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quarta-feira, 8 de junho de 2011

PMs ENVOLVIDOS COM CONTRABANDISTAS DE CIGARRO

CONTRABANDO DE CIGARRO. Operação prende 38 pessoas. Cinco são policiais em SC. Até 5 milhões de carteiras eram vendidas pela quadrilha por mês, com a ajuda de PMs do Estado- DARCI DEBONA | DIONÍSIO CERQUEIRA - diario catarinense, 08/06/2011


Até o início da noite de ontem, 38 pessoas, sendo cinco policiais militares de SC, tinham sido presas nos três estados do Sul em uma operação de combate ao contrabando de cigarros.

A estimativa é que a quadrilha movimentava R$ 5 milhões por mês.

– A projeção é de cinco milhões de pacotes por mês – calculou Rosa.

A primeira prisão foi ainda na noite de segunda-feira, em Santana do Livramento (RS). Em Santa Catarina, cinco policiais militares foram presos. Outras três pessoas, todas do Rio Grande do Sul, seguem foragidas.

Os 41 mandados de prisão preventiva forame expedidos pela Justiça Federal de São Miguel do Oeste.

Os presos foram encaminhados para a Polícia Federal de Dionísio Cerqueira. Lá, eles prestaram depoimento e foram levados para presídios do Oeste catarinense.

– É a maior operação contra contrabando de cigarros já realizada em Santa Catarina – disse o delegado da Polícia Federal Ildo Rosa.

Ele informou que os mentores da quadrilha, um de Foz do Iguaçu (PR) e outro de Frederico Westphalen (RS), estão entre os presos. A quadrilha fazia contato com contrabandistas do Paraguai em Foz do Iguaçu.

– A quadrilha negociava no idioma Guarani – informou o delegado.

Dois policiais paranaenses e cinco catarinenses facilitavam a passagem da droga, até o RS (veja ao lado).

Além das prisões foram apreendidos quatro carros e uma motocicleta avaliada em R$ 50 mil, que seriam dos policiais paranaenses.

– Um deles tinha R$ 2,9 mil em dinheiro – afirmou Rosa

A operação envolveu 208 policiais, sendo 157 da Polícia Federal, 36 da Força Nacional e 15 da PM de SC.

Investigação começou há cerca de um ano

A ação de ontem faz parte da Operação Loki, em homenagem ao Deus nórdico do fogo e da trapaça. Ela se iniciou em junho do ano passsado e, nesse período, já havia apreendido 1,1 milhão de pacotes de cigarro e 39 veículos, entre eles dois caminhões e seis carros clonados.

Os presos podem ser indiciados por formação de quadrilha, contrabando e descaminho, que podem resultar em penas de dois a quatro anos de reclusão. A polícia não acredita que haja ramificações desta quadrilha. A partir de agora as investigações prosseguem para tentar confiscar o patrimônio que a quadrilha juntou com a atividade ilegal.

PMs do Estado abriam caminho

As rodovias SC-469 e a BR-282 eram a rota do contrabando de cigarros do Paraguai para o Rio Grande do Sul. Para isso, a quadrilha contava com informantes de dentro da própria polícia.

–A gente começou a desconfiar pois marcava operação e não pegava nada – disse o major José Leopoldo Alves de Moura, comandante da 2ª Companhia da Polícia Militar de Dionísio Cerqueira.

A suspeita ficou ainda mais forte em outubro do ano passado, quando o comando da Polícia Militar de São Miguel do Oeste recebeu uma carta anônima acusando policiais de participar do esquema de contrabando.

– Encaminhamos o caso para a Polícia Federal e colaboramos com as investigações – disse o comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar de São Miguel do Oeste, o tenente coronel Flamarion Schieffelbein.

O comando manteve a operação sob sigilo. Mas encontrou dificuldade de conseguir os números de telefone dos suspeitos, pois eles frequentemente trocavam os números e a operadora.

Depois de conseguir os números, eles foram grampeados e, após flagradas as conversas, segundo o comandante. Os cinco PMs prestaram depoimento na Polícia Federal e depois foram levados para o quartel do 11o Batalhão de São Miguel do Oeste.

– Eles ficarão à disposição da justiça – disse Schieffelbein.

Caso seja confirmada a participação nos crimes eles serão expulsos da corporação.