ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

APENAS SER POLICIAL


É ter o dever constante para com a vida e os bens do próximo...

É levantar-se a cada manhã e não saber como será o fim do dia...

É sair para trabalhar, e saber que lá não lhe darão condições mínimas do exercício digno de sua profissão, lhe cobrarão até o que não é sua obrigação, lhe ofertarão um local insalubre, sujo... E, sem pena, apontarão para um leito fedorento, e lhe dirão, se quiser descansar... É ali!

Ser policial é receber um chamado telefônico, por rádio, pessoalmente, por um grito descompensado... E sair correndo para acudir, pois, mais importante que sua vida, é a vida de quem lhe clama... E depois, nem um "muito obrigado" existirá!

Na polícia, a sociedade lhe critica, quando alguns pares, da escória existente em qualquer sociedade, desde professores a médicos, são integrantes do mal, mesmo quando se sabe que esta parte é apenas uma minoria desonrada, que jamais deveria sobrepujar a maioria que dar suor, sangue e vida pela mesma sociedade que julga...

Na polícia, quando um policial, mesmo fora de serviço, age em defesa de terceiros, e morre, recebe uma medalha de honra... Mas será que era isso que ele queria, ou que sua família queria??? Ou será que preferiria ter sido reconhecido em vida, por cada ato que realizou, mas que nunca precisou externar?

Na polícia, o dia a dia é simples, não é muito complicado!

É ter com você uma arma velha (se for dada pelo Governo), ou uma pistola suada, comprada com seus vencimentos, e que se participar de uma ação em defesa da sociedade, ficará presa à Justiça por anos a fio, até que o processo termine...

É sair para rua e deparar-se com cidadãos a margem da sociedade, bem preparados, armados com dinheiro do tráfico, e ter que usar um colete usado no dia anterior pelo colega, suado, apertado, quente, vencido sua validade por ter mais de 10 anos de uso, e ter a esperança, somente ela, que se uma bala for disparada, o colete resista, ou mesmo que o alvo não seja você!

Na polícia é simples! Se sair para atender um ocorrido, e um meliante, bandido, ou como querem os Direitos Humanos, "cidadão excluído pela sociedade", lhe abordar, armado em punho, e o policial defender-se ou a outrem, terá que plenamente provar que agiu dentro da Lei, pois no dia seguinte, nos tabloides sensacionalistas, não deixarão de brotar humanistas a dizer que o cidadão desqualificado (leia-se bandido) era um homem de bem, de família, trabalhador, mesmo estando de posse de uma pistola 44, alguns quilos de drogas, e tenha duas ocorrências por ameaça a esposa...

É saber que velhas máximas jurídicas: "só é culpado depois do trânsito em julgado", "plena defesa", "fé de ofício..." NÃO VALEM PRA POLICIAL... Apenas para bandido...

Que o digam os "Ricardos Motas" da vida... (poucos se lembram, que logo depois do massacre de Realengo, quando ainda não se sabia até onde aquele ato insano teria chegado, alguns ricardistas levantaram logo a voz, para indagar se o policial que adentrou a escola, e atirou no maluco teria agido corretamente, e se calaram somente depois que a verdade dos fatos e vídeos mostraram como fora a ação policial!)

Na polícia é simples! É ver o Governador dar 35% de aumento aos seus secretários e imaginem "subsecretários" (a pergunta que não quer calar é: o que é que subsecretário, adjunto ou sei lá o que faz mesmo?), e ofertar, depois de 04 (quatro) anos sem aumento, o valor de 5,9% e dizer que isto é reposição de perdas, quando até mesmo o salário mínimo nos últimos quatro anos teve o equivalente a 47%...

Mas na polícia, é na polícia...

Não é por apenas isso que desistiria do meu sonho, dos meus deveres e obrigações e da HONRA inigualável de defender com afinco a sociedade e o povo, pois se com a polícia é ruim, como seria sem ela??? Ou afinal, quando estamos em apuros, o que gritamos na rua é: – socorro mamãe ou socorro polícia?

Igor Jeferson – Policial Civil, desrespeitado, mas com orgulho!! - União de Blogs, http://policialbr.com/