ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

DESINTELIGÊNCIA

WANDERLEY SOARES, O SUL
Porto Alegre, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2011.

Greve anunciada

Ao encerrar negociações com agentes policiais em setembro deste ano, o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, entre outros compromissos, disse que o governo voltaria a discutir índices com a categoria "caso outros cargos da Polícia Civil venham a receber índices superiores aos ora concedidos". O item consta de ofício recebido pelo Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do Rio Grande do Sul (Ugeirm).

A categoria decidiu, em plenária estadual, entrar em greve imediatamente se o governo anunciar equiparação salarial entre delegados e procuradores do Estado sem verticalidade de vencimentos com a base da Polícia Civil.

"Não se pode aceitar uma polícia bem paga e outra miserável. Encaminhamos proposta de tabela salarial para todos os policiais gaúchos para ser cumprida em sete anos. A reivindicação é viável, cabe no orçamento, basta que o governo dê conseqüência ao que diz ser prioridade", afirma Isaac Ortiz, presidente da Ugeirm.

O governo ofereceu 10% para os delegados de Polícia a partir de janeiro, mas a proposta foi recusada. O Palácio Piratini pretende encerrar negociações com delegados de Polícia esta semana.

"Não aceitaremos exclusão das categorias de base de política salarial com os delegados. A categoria vai entrar em greve se o governo não cumprir seu compromisso", sublinha Ortiz.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - A atitude de "puxar-para-baixo" demonstra ser uma estratégia "burra" na busca de melhores salários. Quando categorias subordinadas de uma corporação se mobilizam para manter em níveis baixos os salários de seus dirigentes, a lógica determina a continuidade de salários baixos para todos e a desvalorização da corporação ao qual pertencem em relação às outras. Esta atitude só favores a fonte pagadora que prefere continuar pagando pouco para todos, dirigentes e subordinados. Portanto, marcar greve antes da categoria dirigente conquistar melhores salários é desinteligência.