõe de delegacias especializadas em homicídios e desaparecidos, vinculadas atualmente ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Tratam-se da 1 DH, comandada pelo delegado Cléber dos Santos Lima, e da 2 DH, chefiada pelos delegados Arthur Raldi e Luciano Peringer. Neste ano, a equipe da 1 DH já tem cerca de 60 presos envolvidos nesse tipo de crime, enquanto os agentes da 2 DH detiveram 92 acusados.

Homicídios tem equipe de "ninjas". Nas ações, agentes da 2 DH estão uniformizados

Uma característica da equipe dos delegados Arthur Raldi e Luciano Peringer, da 2 Delegacia de Homicídios, é que os agentes utilizam toucas ninjas e fardamento característico em ações táticas e nos cumprimentos de mandados judiciais. "As equipes são compostas por pessoas altamente preparadas. A maioria dos policiais possuem conhecimentos em artes marciais, tendo professores em defesa pessoal, técnicas de operação policial, tiro, educação física, natação, entre outros", explica.

Segundo Arthur Raldi, o uso de touca ninja justifica-se por "respeitar a identidade dos policiais civis envolvidos na diligência, que, não raras vezes, residem muito próximo do local investigado ou mesmo na localidade". Outro aspecto é que os agentes atuam geralmente nas mesmas áreas de crime e não querem ser reconhecidos.

Raldi afirma que o fato de os policiais civis estarem uniformizados mostra que eles estão cumprindo ordens judiciais, resultantes das investigações. "Eles deixam bem claro que quem está ali, naquele momento e naquele local, é a Polícia Civil, cumprindo seu papel constitucionalmente previsto, enquanto Polícia Judiciária", explica.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - A polícia civil do RS está se fardando, uma característica que é própria do policiamento ostensivo. Não entendi este reforço "investigativo" contra os homicídios?

Entretanto, como sou favorável ao ciclo completo policial (investigação, ostensividade e pericial) não sou contra a polícia civil ter o seu segmento uniformizado, assim como defendo que a PM tenha o segmento investigativo e ambos tenham departamentos periciais.