ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 20 de março de 2012

POLICIAIS MILITARES PODEM ESTAR ENVOLVIDOS EM EXECUÇÃO

MORTES EM ALVORADA. Relação de PMs com execuções é investigada - EDUARDO TORRES, ZERO HORA 20/03/2012

Depois da prisão de quatro policiais militares de Alvorada por suspeita de participação em uma chacina em julho do ano passado, a Polícia Civil ainda investiga a participação de pelo menos outros três PMs em perseguições, torturas e chantagens de pessoas com histórico policial. De acordo com o delegado adjunto da 1ª DP de Alvorada, Wagner Dalcin, o próximo passo agora é delinear a forma de agir do grupo que se aproveitaria das fardas para “fazer justiça com as próprias mãos” e confirmar indícios para pedir novas prisões.

Foram oito meses de investigações depois da morte de quatro pessoas no bairro Salomé, em Alvorada, que apontou para o envolvimento de PMs do Pelotão de Operações Especiais (POE) do 24º Batalhão de Polícia Militar. A expectativa de Dalcin agora é que testemunhas colaborem com a polícia:

– A nossa esperança é de que as prisões deem coragem a pessoas que saibam das ações.

Polícia reabriu caso de fevereiro de 2011

Além da chacina, a polícia investiga a participação de PMs em pelo menos outros dois homicídios, com características de execução.

Em fevereiro de 2011, a Polícia Civil apurou a morte de Romário Coradeli, 20 anos. Suspeito por tráfico, foi morto supostamente durante uma abordagem da BM no bairro 11 de Abril. O inquérito policial apontou para uma execução por parte de PMs, mas o inquérito policial militar e, posteriormente, a Justiça entenderam que o soldado Marcelo Machado Maier – um dos PMs presos por suposto envolvimento na chacina de Alvorada – agiu em legítima defesa depois do rapaz sacar uma arma. No começo deste ano, porém, a polícia solicitou o desarquivamento do caso. Agora são novamente investigados.

A Polícia Civil apura a morte de Éverton Nunes Silveira, 30 anos, encontrado com três tiros na Rua Biriri, em maio de 2011. O inquérito ainda está aberto na 1ª DP de Alvorada, e os PMs são apontados como suspeitos.

Os PMs têm prisão temporária decretada. Eles estão no presídio do Batalhão de Operações Especiais, em Porto Alegre.


CHACINA EM ALVORADA, Advogado contesta provas contra PMs - ZERO HORA 21/03/2012

Nos próximos dias, a polícia deve tomar novos depoimentos dos quatro PMs de Alvorada presos na semana passada por suspeita de participação em uma chacina em julho de 2011 na cidade. Ontem, o advogado Carlos Arquimedes, que representa os soldados Marcelo Machado Maier, 35 anos, e seu irmão, Marcio Machado Maier, 32 anos, criticou o inquérito aberto pela 1ª DP de Alvorada:

– Até o momento, em mais de 500 páginas, não há provas contundentes contra os policiais que indiquem essa organização.

De acordo com o delegado adjunto Wagner Dalcin, Marcelo comandaria o grupo, que teria matado quatro pessoas em 13 de julho de 2011. Seriam também suspeitos da autoria de pelo menos outros dois homicídios na cidade.

Carlos Arquimedes aguardará os depoimentos dos seus clientes para questionar na Justiça suas atuais prisões temporárias. A reportagem não encontrou os defensores dos PMs Charles Alexandre Ávila da Silva, 33 anos, e Fernando de Souza e Silva, 24 anos.