ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO DOS POLICIAIS QUE ESCOLTAVAM TRAFICANTES

Corregedoria pedirá quebra de sigilo de policiais presos na Gávea. Objetivo é saber se três agentes, presos escoltando traficantes, têm bens incompatíveis com seus rendimentos - GUSTAVO GOULART, SÉRGIO RAMALHO, HERCULANO BARRETO FILHO - O GLOBO, 29/11/11 - 0h00

RIO - A Corregedoria Interna da Polícia Civil vai pedir esta semana a quebra do sigilo fiscal, bancário e telefônico dos três policiais civis presos no início deste mês, pela Polícia Federal, fazendo a escolta dos traficantes Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, e Sandro Luiz de Paula Amorim, o Peixe. O pedido será encaminhado ao Ministério Público estadual e incluirá ainda os parentes mais próximos dos policiais, como mães, mulheres e filhos. Na semana passada, a corregedoria já havia cumprido mandados de busca e apreensão nas residências dos policiais.

A quebra faz parte de uma investigação deflagrada depois da prisão dos policiais Carlos Daniel Ferreira Dias, da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde Pública, Carlos Renato Rodrigues, da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Carga, e Wagner de Souza Neves, da mesma unidade. Os três faziam a escolta dos traficantes que tentavam fugir da Favela da Rocinha, quando foram surpreendidos pelos policiais federais, na Gávea.

— O inquérito foi aberto para apurar o envolvimento dos policiais com o tráfico. Agora vamos ampliar para lavagem de dinheiro. O pedido é para sabermos se eles têm bens incompatíveis com os rendimentos de policiais — afirmou o corregedor-geral Gílson Emiliano.

Já a Corregedoria Geral Unificada está investigando os motivos que levaram seis policiais do 23º BPM (Leblon) ao alto da Rocinha na noite de 9 de novembro, véspera da prisão do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem. Há suspeita de que os PMs pretendiam escoltar o então chefe da venda de drogas na comunidade para evitar sua prisão durante a ocupação da favela, ocorrida no dia 13.

A investigação foi aberta a partir de informações recebidas pela Subsecretaria de Inteligência, que repassou os dados ao órgão. O grupo de PMs teria desviado da sua rota de patrulhamento, seguindo pela Estrada da Gávea até a localidade conhecida como Vila Verde. A informação foi confirmada pela análise do GPS da patrulha onde estavam três dos seis policiais. Eles, no entanto, negaram ligação com Nem.

Na madrugada de domingo, a polícia prendeu um dos principais rivais do ex-chefe do tráfico na Rocinha. Osmar Pereira Bezerra, o Bidu, de 29 anos, foi capturado numa festa num clube no Jardim Botânico.

— Foi uma prisão significativa, porque ajuda a polícia a desarticular a quadrilha — disse o delegado adjunto Thales Nogueira Braga, da 14 DP (Leblon).

Bidu foi preso por ser identificado nas filmagens de uma moradora conhecida como dona Vitória, da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana. Na época, a comunidade não tinha UPP e a moradora gravou em vídeo imagens da ação de traficantes no local.