ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

LIBERDADE INDEVIDA: SOBROU PARA A POLÍCIA E PARA AS FUTURAS VÍTIMAS

Esforço policial para recapturar traficante. Polícias Civil e Federal atuam para encontrar homem solto em Pelotas - JOICE BACELO | PELOTAS/CASA ZERO HORA, ZERO HORA 07/12/2011

O traficante Valdomiro Soares de Oliveira, o Índio, que foi liberado do Presídio Regional de Pelotas por um erro cometido pela Justiça, entrou para a lista dos procurados que fica disponível a todos os órgãos de segurança do país. Além disso, a possibilidade de ele ainda estar na região sul do Estado provocou a união das polícias Civil e Federal, que agora trabalham juntas na tentativa de recaptura.

Nem Polícia Civil, nem Polícia Federal dão detalhes da operação. O sigilo faz parte de uma estratégia que, se divulgada, pode comprometer a investigação que deverá apontar o paradeiro do traficante – um dos líderes da quadrilha que movimentava 80% da droga da Região Sul, desmantelada pela PF em 2009.

– Ele (Índio) deve ainda estar em Pelotas. Não podemos informar mais do que isso – diz a titular da Delegacia Regional de Pelotas, Carla Kuhn.

Como, nesse caso, há possibilidade de fuga para outros países, a Polícia Federal deverá também comunicar a Interpol sobre o caso. Índio tinha proximidade com o Paraguai. Era no país vizinho que o traficante costumava buscar a droga que abastecia a organização criminal.

O pivô da confusão

QUEM É ÍNDIO

Valdomiro Soares de Oliveira, 41 anos, foi preso após seis meses de investigação, em uma das maiores operações já realizadas pela Polícia Federal. Ele era um dos líderes da associação de 10 quadrilhas e atuava tanto no tráfico internacional de drogas quanto em assaltos a estabelecimentos bancários. Com a conclusão da investigação da Operação Castelo, foram presas 51 pessoas que distribuíam 600 mil pedras de crack por mês na Região Sul.

ENTENDA O CASO

- Valdomiro Soares de Oliveira respondia a três processos – um por roubo e extorsão, que tramitava na Justiça do Estado, e dois por tráfico internacional de drogas, pela Justiça Federal. Juntos, os três somavam uma pena de mais de 30 anos de prisão.

- O Tribunal de Justiça absolveu Valdomiro do crime por roubo e extorsão, porém no alvará de soltura emitido pela 1ª Vara Criminal do Foro de Pelotas constavam também os números dos processos da Justiça Federal.

- O alvará de soltura chegou ao Presídio Regional de Pelotas no dia 14 de novembro, e Valdomiro foi libertado. O juiz que assinou o documento, José Antônio Moraes, diz que no presídio as informações do alvará deveriam ter sido checadas com a ficha do traficante.

- Porém, no presídio, a informação é que na checagem é feita apenas a confirmação dos números dos processos que constam no alvará. Como no caso de Valdomiro constavam os três números e não existiam outros além desses, ele foi liberado.