ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sexta-feira, 16 de março de 2012

POLICIAIS MILITARES SÃO SUSPEITOS DE EXECUÇÕES E AMEAÇAS CONTRA GOVERNADOR DO RS

QUATRO EXECUÇÕES. PMs são suspeitos de chacina em Alvorada - LETÍCIA BARBIERI, ZERO HORA, 16/03/2012

Quatro soldados do Pelotão de Operações Especiais do 24º Batalhão de Polícia Militar foram presos sob suspeita de participar de uma chacina em Alvorada em julho de 2011. Ao longo da investigação, dois deles ficaram em uma situação ainda mais delicada: escutas teriam ligado seus nomes aos protestos com queimas de pneus e ameaças ao governador Tarso Genro, em setembro.

Os policiais militares Charles Alexandre Avila da Silva, 33 anos, e Fernando de Souza e Silva, 24 anos, foram presos pela corregedoria da Brigada Militar na terça-feira. Ontem, os irmãos PMs Marcelo Machado Maier, 35 anos, e Marcio Machado Maier, 32 anos, se apresentaram à Polícia Civil. Além deles, foi preso o comerciante José Carlos Sorreição, 43 anos. Eles cumprirão 30 dias de prisão temporária. Todos silenciam e dizem que só vão falar em juízo.

Segundo a investigação, o alvo principal da chacina era Luciano Mayer, 37 anos. Com antecedentes por tráfico, Luciano havia procurado a Corregedoria da Brigada Militar, dois meses antes, para dizer que teria sido torturado pelos policiais. No dia 13 de julho, ele teria sido atraído para o bar de Sorreição, em companhia de Marcelo de Matos Berro, 25 anos.

Ação em bar teria matado dois inocentes

A chacina teria envolvido uma operação de fachada, a fim de forjar um álibi para o comerciante. Minutos antes, dois dos policiais teriam feito uma batida no bar e prendido o dono por porte ilegal de arma. Logo depois, um carro teria estacionado com dois homens encapuzados que executaram quem estava no bar. Além de Luciano e Marcelo, morreram o pedreiro Celso Santos da Silva, 45 anos, e o carpinteiro Marco Aurélio Costa Fraga, 37 anos, que nada tinham a ver com a rixa.

Na Justiça comum, eles responderão pela chacina, além de outras três possíveis execuções ainda em investigação. O delegado-adjunto da 1ª Delegacia da Polícia Civil de Alvorada, Wagner Dalcin, acredita que os suspeitos formavam um grupo de extermínio.

Ameaças ao governador

Conforme o subcorregedor-geral da Brigada Militar, tenente-coronel Jairo Oliveira Martins, dois dos PMs do grupo – Fernando de Souza e Silva, 24 anos, e Marcelo Machado Maier, 35 anos – respondem na Justiça Militar a um inquérito policial- militar pelos protestos clandestinos de PMs ocorridos em setembro.

Eles foram indiciados por duas queimas de pneus, em Alvorada, em protestos por reajuste salarial, além de um vídeo que continha ameaças ao governador Tarso Genro. Encapuzados, o soldado Marcelo foi identificado como o interlocutor da mensagem e o soldado Fernando aparecia calado, ao lado dele.

Eles teriam também participação em uma ação no dia 15 de setembro, quando um boneco fardado foi colocado junto a um artefato semelhante a um explosivo no viaduto Otávio Rocha, próximo ao Palácio Piratini, na Capital. Agora, responderão também pelas novas acusações em um procedimento administrativo disciplinar que não tem prazo estimado para terminar.

– São acusações graves e a pena pode ser a expulsão – sublinhou o subcorregedor.