ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 22 de março de 2012

TRANSVERSALIDADE NA SEGURANÇA

WANDERLEY SOARES, O SUL
Porto Alegre, Quinta-feira, 22 de Março de 2012.


Em duros bancos de churrasqueiras de fundo de quintal, os caxienses parecem sonhar com o sucesso do projeto nipo-brasileiro.

No morno amanhecer outonal de ontem, um cidadão foi preso e outro conseguiu escapar após assalto que praticaram contra um asilo de Novo Hamburgo, Vale do Sinos, exatamente onde um coronel da Brigada Militar, ora ex-comandante do policiamento ostensivo daquela área, de passagem meteórica, porém brilhante, pelo posto prometeu instalar nos 16 municípios sob a sua jurisdição um sistema de segurança direcionado para a sociedade em obediência aos níveis exigidos pelos organizadores da Copa. Coisa de primeiro mundo. Enquanto isso, a cúpula da segurança pública está pensando seriamente, é evidente, em melhor proteger agências bancárias do Estado e, simultaneamente, acelerar um projeto nipo-brasileiro de policiamento ostensivo em Caxias do Sul. Nesta mesma moldura, coincide que, na nossa bela e mundialmente conhecida Caxias, onde está estabelecida a invasão do tal plano japonês, inédito no Brasil, no plantão da Polícia Civil, contemplado com a atividade de três policiais, é comum que os cidadãos aguardem até cinco horas, desacomodados em bancos de madeira, desses compridos utilizados em churrascos de fundo de quintal, para registrar uma ocorrência. Segundo meus conselheiros, entre o Japão e o nosso Rio Grande há muita coisa que a política da transversalidade do Piratini não alcança.

Abismo

O presidente da Ugeirm, entidade que congrega os profissionais de nível médio da Polícia Civil, afirmou que no ano passado o governo fez um acordo com a sua categoria para que a negociação salarial fosse feita em conjunto com os delegados, mas este acordo não foi cumprido. Isaac Ortiz afirmou que agentes querem o mesmo tratamento dado aos delegados da Polícia Civil, cujos salários chegarão a 18 mil reais em 2018. Para Ortiz, a proposta do governo aumenta o abismo salarial da categoria. Em busca de seus objetivos, os agentes paralisaram suas atividades - com a salvaguarda dos casos de urgência - na terça e quarta-feira desta semana.

Contramão

O chefe da Polícia Civil gaúcha, delegado Ranolfo Vieira Júnior, destacou para a mídia, ontem, os avanços salariais direcionados aos profissionais que ele comanda, incluindo a possibilidade de ascensão na carreira. Disse Ranolfo que em meio à negociação com os agentes a decisão de paralisação chegou na contramão da ótica do governo. Ranolfo não falou sobre os números absolutos de tais avanços, cuja negociação está a cargo da Casa Civil do Piratini. Nesse quadro, pelo lado do oficialismo, o chefe da Polícia Civil não deixa de ter razão, pois os profissionais da segurança pública, estranhamente, teimam em discordar da ótica do governo da transversalidade na busca de salários dignos.

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