ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

NÃO HÁ TERRITÓRIO INTOCÁVEL PARA A POLÍCIA CIVIL DO RIO


'Não há território intocável para a Polícia Civil', diz Martha Rocha. Durante a 'Operação Alçapão', foram presos seis policiais civis e um agente penitenciário - O DIA, 01/06/2011

Rio - A chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, deu detalhes no início da tarde sobre os resultados da Operação Alçapão deflagrada nesta quarta-feira. De acordo com ela, o objetivo sempre foi combater a "permissividade dos policiais civis da área de Niterói com o jogo do bicho". As afirmações foram feitas durante uma coletiva de imprensa.

Foram presos um delegado, cinco policiais civis e um agente do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe). Entre os oficiais capturados, está o ex-delegado da 76ª DP (Niterói) e atualmente na 104ª DP (São José do Vale do Rio Preto), Henrique Faro dos Reis.

"Quando eu assumi o comando, disse para o Gilson (Emiliano) que não há território intocável para a Polícia Civil. Não desejo saber os alvos, quero apenas saber dos resultados. Não tenho dúvidas de que eu conto com um grupo de bons, dedicados e competentes profissionais", afirmou a delegada.

O objetivo dos 170 agentes envolvidos era cumprir total de 10 mandados de prisão, sete deles para policiais civis. Eles também estiveram nas ruas para cumprir 29 mandados de busca e apreensão. Foram apreendidos muitos documentos e duas motocicletas de uma empresa de segurança. A ação contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio.

As investigações para a Operação Alçapão, que começaram há seis meses, mostram que os procurados recebiam propinas mensais de contraventores - os valores chegavam a até R$ 10 mil para cada policial. O grupo foi denunciado por crimes como formação de quadrilha, corrupção passiva, contravenção, lavagem de dinheiro. A denúncia foi recebida pela 3ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo.

"Demos início à investigação após informações do Disque-Denúncia e de informantes nas ruas", disse Gilson Emiliano Soares, corregedor da Polícia Civil.

A Polícia Civil informou que o delegado preso está na Delegacia Anti-Sequestro (DAS) e, na quinta-feira, será transferido para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, o Bangu 8. Os outros presos na operação foram levados e ouvidos na sede da Coinpol, na Zona Portuária.

Investigado, ex-presidente da Viradouro não é localizado

Os agentes estiveram na casa do ex-presidente da Viradouro e policial civil, Marcos Lira, em Camboinhas, Niterói. Funcionários do condomínio informaram que Lira não mora mais no local há três meses e teria vendido a casa. Dentro do imóvel, que teria valor de mercado de R$ 1 milhão, os policiais encontraram uma máquina caça-níquel, farta documentação relacionada à Viradouro, canhotos de cheques de valores elevadíssimos e comprovantes de recebimento de aluguel em nome do policial civil.

O teto do banheiro quebrado intrigou os policiais. Há suspeita de que o compartimento teria sido usado para esconder documentos. Toda a documentação será analisada. Marcos Lira não foi encontrado até o momento para falar sobre as suspeitas levantadas na operação.

Para evitar o vazamento de informações, fuga de procurados, destruição de documentos e provas, a Polícia Civil só distribuiu os envelopes com o destino dos agentes uma hora antes do começo da operação.