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quinta-feira, 12 de abril de 2012

FARRA, INFLUÊNCIA E PROPINA NA PM DE GOIÁS

‘Farra dos coronéis’ gera figura do ‘coronel de corredor’, diz MP-GO. Para dar lugar aos promovidos, coronéis dizem ter perdido cargo e batalhão. Aumento expressivo das promoções na PM aconteceu entre 2008 e 2010. Do G1 GO, com informações da TV Anhanguera - 11/04/2012 22h47


O aumento expressivo das promoções a coronel na Polícia Militar de Goiás, chamada de “farra dos coronéis”, ocorrido entre o fim de 2008 e 2010, gerou a figura do “coronel de corredor”, que possui a patente, mas não tem um batalhão. A informação foi dada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), que começou a investigar nesta quarta-feira (11) a denúncia de oficiais beneficiados por um suposto tráfico de influência do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, indiciado pela Operação Monte Carlo.

Segundo o MP, duas testemunhas ouvidas nesta quarta-feira estão entre os “coronéis de corredor”. Eles alegam ter perdido os cargos para que outros assumissem. "A partir do momento que eu estou sendo afastado, a minha vaga fica disponível para que outro seja promovido em meu lugar", disse o coronel Israel Becker, um dos militares ouvidos.

Propina

Nesta manhã, o deputado estadual Junio Alves de Araújo, conhecido como Major Araújo (PRB), reafirmou ao promotor de Justiça Fernando Krebs as denúncias feitas ao Jornal Anhanguera. Segundo ele, Cachoeira teria influência na PM goiana e haveria cobrança de propina para a promoção de coronéis. "Eu recebi em meu gabinete oficiais que afirmaram ter pago até R$ 100 mil", diz Araújo.

De acordo com o MP, por lei Goiás deveria ter 28 coronéis. Atualmente conta com 32 homens na ativa, mas esse número já chegou a 38. Segundo as testemunhas, muitos oficiais não estão suportando a pressão e estão pedindo para aposentar. Por isso o número teria caído de 38 para 32.

Reserva

Além das promoções, o Ministério Público questionou o chamamento de policiais da reserva e a legalidade do exercício do cargo do comandante-geral da Polícia Militar de Goiás, o coronel Edson Costa Araujo. "Ele é um policial da reserva. É uma anomalia que ele esteja hoje em atividade", disse o promotor Fernando Krebs.

Em resposta, o coronel Edson Costa Araujo informou que de acordo com o artigo sexto do estatuto dos Policiais Militares, os policiais da reserva poderão ser convocados para o serviço ativo, por ato do governador do estado.



Escutas apontam suposta influência de Cachoeira em decisões da PM-GO. Ex-comandante-geral da Polícia Militar do estado aparece em escutas da PF. Homem de confiança do bicheiro estaria intercedendo por promoção de PMs. Do G1 GO, com informações da TV Anhanguera - 09/04/2012 14h45


Novos documentos da Polícia Federal (PF) mostram a suposta influência de Carlinhos Cachoeria - preso durante a Operação Monte Carlos apontado como chefe da máfia dos caça-níqueis em Goiás -, em algumas decisões da Polícia Militar (PM) do estado. O documento mostra conversas entre um homem identificado apenas como "Lenine", que seria um dos homens de confiança do bicheiro, e o coronel Carlos Antônio Elias, ex-comandante geral da PM.

Segundo o inquérito, em um dos trechos Lenine possivelmente intercede pela promoção de dois policiais. No diálogo, ele diz que as promoções teriam que acontecer antes que o outro governo assumisse. O coronel Elias confirma: “se não, passa da hora”.


O homem supostamente pede apoio para uma possível promoção de um policial. “Me ajuda daí, que eu vou fazendo força daqui também”, responde o coronel. Depois que Lenine fala sobre uma possível ajuda a um segundo policial, o militar diz: “Tá defendendo gente boa, aí. Vamos pegar esses meninos e ajudar eles”. (sic)

Sobre os policiais para os quais o braço direto de Cachoeria estaria possivelmente pedindo a promoção, a investigação apurou que, posteriormente, eles se tornaram coronéis. Por telefone, o coronel Antônio Carlos Elias, disse à produção da TV Anhanguera que não vai falar sobre as denúncias de promoções de coronéis e sobre a possível influência de Carlos Cachoeira. Ele disse também que está sendo ameaçado.

Procurada pelo G1, a assessoria de imprensa da Polícia Federal informou que não comenta as investigações da Operação Monte Carlo, que são sigilosas. O advogado de Carlos Cachoeira também foi procurado e, até o início da tarde desta segunda-feira (9), não havia dado retorno.

Denúncias

Na última sexta-feira (6), o deputado estadual major Júnio Alves Araújo fez denúncia exclusiva à TV Anhanguera e afirmou que na época que Carlos Antônio Elias era o comandante da PM, alguns oficiais teriam pago propina para conquistar o posto de coronel.

“No comando dele, noticiou-se bastante que haveria até uma tabela referente à questão de promoções. Quem pagava era quem tinha interesse na promoção de oficiais da alta cúpula. Se pagava R$ 100 mil por uma promoção de coronel. O pagamento era feito para o comandante da PM da época”, diz o deputado.

A assessoria de imprensa da PM, que deve começar a investigar o caso ainda nesta segunda-feira, confirmou que a promoção de coronéis já era uma preocupação. “É uma preocupação antiga, que já nos acompanha há algum tempo. Foram materializadas promoções acima do quantitativo previsto dentro dos quadros efetivos da polícia”, afirma o assessor de comunicação da PM, coronel Anésio Barbosa da Cruz.

Leonardo Vilela

No fim de semana, o deputado federal goiano Leonardo Vilela surgiu em conversas telefônicas com Carlos Cachoeira. Ele explicou o teor das conversas. A primeira vez teria sido quando teria indicado uma pessoa para uma entrevista de emprego em uma instituição da ex-mulher do empresário preso.

O segundo contato teria sido feito para tratar de um jantar com a participação do senador Demóstenes Torres, que atualmente está sem partido político. O objetivo seria confirmar com Cachoeira, se o senador iria ao jantar.

“Eu tive dificuldades de falar com o senador e todos sabiam da amizade do senador com o empresário Carlos Cachoeira, e, através de amigos, nós conseguimos que ele marcasse esse jantar. Eu estava confirmando se o jantar estava acertado. Naquela época não existia nenhum indício, o Carlos Cachoeira não estava indiciado, não tinha nenhuma suspeita sobre negócios irregulares e por isso tomei essa iniciativa”, conclui.