ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 8 de outubro de 2011

HERÓI - POLICIAL CIVIL MORRE EM AÇÃO ANTIDROGAS

COMOÇÃO NA SERRA. Policial morto em ação antidrogas - GUILHERME A.Z. PULITA | CAXIAS DO SUL - ZERO HORA 08/10/2011

Ao checar uma informação de que traficantes estariam embalando crack em uma residência de Caxias do Sul, um policial civil acabou morto e um delegado ferido a tiros. Uma mulher que estava em uma das casas investigadas também acabou morta na troca de tiros.

A morte de um policial e a tentativa de assassinato a tiros de um delegado da Polícia Civil, na tarde de ontem, expuseram a fragilidade da única delegacia de combate às drogas de uma das principais cidades do interior do Estado.

Acompanhado dos seus três investigadores, o delegado Marcelo Grolli, 44 anos, titular do 3º Distrito Policial, foi fazer uma busca em uma residência onde havia informação de que traficantes embalavam crack. Sem policiais para fazer a retaguarda, eles acabaram surpreendidos por um jovem transtornado pelo consumo de cocaína.

O inspetor Luis Antônio Medeiros de Matos, 42 anos, morreu, o delegado Grolli foi ferido, e Maria Fátima de Souza, 42 anos, que estava no ponto de tráfico, também foi morta. Uma pequena quantia de cocaína foi apreendida.

A informação de que traficantes estariam embalando meio quilo de crack em uma de duas casas localizadas junto a um estacionamento e lavagem de carros chegou ao 3º Distrito Policial. Por volta das 13h30min, Grolli convocou a equipe para checar a informação. Além de Matos, um casal de policiais foi chamado para a ação na Perimetral Norte, entre os bairros Pio X e São José.

Matos era o único sem colete à prova de balas, atitude que mais tarde intrigou colegas, já que ele era conhecido por sua precaução e qualidade técnica. Provavelmente o policial dispensou o colete por achar que a intenção era fazer o levantamento. Porém, o colete não evitaria a morte, já que o inspetor foi atingido nos braços e no pescoço.

Quando os agentes passavam na frente da casa, resolveram entrar, já que o portão estava aberto. Enquanto o delegado revistava dois homens e duas mulheres na casa dos fundos, Matos foi atraído por um barulho na casa da frente. Ele decidiu, então, verificar, sozinho, o que estava acontecendo. O inspetor bateu à porta, anunciou-se policial e, em seguida, a arrombou a chutes.

Quando entrou na residência, encontrou Douglas Faoro de Castro, 23 anos, que estaria há dois dias trancado na casa consumindo cocaína.

Matos sequer teve tempo de reagir ou dominar o suspeito: tiros de revólver calibre 38 fizeram o policial tombar imediatamente. Com pouca munição, Castro apanhou a pistola calibre .40 do policial e saiu da casa atirando para todos os lados, visivelmente transtornado.

O delegado foi ferido pelo rapaz e conseguiu acertá-lo, antes de cair. A mulher também foi atingida durante a troca de tiros. Ela morreu depois que balas atravessaram uma parede da casa. Os outros dois policiais que acompanhavam a ação dispararam uma dezena de tiros até conseguir dominá-lo.

Policiais militares ajudaram a deter as quatro pessoas que estavam na primeira casa. Em poucos minutos, dezenas de policiais civis chegaram ao estacionamento, gerando forte comoção. Enquanto o delegado Marcelo Grolli e o suspeito baleado eram levados ao Hospital Pompeia, as pessoas – que estavam na casa – foram encaminhadas à delegacia. Elas prestaram depoimento e seriam liberadas, pois foram consideradas testemunhas.

O CONFRONTO - A operação que resultou em tragédia na Serra:

1. Averiguação de tráfico - Informados de que traficantes embalavam drogas em uma moradia nos fundos de outra residência localizada na Perimetral Norte (Avenida Ruben Bento Alves), em Caxias do Sul, três agentes do 3º Distrito Policial e o delegado Marcelo Grolli entram na casa.

2. Policial morto - Na ação, o inspetor Luis Antônio Medeiros de Matos escuta um barulho vindo da casa da frente. Ao abrir a porta, o policial é recebido a tiros. O
suspeito dos disparos é Douglas Faoro de Castro, 23 anos, que estaria armado com um revólver calibre 38. O policial Matos morre com pelo menos três tiros no pescoço e nos braços.

3. Mulher atingida - suspeito teria recarregado sua arma e pego a pistola calibre .40 do agente e seguido atirando. Balas atravessam uma parede e matam Maria Fátima de Souza, 42 anos, na moradia dos fundos. Policiais saem dessa residência para ver o que está acontecendo e também viram alvo de tiros.

4. Salvo pelo colete - O delegado Marcelo Grolli é ferido a tiros no braço, nas duas pernas e de raspão na cabeça. Ele leva vários tiros no peito, mas é salvo pelo colete à prova de balas.

5. Suspeito rendido - Transtornado, Castro é baleado por um dos policiais e preso. Outros dois homens e uma mulher que estavam na moradia, além de Castro, também são presos. O delegado e o suspeito ficam feridos.