ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

BOICOTE E ALEGORIAS POLICIAIS

WANDERLEY SOARES, REDE PAMPA, O SUL
Porto Alegre, Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011.


Enquanto os delegados confirmam o boicote, agentes da Polícia Civil acenam com movimento grevista.

O presidente da Asdep (Associação dos Delegados de Polícia do RS), Wilson Müller Rodrigues, disse ontem que o boicote de mais de 400 integrantes da categoria às operações determinadas pelo governo do estado - Verão, Serra e Fronteira - não deverá prejudicar a sociedade.

Mesmo com o aumento do fluxo de pessoas no litoral, os mais de 20 delegados que atuam na região darão conta da demanda, segundo Müller.

Os delegados também se negam a dar aulas na Academia de Polícia. Trata-se de uma forma de pressão ao governo para o realinhamento salarial com a carreira jurídica.
Caso não houver avanços nas negociações, novos boicotes poderão ocorrer. O Piratini prometeu retomar as tratativas com os delegados ainda nesta semana. Sigam-me

Alegorias

O fato do boicote decidido pelos delegados não vir em prejuízo da sociedade é um indicativo de que a polícia é levada a algumas alegorias, sem baixo custo, de conotação e repercussão midiáticas e, naturalmente, de raízes políticas. Nenhuma novidade nisso. O uso da polícia, ainda que mal remunerada, no sentido de dar aos governos a imagem de uma atividade intensa é uma estratégia antiga, assim como a inauguração festiva de novas delegacias e de unidades da Brigada Militar sem que haja equipamentos nem efetivo para os órgãos existentes. Isso quer dizer que o primeiro boicote da Polícia Civil, antes de tudo, irá embaçar mais a política da transversalidade do Piratini do que tisnar a atividade real, não alegórica, da polícia judiciária.

Abismo

Agentes policiais realizarão plenária nesta sexta-feira, a partir de 14h, no auditório da Central de Polícia de Caxias do Sul. A categoria poderá entrar em greve imediatamente se houver anúncio de calendário salarial que exclua escrivães, inspetores e investigadores do RS. O sindicato que representa os agentes, Ugeirm/Sindicato, defende a verticalidade como modo de não haver abismo salarial na Polícia Civil.

Homicídios

Em 30 anos, o Brasil ultrapassou a marca de um milhão de vítimas de homicídio. Dados do Mapa da Violência 2012 divulgado ontem pelo Instituto Sangari apontam que o número de homicídios passou de 13,9 mil em 1980 para 49,9 mil em 2010, o que representa um aumento de 259%. Com o crescimento da população nesses 30 anos, a taxa de homicídios passou de 11,7 em cada grupo de 100 mil habitantes em 1980 para 26,2 em 2010. A violência no interior cresce mais que nas capitais brasileiras. No RS a taxa de homicídios cresceu 29,4% no interior na última década, contra um aumento de 9,9% na região metropolitana de Porto Alegre.