ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 8 de março de 2012

SEM SOLUÇÃO APÓS 14 MESES DE INVESTIGAÇÕES

Enigma em Porto Alegre. Após 14 meses, polícia conclui inquérito sem desvendar mistério sobre morte de gerente na Capital. Em janeiro de 2011, jovem de 24 anos foi encontrado sem vida no apartamento onde morava na Zona Norte. JOSÉ LUÍS COSTA - ZERO HORA, 08/03/2012 | 03h21

Em 18 de janeiro de 2011, Cristofer dos Santos de Oliveira, 24 anos, gerente da loja Ellus no Shopping Iguatemi, em Porto Alegre, foi encontrado morto no apartamento onde ele morava na zona norte da Capital. A moradia estava trancada, sem sinais de arrombamento, mas praticamente vazia. Sumiram as chaves do apartamento, eletrodomésticos, os documentos pessoais, o celular e o notebook da vítima.

Parentes, amigos e colegas de Cristofer foram interrogados e, sem pistas, a polícia concluiu o caso em dezembro sem saber o que aconteceu.

Nem mesmo a causa da morte foi esclarecida pela perícia. O Ministério Público encaminhou à Delegacia de Homicídios requerimento para novas investigações a fim de tentar desvendar o mistério.

Cristofer foi visto pela última vez na madrugada de domingo, 16 de janeiro de 2011, enquanto se divertia com amigos. Após voltar para o apartamento no qual morava sozinho, na Vila Ipiranga, o gerente ainda conversou pela internet com o colega de serviço Gustavo Guimarães, 20 anos, um dos três jovens que estiveram com ele horas antes em uma danceteria da Avenida Independência. O bate-papo virtual se estendeu até por volta das 8h.

O gerente estaria em férias por uma semana a partir daquele domingo, mas prometera telefonar todos os dias para saber como andariam as coisas na loja. Não ligou, e ninguém mais teria visto Cristofer.

Na tarde de terça-feira, vizinhas de Cristofer estranharam um odor forte que vinha do apartamento dele e chamaram os bombeiros. A porta estava trancada e, quando arrebentada, o gerente foi encontrado morto.

O corpo do rapaz foi encontrado de bruços sobre a cama. Sobre a pia da cozinha havia duas taças de champanha vazias, uma garrafa de espumante aberta na geladeira e, no banheiro, preservativo usado e seringas que seriam para injeção de anabolizantes.

Aparelhos eletrônicos da vítima desapareceram

A chave do apartamento, o celular e documentos de Cristofer não foram encontrados, assim como uma TV e um notebook que ele tinha, conforme relato de amigos. Cristofer escondia o computador sobre o forro da área de serviço, porque já tinha sido vítima de arrombamento, mas o local estava vazio.

O Instituto-geral de Perícias (IGP) constatou alta dose de álcool no sangue de Cristofer, mas não conseguiu descobrir se ele foi ou não assassinado, tampouco a causa da morte em razão do estado de decomposição do corpo. Conforme o laudo, possivelmente, uma ou mais pessoas teriam estado no apartamento com o gerente, que era solteiro e costumava receber visitas.

Mensagem aumenta suspense

A morte de Cristofer dos Santos de Oliveira, 24 anos, segundo a perícia, teria ocorrido entre 24 e 36 horas antes de o corpo ser encontrado – por volta das 18h de terça-feira, 18 de janeiro de 2011. O curioso é que às 14h19min de 17 de janeiro, uma mensagem com origem do celular de Cristofer chegou a ser remetida a um amigo dele, em Porto Alegre, relatando um lindo dia de praia. Ele estaria no litoral catarinense, onde costumava ir. Com autorização judicial, a polícia monitorou chamadas e mensagens para o número do celular de Cristofer por cerca de dois meses, mas nenhum contato foi registrado.

A Delegacia de Homicídios (DH) solicitou à Justiça a quebra do sigilo telefônico de Cristofer. Os dados ainda não foram revelados pelas operadoras de celular e estão sendo cobrados pela promotora Lúcia Helena de Lima Callegari, da 2ª Vara do Júri da Capital. Ela também pede à policia para interrogar três pessoas. Também solicitou perícia no preservativo e em um pedaço de chiclete encontrados no apartamento da vítima. A promotora quer mais informações sobre a análise de impressões digitais em duas taças de champanha – que teria sido inconclusivo.

– Fizemos todo o possível para elucidar o caso, mas não sabemos se foi homicídio. A causa da morte é desconhecida – explica o delegado Cléber dos Santos Lima, da DH.


A VÍTIMA - Natural de Igrejinha, Cristofer de Oliveira, quando morreu, morava havia cinco anos em Porto Alegre. Mais velho de três filhos de uma família humilde de Igrejinha, no Vale do Paranhana, Cristofer dos Santos de Oliveira, 24 anos, morou os últimos cinco anos de vida em Porto Alegre. Trabalhou em uma loja de artigos de couro no Shopping Iguatemi com o sonho de crescer na profissão. Esforçado, passou por outras duas lojas até chegar a gerente de vendas. Solteiro, nas folga, costumava visitar a família, levando presentes para os parentes.

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS

1. O que causou a morte de Cristofer dos Santos de Oliveira?
2. Quem esteve com ele no dia da morte?
3. Quem trancou o apartamento e levou a chaves e pertences da vítima?
4. Quem enviou mensagem do celular de Cristofer dizendo estar na praia em horário no qual ele, possivelmente, já estava morto?

A MORTE - Vestido com bermuda e camiseta e de bruços sobre a cama, o corpo de Cristofer dos Santos de Oliveira tinha manchas de sangue no rosto, mas sem marcas de violência. O apartamento estava bagunçado, com as portas do roupeiro abertas, objetos pelo chão, mas sem sinais de luta corporal. A chave do apartamento, o celular e documentos de Cristofer não foram encontrados, assim como uma TV e um notebook