ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

COMPETÊNCIA - DISCUSSÃO, JOGO DE EMPURRA E DESATENÇÃO

JOGO DE EMPURRA. Achado corpo que teria sumido em correnteza. Cadáver desapareceu enquanto policiais discutiam de quem era o caso - EDUARDO TORRES

Dois operários encontraram ontem um cadáver que a polícia acredita ser o que foi levado pela correnteza, terça-feira à noite, enquanto a Brigada Militar de Porto Alegre e a de Alvorada discutiam quem deveria investigar o caso. Desde quarta-feira, três bombeiros procuravam o corpo no Arroio Feijó e no Rio Gravataí.

Ocorpo encontrado ontem boiava entre o lixo carregado pela correnteza quando foi avistado pelos trabalhadores das obras da Rodovia do Parque (BR-448).

– De repente, vi o corpo e levei um susto. Nunca tinha visto nada assim – contou Jéferson Rodrigues, 30 anos, funcionário das obras da Rodovia do Parque.

O corpo do homem morto é de um calvo, possivelmente com marcas de tiros na cabeça, vestindo camiseta e calças escuras. Até a tarde de ontem, ele ainda não tiha sido identificado no Departamento Médio Legal (DML), mas a suspeita policial é de que seja o do homem encontrado no limite entre a Capital e Alvorada e que gerou o jogo de empurra entre policiais. As características seriam semelhantes às relatadas por PMs.

Corpo pode ter sido carregado pela água por 15 quilômetros

O jogo de empurra entre os policiais começou quando um morador do Parque dos Maias acionou a Brigada Militar ao ver o corpo no arroio. Os policiais do 20º BPM (zona norte da Capital) foram os primeiros a chegar, mas constataram que poderia ser um caso de Alvorada.

Logo, os policiais do 24º BPM também chegaram ao local. De acordo com o comandante do batalhão de Alvorada, major Marcelo Couto, seus soldados até tentaram fazer o registro na 3ª DP , mas teriam sido desaconselhados por um plantonista.

A equipe da DPPA do Deic também foi ao local, mas o DML não teria sido acionado para fazer a remoção.

O entendimento foi de que, com a chuva forte, precisariam dos bombeiros para retirar o cadáver. Não deu tempo. O arroio o levou diante dos olhos de três equipes da Polícia Civil e Brigada Militar.

O corpo ainda teria conservado as digitais, o que facilitará o trabalho dos papiloscopistas. Pelo menos agora, a investigação sobre o cadáver já tem um departamento responsável – na quarta-feira, ninguém investigava o caso porque, como o corpo havia sumido após a confusão entre os policiais, não tinha sido possível detectar se houve assassinato. O episódio será apurado pela 1ª Delegacia de Homicídios, do Deic, na Capital.


“Será investigado por nós”. Cléber dos Santos Lima, delegado

Diário Gaúcho – Agora o caso do corpo tem jurisdição. Será investigado pela sua equipe?

Cléber Lima – Ainda não podemos nem assegurar de que é o mesmo corpo. A possibilidade é grande, já que aquele é o curso natural do rio, mas só a identificação do corpo nos dará esse esclarecimento.

Diário Gaúcho – E se for determinado que a morte aconteceu em Alvorada?

Cléber – O corpo foi achado em Porto Alegre, será investigado por nós. Se foi morto em Alvorada e jogado aqui, pode ter sido uma ocultação de cadáver na Capital. Seria um homicídio cometido em outro município, mas chegando à autoria do crime, a Delegacia de Homicídios resolverá o inquérito.