ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 21 de abril de 2012

SER POLICIAL


JORGE BENGOCHEA

É ser um agente público que age em ambientes a margem da lei, de enriquecimento ilícito e de exclusão política, social e terapêutica;

É ser, além de mediador de conflitos e pacificador, um agente coator nas violações da lei em cenários distintos e imprevistos;

É travar uma luta diária de inteligência, técnicas, táticas, limitações e riscos contra interesses escusos, desvios de comportamento, armas letais e influências de poderes paralelos;

É ser um técnico com habilidades e conhecimento especializado num campo do esforço humano adquiridos por educação e experiência prolongada;

É exercer uma profissão semelhante à militar regular, mas com habilidades diferenciadas, pois requer aplicar razão e capacidade de administrar a violência no meio civil.

É aquele que deve estar preparado para o inopino, arriscar a vida, utilizar e enfrentar armas letais. Estando de serviço ou de folga, estando na ativa ou na aposentadoria, ele jamais negará solidariedade a quem precisa;

É o profissional que deve controlar a força a ser exercida, para tanto depende do alto grau de especialização, controle emocional, prática, experiência e uma certa dose de coragem e sangue frio;

É aquele que, ao disparar sua arma de fogo ou utilizar seu instrumento de contenção, deverá manter o controle do ato mecânico e as vezes instintivo da violência;

É a pessoa especial, diferente que está lidando com a vida. Pode tirar como pode perder uma vida.

É o servidor e protetor da sociedade que, por integrar a polícia da uma unidade federativa, fica exposto à falta de amparo legal, às limitações estruturais, ao stress, à corrupção, ao bico, aos vícios, ao suicídio, aos conflitos familiares, à depreciação funcional e à rotina de Sísifo (trabalho que resulta em nada).

No Brasil, os chefões bandidos, com dinheiro do crime, são presos, mas não ficam muito tempo nas cadeias. Outros, com histórico de violência, vão para um regime fuga fácil ou cumprem apenas um sexto da pena e voltam às ruas desafiando as leis. Mafiosos do colarinho branco, enriquecidos com dinheiro alheio, ganham privilégios com a tolerância da justiça e das leis. Apenados e infratores não são recuperados e voltam a delinquir, aterrorizar a sociedade, impor domínio e crueldade, roubar, matar, executar desafetos e enfrentar de novo a polícia.

Há uma desordem jurídica estimulando as divergências e desarmonia entre os Poderes, as várias emendas constitucionais, os questionamentos de atos secretos e atípicos, a desconfiança na autoridade e o generalizado desrespeito às leis. Existe uma desordem pública fomentando o crime e dificultando a ação policial. Enquanto isto, o povo se submete, impotente, a mercê dos interesses particulares e poderes paralelos que emanam da omissão, inércia e inoperância do Estado.
Mas um dia, será com indignação e com o exemplo dos feitos destes heróis que a nação brasileira se transformará numa massa reivindicatória contra esta situação de insegurança, corrupção e omissões, exigindo leis claras e objetivas, justiça sistêmica e coativa, e poderes comprometidos na defesa da população, enxergando a atividade policial como função essencial à justiça e não como instrumento político-partidário e soldado do Executivo.

Nota: post publicado no Blog da Insegurança em 11 DE NOVEMBRO DE 2007.

Com este artigo, hoje, 21 de abril de 2012, Dia do Policial, parabenizo a todos os policiais do Brasil que prestam uma jornada árdua e diária contra o crime, arriscando a vida em defesa da sociedade e do Estado e envidando esforços na prevenção, contenção e apuração dos delitos, enfrentando os óbices e as limitações impostas por um sistema de justiça criminal pífio, burocrata e moroso, salvaguardado por leis benevolentes e governantes descompromissados com a paz social.