ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

RAVES - TRÁFICO USA TÁTICAS PARA DRIBLAR POLÍCIA


MANOBRA DO CRIME. A tática do tráfico para driblar polícia em raves. Zero Hora teve acesso à foto que mostra alerta de criminosos em eventos - FRANCISCO AMORIM, zero hora 14/10/2011

Uma nova estratégia para driblar a polícia em raves vem sendo adotada por traficantes na Região Metropolitana da Capital. Agentes do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) descobriram que criminosos utilizam telões e até o sistema de som para avisar da chegada de policiais aos eventos.

Ocombate ao tráfico de entorpecentes em shows, raves e casas noturnas deflagrado no início do ano pelo Denarc, que já prendeu 33 traficantes, entre 18 e 32 anos, em festas, levou criminosos a cooptarem organizadores de alguns eventos. Zero Hora teve acesso com exclusividade a uma foto que integra um inquérito policial sobre ação de traficantes na Grande Porto Alegre. Nela, um aviso por escrito de que o som seria aumentado com a chegada de policiais aparece em uma TV instalada em um evento realizado no primeiro semestre na Região Metropolitana. O local e o dia em que foi feita a imagem não foram divulgados pela Polícia Civil para não atrapalhar a investigação que segue em curso.

– Temos uma foto que mostra um dos artifícios utilizados em alguns desses locais. Nesse em especial, os policiais aguardavam liberação para entrar na rave, enquanto isso, alguém passava uma mensagem nas telas. Eu considero um absurdo. Colocar esse aviso é compactuar com o crime, é cometer um crime – afirma o delegado Mario Souza.


Agentes se disfarçam e se infiltram em festas

A tentativa de passar para trás os policiais é uma reação à ofensiva do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) que utiliza agentes disfarçados que se infiltram em festas. Eles se passam por frequentadores dos eventos para fazer o monitoramento e as prisões dos traficantes de drogas e a autuação de usuários.

Durante a investida policial, que se estende desde fevereiro, foram apreendidos diversos tipos de drogas, entre eles cocaína, maconha, LSD, ecstasy, além de armas e munição. Alguns presos tinham antecedentes por receptação, tráfico e estelionato. De acordo com delegado Mario Souza, as apreensões geralmente são pequenas, porque o traficante e o usuário não andam com grandes porções, para tentar escapar da prisão em flagrante.

– As abordagens do Denarc em eventos noturnos, tanto na Capital quanto em outros municípios, continuarão acontecendo, visando a reprimir o tráfico de drogas também nesses ambientes. Não podemos combater o tráfico apenas na periferia. Os pais precisam saber que, nessas festas de classe A e B, os jovens são assediados por traficantes – disse Souza.