ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quarta-feira, 21 de março de 2012

CARÊNCIA DE POLICIAIS


Até cinco horas para registrar ocorrência - ZERO HORA 21/03/2012

O número insuficiente de agentes para registrar ocorrências no plantão da Polícia Civil tem atormentado moradores de Caxias do Sul, na Serra. A espera pode demorar até cinco horas.

Aconta no plantão é simples: três policiais são insuficientes para atender cidadãos e a Brigada Militar que, em média, prende em flagrante cinco pessoas por dia. O número de agentes disponíveis para o registro pode ser menor quando acontecem crimes como assassinatos – quando um policial é destacado para acompanhar o delegado no local do delito.

Segundo um policial que trabalha no plantão, no começo da década passada havia turnos com até oito agentes.

– Se chega um flagrante, a gente precisa deixar de atender a comunidade. Também temos direito ao horário de almoço e jantar – afirma.

Por volta das 15h de ontem, agentes atendiam a pessoas que aguardavam desde o final da manhã. Maria Luz de Camargo, 56 anos, reclamou:

– É um absurdo precisar esperar tanto tempo.

Conforme a Secretaria da Segurança Pública, a defasagem de servidores na cidade deverá ser amenizada no segundo semestre, quando policiais que passam por curso de formação serão transferidos para cidade.


Contraponto - O que diz Paulo Roberto Rosa da Silva, titular da Delegacia Regional da Polícia Civil: Caxias do Sul tem cem policiais civis, e o mínimo necessário seriam 200. O plantão, que hoje conta com três agentes por turno, deveria ter seis. Segundo o delegado, o problema da repartição deve ser amenizado em abril, quando ele promoverá mudanças nas delegacias.

Fuja das filas - Uma alternativa é utilizar a Delegacia de Polícia Civil Online (www.delegaciaonline.rs.gov.br). No portal, há três possibilidades de registro, conforme os links: furto de documento ou objetos, perda de documento ou objetos e acidente de trânsito sem vítimas



SÓ CASOS GRAVES. Polícia Civil paralisa atividades por 34 horas

Às 8h30min de hoje, começa o movimento Polícia Parada, liderado por agentes, escrivães, inspetores e investigadores da Polícia Civil gaúcha que reivindicam melhores salários. O estopim para o manifesto, que termina às 18h30min de amanhã, foi uma reunião com o governador Tarso Genro, na qual foi oferecido à categoria um aumento salarial que chegue a R$ 4,8 mil mensais até 2018.

Porém, os policiais querem salário de R$ 8,3 mil. Diante do protesto, todas as delegacias do Estado só atenderão a ocorrências de maior gravidade.

Durante a paralisação, o trabalho dos policiais ficará restrito aos casos de homicídio, latrocínio (roubo com morte), estupro, lesão corporal grave e sequestro. A restrição é idêntica para flagrantes.

– Não é só pela gravidade que estes crimes implicam, mas pode haver perda de provas. Os serviços essenciais serão mantidos. A nossa insatisfação é que o governo estabeleceu um abismo salarial entre delegados e agentes de 311% de diferença – afirma Fábio Carvalho, do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores (Ugeirm).

Conforme Carvalho, o salário inicial de um agente é de R$ 2,2 mil, enquanto o de um delegado passa dos R$ 7 mil. Mesmo diante do impasse entre policiais civis e governo do Estado, a negociação ainda está aberta e a categoria pretende chegar a um acordo em breve, afirma Carvalho.

O chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, não quis se manifestar ontem. Ele informou, por meio da assessoria de imprensa, que o governo está estudando uma nova proposta a ser apresentada à categoria, mas não há uma nova reunião agendada.