ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

ATAQUES DE PUNGUISTAS SE DEVE AO DESCUIDO DAS PESSOAS


ENTREVISTA. Coronel diz que o problema são as pessoas descuidadas - ZERO HORA, 20/06/2011


Responsável pelo policiamento da Capital, o coronel Atamar Cabreira atribui às pessoas que se descuidam com seus pertences o grande número de ataques de punguistas. Para ele, o problema não é a falta de PMs nas ruas:

Autor das fotos de punguistas, um investigador particular, que normalmente é procurado por clientes com com problemas empresariais e de família, contou a ZH por que faz os flagrantes:

Zero Hora – Como a Brigada Militar trabalha para coibir a ação de punguistas no Centro?

Atamar Cabreira – No Centro, o policiamento é permanente. Chamamos esses casos de furto de descuido, que, como o nome diz, é uma falta de cuidado das pessoas com seus pertences. Aí agem os aproveitadores.

ZH – O senhor quer dizer, então, que o maior problema é o descuido das pessoas e não a falta de policiamento?

Atamar – Com certeza. O policiamento ajuda, faz a prevenção, mas os aproveitadores agem de acordo com a chance que a vítima dá.

ZH – O leitor que fez as fotos diz que há troca de turno por volta do meio-dia e isso deixa a região desguarnecida.

Atamar – Realmente há troca de turno de serviço por volta desse horário, mas temos PMs que fazem horários intermediários.


A declaração do comandante do Policiamento da Capital de que o grande número de ataques de punguistas no centro de Porto Alegre se deve ao descuido das pessoas quanto aos seus pertences, provocou a manifestação de leitores. SOBRE ZH - ZERO HORA 22/06.2011

Andrea Nunes diz que a culpa “é mesmo da população, que aceita passivamente comentários como o do coronel Atamar Cabreira”. Viviane Magalhães ficou indignada: “Assim é fácil se eximir da culpa por falta de policiamento”.

Arlei Dias considerou “revoltante a manifestação”, enquanto Daniel Caon Alves julga que a declaração “mostra o abismo que há entre nossa sociedade e a polícia”.

Jusué Brasil comenta que “o comandante do policiamento culpa as pessoas, mas o contingente que ele coloca nas ruas faz de tudo, menos prevenção”. Virginia Ghisleni considerou a entrevista do coronel “um escárnio à população de Porto Alegre. A culpa é de quem retirou os brigadianos das ruas, ou seja, de quem os comanda”. E Magda de Almeida afirma: “A culpa não é da vítima não, coronel, e o senhor sabe onde estão os culpados. Não ponha esse mico em nossos ombros”.