ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

AÇÃO DESASTRADA - DOIS DELEGADOS SÃO AFASTADOS E GOVERNADOR DO PR É CRITICADO


MORTE DE REFÉM. Dois delegados são afastados do caso. Policiais gaúchos participaram da ação em que foi morta vítima de sequestro - HUMBERTO TREZZI E JOSÉ LUÍS COSTA, ZERO HORA 23/12/2011

Os policiais civis que participaram do tiroteio que resultou na morte de um refém de sequestro em Gravataí foram afastados. Deixam de investigar o caso os delegados Roland Short e Leonel Carivali, que darão explicações à Corregedoria da Polícia Civil.

A medida foi anunciada após reunião do governador Tarso Genro com o chefe da Polícia Civil gaúcha, delegado Ranolfo Vieira Junior. E antecipa o pedido que seria feito pelo Ministério Público (MP).

Orefém morto é Lírio Persch, 50 anos. Ele e um amigo, Osmar Finkler – ambos empresários da cidade de Quatro Pontes (PR) – foram atraídos pelo anúncio de venda de uma colheitadeira em Gravataí e acabaram sequestrados. A polícia paranaense descobriu onde estava a quadrilha e avisou os colegas gaúchos sobre o local do cativeiro. O tiroteio aconteceu num sobrado atrás da Câmara de Vereadores de Gravataí, no Centro. Persch foi atingido quando os policiais tentavam impedir a fuga dos bandidos. Três sequestradores (dois gaúchos e um paranaense) acabaram presos, com armas e toucas.

O cerco aos sequestradores foi feito pelos delegados Carivali (da 1ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, com sede em Gravataí) e Short (da 2ª DP). Carivali assumiu ter efetuado dois disparos.

O subprocurador-geral de Justiça para assuntos institucionais do MP, Marcelo Dornelles, que pretendia pedir o afastamento dos delegados, disse:

– O delegado que participou do tiroteio não pode investigar a si mesmo.

O tiroteio que resultou na morte de Persch começou quando PMs foram checar quem eram homens armados que cercavam o cativeiro (na realidade, eram policiais civis). Os bandidos tentaram sair, e os policiais civis atiraram contra o carro de sequestradores. O refém acabou morrendo. Promotores querem saber porque os policiais civis se isolaram na operação, sem avisar a Brigada Militar.

Serão quatro os inquéritos abertos pela Corregedoria da Polícia: um sobre o sequestro, um sobre a morte do refém e outros dois relacionados à morte do sargento Ariel da Silva, 40 anos, morto por engano por policiais civis paranaenses que investigavam o sequestro na madrugada anterior. À paisana, o sargento foi baleado ao se aproximar dos policiais – possivelmente, também pensando que eram bandidos.

A Justiça decretou a prisão temporária dos agentes paranaenses, por 30 dias, para esclarecer por que eles agiram em solo gaúcho de forma clandestina. Os policiais estão presos em Curitiba. O derradeiro inquérito é para investigar por que esses policiais foram liberados para seguir viagem ao Paraná. A liberação foi dada pela delegada Sandra Louzada, de plantão na noite da morte do PM.

MORTE DE REFÉM. Governador do Paraná responde a críticas

Ontem, em visita a Cascavel (PR), o governador do Paraná, Beto Richa, foi questionado sobre a operação em Gravataí. Até então, autoridades paranaenses haviam evitado declarações.

– Foi um fato lamentável, um fatalidade com duas vítimas inocentes. Pelo que eu sei, houve falhas nas duas polícias (do Paraná e do Rio Grande do Sul).

A fala do paranaense teve um alvo especial. O governador Tarso Genro, que, na quarta-feira, classificou a ação dos policiais do Paraná de “profundamente ilegal e irresponsável”.

Pela manhã, no sepultamento do sargento Ariel Silva, Tarso voltou à carga:

– Vamos fazer o mais profundo e completo esclarecimento para que isso não se repita. Aqui não é terra de ninguém. Porque esses policiais estavam aqui, irregularmente, fazendo operações, e a partir daí toda cadeia de movimentações que ocorreram na nossa polícia, até culminar com erro trágico que determinou a morte de uma vítima. Se essa operação foi benfeita ou malfeita eu ainda não tenho condições de avaliar. Sei que a primeira foi mal feita e que, dali, decorreu o resto.

Mais incisivo, o secretário da Segurança Pública, Airton Michels, acredita que a Polícia Civil gaúcha deveria ter autuado em flagrante os paranaenses.